18 de agosto de 2022
Brasil

Bolsonaro lista “grande imprensa” como inimiga

(Bolsonaro ao lado do filho, Eduardo Bolsonaro que pode ser o próximo embaixador do Brasil, nos EUA. Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)
(Bolsonaro ao lado do filho, Eduardo Bolsonaro que pode ser o próximo embaixador do Brasil, nos EUA. Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente da República Jair Bolsonaro, internado no Hospital Vila Nova Star, desde o último domingo (08/09) quando realizou uma cirurgia de correção de uma hérnia no abdômen, voltou a atacar a imprensa agora de maneira ainda mais implícita. Dessa vez ele alistou que parte da “grande imprensa” é sua “inimiga”. “Se acreditarmos nela será o fim de todos”. A fala apocalíptica de Bolsonaro ainda cita que “vasculam” sua vida “e de minha família desde 1988, quando me elegi vereador”.

 

 

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Não é a primeira vez que Bolsonaro ataca setores da imprensa mas é novidade colocá-la como “inimiga” dos seus. Provavelmente não será a última.

Em seu último discurso antes de ser eleito transmitido via streaming para manifestantes na Avenida Paulista, Bolsonaro mirou seus ataques à Folha de São Paulo. Com um celular disse que o jornal paulista “é a maior fakenews do Brasil” e que eles “não terão mais verba publicitária do governo”. Na sequência, sentenciou: “Imprensa vendida, meus pêsames”.

Recentemente numa onda de fúria e ironia, Bolsonaro anunciou uma MP que diminui o faturamento de jornais. Em seu discurso de anúncio da medida provisória não faltou sarcasmos e ataques à imprensa. “Então para ajudar a imprensa de papel e para facilitar a vida de quem produz também, a nossa Medida Provisória faz com que o empresário possa publicar seus balanços a custo zero em sites da CVM ou no Diário Oficial da União”, mencionou.

“As grandes empresas gastavam com jornais em média R$ 900 mil reais por ano. Vão deixar de gastar isso aí. Eu tenho certeza que a imprensa vai apoiar essa medida. Obra de uma caneta BIC ou Compactor”, disparou. No mesmo discurso disse que esperava que o jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, “sobrevivesse” depois da medida.

Também não são raros os momentos que Bolsonaro, perde a paciência e sai de rompante de uma entrevista coletiva deixando os jornalistas no vácuo. A última que se tem registro aconteceu no começo deste mês no dia 05 de setembro (quinta-feira). Bolsonaro foi à frente do Palácio da Alvorada, no local em que costuma dar entrevistas todas as manhãs, atacou à imprensa por 30 segundos e saiu. Ele queria pautar os jornais e reclamou que eles não deram atenção a uma importante medida: a aquisição de um avião KC390, adquirido pelo Governo Federal e lançado na Base Aeréa de Anápolis. “Então como vocês só querem notícia ruim, vão arranjar em outro lugar, não vai ser comigo.”, disse antes de dar às costas aos jornalistas, porém, sendo ovacionado pelos apoiadores.

Dois dias antes na terça-feira (03/09) Bolsonaro em mais um sinal de perda de paciência com a imprensa, sugeriu que não concederia mais entrevistas coletivas pelas manhãs como vinha fazendo. Disse que estava “por aqui com vocês” em direção aos jornalistas e que estava “para acabar com isso aqui”, referindo-se a conversa com os repórteres.

Na manhã desta sexta-feira (13/09) o presidente também não perdoou uma matéria assinada pelo jornalista João Paulo Saconi, da Época, que por um mês se passou por um paciente e fez sessões de terapia com a esposa do filho, Eduardo Bolsonaro: Heloísa Wolf (que depois do matrimônio passou a utilizar o sobrenome do clã). Bolsonaro não gostou muito do que leu na matéria e também foi ao Twitter (sempre nele) disparar que a imprensa não tem “limites”. “IMPRENSA SEM LIMITES: sem se identificar, o jornalista João Paulo Saconi, Época / Globo, se passou por gay e fez sessões com minha nora Heloísa (psicóloga, esposa do Eduardo) e gravou tudo. O deveria ficar apenas entre os dois, por questão de ética, agora vem a público.”