12 de julho de 2026
Eleições 2026

Caiado anuncia vice nesta quarta e aposta em Kassab para ampliar força nacional do PSD

Pré-candidato à Presidência mantém mistério sobre o nome até evento em Brasília, mas Gilberto Kassab é o favorito para compor a chapa
Ronaldo Caiado anuncia nesta quarta-feira o candidato a vice em chapa presidencial; Gilberto Kassab é o nome mais cotado para compor a disputa pelo Planalto. Foto: PSD/Divulgação.
Ronaldo Caiado anuncia nesta quarta-feira o candidato a vice em chapa presidencial; Gilberto Kassab é o nome mais cotado para compor a disputa pelo Planalto. Foto: PSD/Divulgação.

O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, deve oficializar nesta quarta-feira (1º), às 11h, em Brasília, o nome do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente em sua chapa para a disputa ao Palácio do Planalto.

Embora o nome de Kassab seja tratado como praticamente definido nos bastidores desde maio, quando o dirigente afirmou estar “à disposição” do partido, Caiado evitou antecipar oficialmente a escolha. A confirmação deverá ocorrer durante reunião com deputados, senadores e dirigentes do PSD na capital federal.

Caso a indicação seja confirmada, o partido disputará a eleição presidencial com uma chapa pura, reunindo duas das principais lideranças da legenda e apostando na experiência administrativa e na articulação política de Kassab para ampliar a presença nacional da candidatura.

O anúncio acontece em um momento em que Caiado busca consolidar sua pré-campanha, ampliar alianças e melhorar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, nas quais ainda aparece distante dos líderes da disputa.

Mistério até o anúncio oficial

Durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (30), em São Paulo, Caiado manteve o suspense sobre a identidade do companheiro de chapa, mas afirmou que a escolha foi construída após meses de conversas e análises. “Depois de muitas conversas, análise de posições regionais, buscamos um ponto de convergência. O vice vai enquadrar dentro disso. É uma composição perfeita do ponto de vista de alavancar a campanha e também poder ter cada vez mais capilaridade e representatividade”, afirmou.

Sem citar Kassab nominalmente, o governador de Goiás afirmou que a chapa reunirá experiência política, credibilidade e capacidade de enfrentar os desafios nacionais:

“As pessoas vão ver que é uma chapa realmente que tem estrutura, tanto de experiência, como também de autoridade moral, como também de coragem pessoal para enfrentar os problemas do Brasil.”

Apesar das especulações, Caiado reforçou que a divulgação oficial ocorrerá apenas durante o evento desta quarta-feira. “É lógico que nós temos que respeitar. Amanhã, às 11 horas, na sede do PSD, em Brasília, faremos a apresentação do nome do nosso vice.”

Chapa busca ampliar capilaridade nacional

A escolha de Kassab representa uma tentativa de fortalecer a estrutura política da campanha em todo o país. Presidente nacional do PSD, ex-prefeito de São Paulo e um dos principais articuladores políticos do Congresso Nacional, Kassab possui influência em diferentes estados e foi secretário do governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo.

Até o momento, Caiado não conseguiu formar uma ampla coalizão partidária. O governador chegou a conversar com o também pré-candidato Romeu Zema (Novo), mas as negociações não avançaram para uma composição conjunta.

Com isso, o PSD aposta em uma chapa própria para ampliar sua presença no debate nacional e consolidar uma alternativa no campo da centro-direita.

Pesquisa mostra cenário ainda desafiador

A oficialização do vice ocorre um dia após a divulgação da pesquisa BTG/Nexus, que mostra Caiado ainda distante dos dois primeiros colocados na corrida presidencial.

Segundo o levantamento, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o primeiro turno com 42% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 34%.

Na sequência aparecem:

  • Ronaldo Caiado (PSD): 5%
  • Renan Santos (Missão): 4%
  • Romeu Zema (Novo): 3%
  • Joaquim Barbosa (DC): 2%

Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 5%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

A pesquisa ouviu 2.009 eleitores entre os dias 26 e 28 de junho. A margem de confiança é de 95%, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08521/2026.

Caiado aposta em rejeição à polarização

Mesmo sem crescimento expressivo nas pesquisas, Caiado afirmou acreditar que ainda há espaço para ampliar sua candidatura ao longo da campanha.

Segundo ele, o principal sentimento do eleitorado é o desejo de superar a disputa polarizada entre PT e bolsonarismo.

“As pessoas têm dito espontaneamente: ‘vamos sair dessa polarização, vamos trazer alguém que tenha condições de governar o país, como o senhor governou Goiás’.”

Na avaliação do governador, o debate nacional precisa deixar de lado os conflitos ideológicos para priorizar temas como segurança pública, educação, saúde e geração de empregos. “Não tem nada mais nocivo para a política brasileira do que essa polarização. Ela atrasou o Brasil, porque você deixa de discutir temas relevantes para viver permanentemente o conflito.”

Defesa da gestão em Goiás

Durante a entrevista, Caiado voltou a utilizar os indicadores de sua administração em Goiás como principal ativo eleitoral. O governador afirmou que deixou o cargo com elevado índice de aprovação e argumentou que seu desempenho administrativo o credencia para disputar o Palácio do Planalto.

“O candidato que tem a melhor condição de enfrentar o PT no segundo turno é exatamente a minha candidatura. Nós mostramos o quanto um governo pode construir. Saí de Goiás com 88% de aprovação, enquanto o presidente Lula tem hoje 53% de rejeição.”

Segundo Caiado, sua campanha pretende apresentar resultados concretos nas áreas de segurança pública, desenvolvimento econômico e gestão fiscal como contraponto ao atual governo federal.

Críticas ao governo federal

Ao longo da coletiva, o pré-candidato também criticou medidas econômicas anunciadas recentemente pelo governo federal, entre elas a possibilidade de utilização do FGTS como garantia em operações de crédito consignado privado.

Na avaliação de Caiado, a iniciativa aumenta o risco de endividamento das famílias. “Aquilo que o cidadão tem de garantia para o futuro está sendo colocado como garantia para um crédito consignado. Se ele perder o emprego, ficará sem renda e também sem esse patrimônio.”

O governador também voltou a defender políticas voltadas à geração de empregos, qualificação profissional e fortalecimento da segurança pública como prioridades de sua plataforma para a eleição de 2026.


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