21 de maio de 2022
Cidades

BRT Norte-Sul economizou R$ 100 milhões

O coordenador e integrante do grupo executivo do Bus Rapid Transport (BRT), em Goiânia, Ubirajara Abud, afirmou que o objetivo do projeto é resgatar a população que preferiu o transporte invidual ao transporte público, além de dar mais qualidade ao serviço. 

Em entrevista ao jornalista Altair Tavares, da Rádio Vinha FM, ele falou sobre a visita da presidente da República Dilma Rousseff (PT) nesta quinta-feira (19), na capital, para a assinatura da ordem de serviço do BRT. Segundo ele, as obras devem ser iniciadas em até 30 dias. 

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Confira a entrevista:

Altair Tavares: Quanto o governo federal destinou para o BRT, quanto a prefeitura vai investir?

Ubirajara Abud: O governo federal está apostanto R$ 70 milhões do orçamento da União, mais R$ 140 milhões através da Caixa Econômica Federal, financiados pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), um total de R$ 210 milhões. A Prefeitura estima investir mais R$ 130 milhões, completando com isso R$ 340 milhões para o término da obra. Há uma polêmica dizendo que o custo do BRT ficará R$ 100 milhões mais caro, o que não é verdade. A verdade é que a previsão inicial era mais de R$ 400 milhões. Como houve um grande desconto no consórcio que ganhou a licitação, e tem que se ressaltar que essa licitação era parcial, não era todo o investimento do BRT, era a parte de infraestrutura, em que foi ofertado um desconto de R$ 80 milhões, na realidade trouxe uma redução no custo de mais de R$ 400 milhões para R$ 340 milhões.

Altair Tavares: Ou seja, o senhor contesta a polêmica divulgada pelo jornal O Popular de que a obra está custando mais caro?

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Ubirajara Abud: De maneira alguma, pelo contrário, ela está R$ 80 milhões mais barata, abaixo do previsto. Na verdade, o pessoal confunde porque a licitação para a infraestrutura foi R$ 340 milhões, mas falta licitar toda a parte de tecnologia, de informação, sinalização controlada remotamente, toda a parte de comunicação com o usuário, toda a parte de controle a distância, da operação de veículos, ainda falta licitar a supervisão e as desapropriações, que estão incluídas, sempre estiveram, nesse valor de R$ 420 milhões, que agora foi reduzido para R$ 340 milhões.

Altair Tavares: Essas desapropriações já foram concluídas?

Ubirajara Abud: Todos os processos de desapropriação já foram formados. Dos 65 processos de desapropriação, que inclui também indenizações, de áreas ocupadas indevidamente que foram desocupadas. Desses 65, nós já temos 35 concluídos, ou seja, já tem a avaliação da comissão de avaliação da Prefeitura Municipal de Goiânia, os processos estão sendo encaminhados a Procuradoria-Geral do Município, que vai proceder com a convocação geral das pessoas desapropriadas e indenizadas para efetuar o contrato de desapropriação, e saber se eles concordam com a avaliação ou não.

Altair Tavares: Qual é o impacto que o BRT vai provocar no transporte coletivo da capital?

Ubirajara Abud: Se você observar os eixos do transporte em Goiânia, você vai perceber que quase todos os corredores de transporte estão no sentido Leste-Oeste, o que provocou um desequilíbrio na rede. A importância desse corredor é tão grande, que você deve se lembrar, que há tempos foi cogitado em governo passados, se não me engano foi no governo Santillo, foi cogitado até de se fazer um metrô neste traçado. Então essa implantação do BRT Norte-Sul, maior obra realizada até agora em Goiânia, na área de transporte coletivo, ela vai atender 120 mil pessoas por dia e beneficiar indiretamente mais de 500 mil pessoas. Agora, ela vai promover também um salto de qualidades, porque nós teremos ônibus mais confortáveis, com ar-condicionado, transitando em um corredor segregado. Com isso, nós vamos conseguir passar a velocidade média, que hoje é de 14 ou 15 km/h, para 28 a 30km/h. E além disso, esses ônibus terão uma operação bem mais avançada, as 39 estações que serão construídas. Você vai ter uma regularidade, uma pontualidade, além do conforto, e que é objetivo da administração Paulo Garcia ao implantar tanto esse corredor, como os outros que já foram licitados como o da T-7, é dar maior qualidade, confiabilidade ao sistema, para que nós possamos atrair de volta para o transporte coletivo aquela população que preferiu o transporte individual por falta de opção, por falta de qualidade. Principalmente, porque o transporte coletivo foi muito impactado por esse grande número de veículos que circula pelas ruas de Goiânia, só no ano passado foram mais de 100 mil. Então, é uma tendência no mundo inteiro, sendo as ruas um espaço limitado e com aumento da população que se desloca para a cidade, tem que melhorar o transporte coletivo. A única saída é dar qualidade, opção para o pessoal aderir ao transporte coletivo e com isso, a gente ter uma cidade com maior qualidade de vida e mais sustentável.

Altair Tavares: Qual a importância da agenda da presidente amanhã para assinar o contrato e ordem de serviço?

Ubirajara Abud: A presidenta Dilma foi desde o início a grande parceira do prefeito Paulo Garcia em relação a mobilidade urbana, o governo federal vem apoiando muito o equacionamento desse problema. Agora, ela deve chegar por volta das 15h desta quinta-feira, será recepcionada no Paço Municipal e participará da cerimônia da assinatura da ordem de serviço. Essa ordem de serviço permitira que no máximo 30 dias, prazo previsto no contrato, a firma inicie esse trabalho de implantação do corredor Norte-Sul.

Altair Tavares: Como você avalia essa informação de que nas proximidades do evento vai ter protesto de pessoas contra a presidente?

Ubirajara Abud: A gente tem essas informações. Muita gente pensa que pode haver protestos acalorados, violentos, mas o que a gente viu nessas manifestações do dia 13 e do dia 15 passado, todas as manifestações foram muito pacíficas. E, manifestações pacíficas não tem por parte da Prefeitura, nem do governo federal e nem do governo estadual, nenhuma restrição, todo mundo tem o direito de se manifestar. É claro que é uma convidada importante, um apoio importante que ela empresta a este programa da mobilidade urbana em Goiânia, e a gente gostaria que ela fosse recebida com carinho, com respeito, e o apoio que ela tem emprestado a Prefeitura de Goiânia, que além do BRT, nós temos todos esses corredores que estão sendo implantados com recursos do Orçamento Geral da União, sem nenhum custo para a cidade.

Altair Tavares: O radialista Laerte Júnior, aqui pelo Twitter, tá em dúvida se realmente os ônibus do BRT Norte-Sul terão ar-condicionado. Está realmente no contrato?

Ubirajara Abud: O contrato de execução do BRT não prevê aquisição dos ônibus para serem operados assim, mas há um consenso entre a Prefeitura e a CMTC que haverá essa exigência para o corredor do BRT Norte-Sul, já que todo investimento será feito pelo poder público, as empresas defensoras da licitação terão que apresentar uma planilha de preços para a operação dessas linhas. Nós acreditamos que os ganhos com velocidade, mesmo sem ar-condicionado, isso trará impacto na relevância da tarifa.

Altair Tavares: A tarifa do Eixo Norte-Sul será a mesma de todo o sistema?

Ubirajara Abud: Esse é um assunto que será discutido com os profissionais, mas a nossa opinião é de que isso deve acontecer. Os ganhos de operação compensaram os custos com a implantação dos ônibus mais confortáveis, com ar-condicionado e maior capacidade de passageiros.

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