17 de agosto de 2022
Falácias

Bolsonaro volta a atacar ministros do STF e diz que Moraes quer incriminá-lo

Moraes será empossado como presidente do TSE em agosto, entidade que é constantemente atacada por Bolsonaro em seus discursos
Bolsonaro se diz perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução/TV Brasil
Bolsonaro se diz perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução/TV Brasil

Mais uma vez na contramão do que pede sua equipe de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (2) e afirmou que Alexandre de Moraes, integrante da Corte, quer incriminá-lo. Moraes será empossado no próximo dia 16 presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e será o responsável pelas eleições brasileiras, que têm a lisura atacada sem provas pelo chefe do Executivo.

“Inquéritos do Alexandre de Moraes são completamente ilegais, imorais. É uma perseguição implacável por parte dele, a gente sabe o lado dele”, afirmou o presidente em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre. “É maneira de jogar a rede e me incriminar em algum lugar. Moraes Está fazendo tudo de errado e, no meu entender, não vai ter sucesso em seu intento final”, acrescentou.

Bolsonaro citou o pedido da vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo de arquivamento de investigação contra ele por suposta violação de sigilo de inquérito da Polícia Federal. “O que Lindôra fez é dizer que esse inquérito do Moraes não tem fundamento”, declarou o presidente.

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Bolsonaro vazou investigação da PF em live para fazer ataques sem provas ao sistema eletrônico de votação. Hoje, cobrou conclusão do caso. “É interferência dentro da PF? De quem? Não sei, mas não fecha esse inquérito”, criticou. “Quebraram sigilo do meu ajudante de ordens, é um crime”, seguiu, sobre as investigações contra o coronel Mauro Cid, também nas apurações sobre o vazamento.

Fux e Barroso

Em ataque a outro ministro do STF e ao sistema eleitoral brasileiro, o presidente defendeu nesta terça-feira que o presidente da Corte, Luiz Fux, deveria ser incluído no inquérito das fake news por ter defendido, na segunda-feira, dia 1º, a lisura das urnas eletrônicas durante seu discurso de abertura do semestre do Judiciário.

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“Fux está no mínimo equivocado, ou é fake news. Deveria então o Fux estar respondendo no inquérito do Alexandre de Moraes das fake news, se fosse um inquérito sério”, declarou o presidente na entrevista à Rádio Guaíba. “Prezado Fux, qual país desenvolvido do mundo adota nosso sistema eleitoral? Que maravilha esse sistema eleitoral que ninguém quer”.

Bolsonaro também atacou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, a quem chamou de “criminoso” por ter articulado junto a parlamentares a rejeição à proposta do voto impresso defendida pelo governo, e voltou a convocar seus apoiadores para os atos de 7 de Setembro. “Vamos pela última vez às ruas para mostrar para aqueles surdos ministros do STF que o povo tem que ser o nosso norte”, declarou na entrevista.

De acordo com Bolsonaro, os atos de 7 de Setembro terão, pela primeira vez, um desfile cívico-militar em Copacabana, no Rio. “O desfile deve durar no máximo uma hora, com tropas das Forças Armadas”, revelou o presidente. “Da nossa parte, ninguém vai querer protesto para fechar isso, fechar aquilo. Moralmente tem instituições se fechando. Dá para a gente ganhar essa guerra dentro das quatro linhas”, acrescentou. “Uma das frases mais mostradas lá deve ser a questão da transparência, em especial a eleitoral. Vamos ter eleições, mas queremos transparência”.

Os atos bolsonaristas do Dia da Independência de 2021 foram um dos pontos mais altos de enfrentamento entre Bolsonaro e as instituições brasileiras. Na Avenida Paulista, Bolsonaro declarou à época que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. A ameaça ganhou reação do mundo político, que viu chance de crime de responsabilidade passível de impeachment. Pressionado, Bolsonaro teve de publicar uma carta à nação escrita pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) para diminuir a fervura. (Por Eduardo Gayer/Estadão Conteúdo)