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Ônibus atingido durante ataque no Ceará. (Foto: Reprodução/Internet)
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Uma retaliação de facções criminosas à iniciativa de se colocar bloqueadores de celulares em presídios do estado é a principal suspeita levantada pelo governo do Ceará para os ataques a ônibus e torres de TV de Fortaleza.

Entre o último sábado (24) e segunda (26), a capital cearense registrou dez ônibus queimados -seis totalmente e quatro parcialmente, segundo o Sindiônibus (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Ceará).

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, um dos atentados foi ordenado por um preso que cumpre pena em Sobral. Uma ligação monitorada pela polícia identificou o suspeito tramando um ataque à sede do Ciops (Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança) da cidade.

"As chamadas de pessoas ameaçando incendiar o prédio da Ciops partiram de um chip cadastrado no nome de José Fábio Alves da Silva Maciel (36), que se encontra preso por tráfico e furto na Penitenciária Industrial Regional de Sobral (PIRS)", informou a secretaria.

Durante a vistoria na cela do suspeito, realizada no domingo (25), foram apreendidas drogas e celulares, incluindo o aparelho que originou as ligações. Ao todo, sete pessoas presas estão sendo investigadas pelos atentados, incluindo o detento de Sobral. 

Nem o reforço da segurança tem impedido as ações dos criminosos. Na noite desta segunda (26), mais um ônibus foi incendiado, dessa vez no bairro Álvaro Weyne, na periferia da capital cearense.

De acordo com testemunhas, cerca de dez homens, alguns deles armados, entraram no veículo, mandaram os passageiros descerem, jogaram gasolina e queimaram o ônibus. Não houve feridos.

Algumas linhas passaram a ter escolta policial. A prefeitura também deslocou 400 guardas municipais e 72 viaturas para ajudar a PM na segurança dos veículos.

As linhas com escoltas foram escolhidas em pontos estratégicos, que na avaliação do governo ofereciam mais risco de sofrerem atentados. Foram priorizados também corredores, que têm um fluxo maior de veículos.

Nos quatro principais terminais de ônibus (Messejana, Papicu, Parangaba e Antônio Bezerra), viaturas fazem patrulhamento durante o todo o dia. Ao contrário de domingo, quando a frota nas ruas foi reduzida, nesta terça todos os ônibus estão trafegando normalmente, segundo o sindicato da categoria.

Ataques

Desde quinta-feira (22), quando homens tentaram incendiar uma agência dos Correios no bairro Antônio Bezerra, alguns prédios de órgãos públicos e antenas de telefonia, além dos ônibus, também foram atacados. 

A suspeita de retaliação ganhou ainda mais força quando, no atentado frustrado aos Correios, um bilhete deixado fazia ameaça a políticos e empresas públicas.

Na sexta, três homens morreram quando atacavam a Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), responsável pelas cadeias do Estado. A polícia informou que a inteligência já havia identificado a possibilidade de retaliação e uma equipe aguardava os homens em uma região próxima à sede da Sejus.

A partir daí os ataques se intensificaram, com ônibus queimados e tentativas de danificar duas antenas de telefonia e outros prédios de órgãos públicos, como a Etufor (responsável pelos transporte público em Fortaleza) e a sede de uma das secretarias regionais da capital.

Outras cidades como Sobral e Cascavel também tiveram estabelecimentos atingidos por atentados. 

Violência

O Ceará vive uma guerra de facções. Apenas em duas chacinas em janeiro deste ano, 24 pessoas foram mortas.

Uma das hipóteses é que a facção Guardiões do Estado teria sido responsável pela chacina que deixou 14 mortos na periferia de Fortaleza em janeiro.

Com características distintas de outras com as quais disputa o espaço de tráfico na região, ela tem se notabilizado por cometer crimes com requintes de crueldade.

Além dela, atuam no Ceará Comando Vermelho, PCC, Família do Norte e Amigos dos Amigos.

Nesse cenário, taxistas e motoristas de aplicativos têm rejeitado corridas a lugares considerados perigosos, lojas liberam funcionários mais cedo, postos de combustíveis deixaram de funcionar 24 horas por dia e há bairros onde impera o toque de recolher.

Em 2017, o Ceará teve seis chacinas, a maioria na região metropolitana. No ano, 5.134 pessoas foram assassinadas, alta de mais de 50% em relação a 2016, com 3.407 pessoas assassinadas. (Folhapress)

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