30 de junho de 2022
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Beto Richa deixa a prisão após oito dias preso

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Preso há oito dias, em caráter temporário, o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) deixou, na manhã de hoje (1), o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

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Beto Richa foi preso na manhã do dia 25, na 58ª fase da Operação Lava Jato, suspeito de envolvimento em um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias estaduais.

A soltura do tucano foi determinada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, ontem (31), a pedido da defesa, que alegou que a decisão da Justiça Federal no Paraná autorizando a prisão temporária do ex-governador foi ilegal

Procuradores

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Em nota divulgada esta tarde, membros da força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal, no Paraná (MPF/PR), lamentaram a decisão do presidente do STJ. Dizendo-se surpresos, os procuradores manifestaram a discordância em relação à decisão do ministro.

“Com o devido respeito pelo ministro presidente do Superior Tribunal de Justiça, esta força-tarefa está avaliando as providências a serem tomadas em relação à precipitada e equivocada decisão”, disseram os membros da força-tarefa, questionando a parcialidade de Noronha, já que este já tinha criticado publicamente a primeira prisão do governador, em setembro de 2018, “o que levanta sérias dúvidas sobre sua parcialidade para emitir a decisão no referido habeas corpus”.

“As circunstâncias não usuais em que o habeas corpus foi concedido se somaram à ausência de oportunidade para o Ministério Público se manifestar, apresentando informações e documentos relevantes, sobre a questão levada unilateralmente pela parte interessada”, apontam os procuradores, questionando o fato de Noronha ter determinado a soltura sem que a decisão que decretou a prisão tenha sido avaliada, em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Esquema

De acordo com o MPF, o suposto esquema criminoso perdurou por cerca de 20 anos, durante vários governos. Os procuradores estimam que os investigados desviaram R$ 8,4 bilhões por meio de recursos arrecadados com o reajuste da tarifa de pedágio do Anel de Integração do Paraná, malha de rodovias do estado, além de obras e concessões, em troca de vantagens indevidas.

Na segunda-feira (28), Richa e mais 32 investigados foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF). Por meio de nota, o ex-governador negou ter cometido qualquer irregularidade, tendo sempre se colocado à disposição da Justiça.