16 de junho de 2024
Política

“Cachoeira tinha aversão à política, por isso não conversávamos sobre o assunto”, diz Santana Gomes

O vereador por Goiânia, Santana Gomes (PSD), flagrado pela Polícia Federal em conversas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, assume sua amizade, mas garante que nunca se beneficiou politicamente. Segundo o vereador, política “sequer” fazia parte dos diálogos entre ele e Cachoeira.

“Utilizávamos expressões politiqueiras brincando, mas não falávamos de política nas horas vagas. O Carlos tem aversão a este assunto, ninguém gosta de falar sobre a mesma coisa o tempo todo”, declarou.

Ele admite que já serviu como interlocutor entre Cachoeira e outros políticos, mas sem nenhum ganho financeiro com as apresentações. “Já participei de reuniões políticas, articulei, como é o papel de um vereador, mas sem nenhuma relação com contravenção, até porque eu nem sabia que o Cachoeira possuía envolvimentos ilícitos”, explicou ao Diário de Goiás.

Santana Gomes lembrou que costumava jogar futebol com Carlos Cachoeira e que depois das partidas havia sempre brincadeiras em relação a vida pessoal dos companheiros. “Quando um ou outro não seguia para casa, após os jogos, falávamos que iríamos premiá-los com uma delação. Conversas futeboleiras”, afirmou.

O vereador explicou ainda que não imaginava que sua atitude “extrovertida” geraria tamanha polêmica. “Eu gostaria de aproveitar e pedir desculpas aos meus amigos. Não pensei que meu jeito, minha forma de falar, poderia causar tanta confusão”, declarou.

Santana nega ter ameaçado de qualquer forma o contraventor e diz que isso não faz parte de sua personalidade. “Eu jamais ameaçaria um amigo, principalmente o Cachoeira. Era tudo brincadeira, eu sou assim, meus eleitores me conheceram e me elegeram assim. Sou alegre, companheiro”, se auto-definiu.

Após o pedido de instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Goiânia, para investigar o envolvimento entre vereadores goianos e a contravenção, Santana Gomes antecipou assinar o requerimento. “Sou um homem público, estou sempre disposto a ser investigado e a viver com transparência. Vou assinar o requerimento para nova CEI e ficarei feliz por saber que a população terá contato com a verdade”, afirmou o pessedista.

Em relação as eleições municipais, o vereador teme que sua imagem possa ser prejudicada pelo laço “fraterno”, como define, que mantém com Cachoeira, mas ainda assim será candidato. “Sei que imagem é algo complicado. Minha proximidade com o Calinhos e a citação do meu nome nos noticiários pode me prejudicar, mas tenho a consciência tranqüila e serei candidato pelo PSD”, concluiu.


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Altair Tavares

Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: [email protected] .