08 de agosto de 2026
Negociação

BRB busca socorro do Banco Central com plano para cobrir rombo de R$ 5 bilhões

BRB apresentou um plano de capitalização de 180 dias para estabilizar suas contas após prejuízos bilionários vinculados ao Banco Master
O plano foca em ações preventivas para garantir a sustentabilidade das operações e a transparência frente a investidores e clientes. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O plano foca em ações preventivas para garantir a sustentabilidade das operações e a transparência frente a investidores e clientes. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) entregou formalmente ao Banco Central (BC), na última sexta-feira (6), um Plano de Capital detalhando medidas emergenciais para recompor seu balanço financeiro e reforçar a liquidez da instituição em um prazo de até 180 dias. O documento foi entregue pessoalmente pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan, em reunião que contou com a presença do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.

Segundo a instituição, o plano foca em ações preventivas para garantir a sustentabilidade das operações e a transparência frente a investidores e clientes, dependendo da comprovação da necessidade de novos aportes do governo local, conforme avancem as investigações em curso.

Embora o comunicado oficial do BRB não tenha especificado cifras, a Agência Brasil destaca que um depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal no fim de 2025, estimou que as operações realizadas com o Banco Master geraram um rombo de aproximadamente R$ 5 bilhões nas contas da estatal brasiliense. As investigações atuais apuram a aquisição, por parte do BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master que poderiam conter ativos inexistentes ou com valores superfaturados.

Em sua defesa, o banco distrital afirma que cerca de R$ 10 bilhões desse montante já teriam sido liquidados ou substituídos. De acordo com as informações divulgadas pela Agência Brasil, a estratégia do banco para levantar capital envolve diversas frentes que evitam a dependência exclusiva do Tesouro distrital, incluindo a busca por empréstimos junto a bancos privados e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além da venda de ativos, como créditos de estados e municípios e carteiras imobiliárias.

Outras alternativas citadas no plano envolvem a criação de um fundo imobiliário com terrenos do Governo do Distrito Federal (GDF) ou aportes diretos, embora qualquer medida que utilize recursos do governo dependa obrigatoriamente de autorização da Câmara Legislativa do DF.

O jornal O Estado de S.Paulo reportou que o BRB já iniciou movimentos agressivos de venda para conter a fuga de capitais, alienando cerca de R$ 5 bilhões em ativos considerados de alta qualidade, como antecipação de saques do FGTS e crédito consignado. A instituição negocia ainda a venda de R$ 1 bilhão em carteiras de crédito garantidas pelo Tesouro Nacional e tenta se desfazer de fundos de investimento que foram adquiridos do Banco Master.

Em nota oficial, o BRB limitou-se a afirmar que o plano fortalece o capital institucional e assegura a integridade de suas atividades, sem detalhar as operações de mercado já em andamento.

Com informações da Agência Brasil e do Estado de S.Paulo*


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