14 de agosto de 2026
Esportes

Atlético x Goiás: André Pitta revela diálogo com clubes sobre arbitragem de fora para decisão

André Pitta - CEO da Federação Goiana (Foto - Leo iran)
André Pitta - CEO da Federação Goiana (Foto - Leo iran)

O CEO da Federação Goiana de Futebol, André Luiz Pitta, concedeu entrevista à Rádio CBN Goiânia e abordou os principais assuntos envolvendo a arbitragem na reta final do Campeonato Goiano. A fase decisiva da competição foi marcada por reclamações dos clubes, lances polêmicos e episódios de agressões verbais contra integrantes da arbitragem, tanto nas semifinais entre Atlético e Vila Nova quanto no confronto entre Goiás e Anapolina.

Um dos casos mais comentados aconteceu após o primeiro jogo da semifinal entre Atlético e Vila Nova, no Estádio Antônio Accioly. Na ocasião, o árbitro de vídeo Eduardo Tomaz foi alvo de insultos e agressões verbais ao deixar o estádio, episódio que ocorreu na presença da filha do profissional, que vestia a camisa do Atlético. O fato provado por dirigentes colorados, gerou repercussão e levou a Federação Goiana de Futebol a emitir nota oficial classificando a situação como inadequada para um integrante da arbitragem. Porém a entidade não se posicionou apoiado seu profissional.

Sobre o tema, André Luiz Pitta reconheceu que a atitude do árbitro foi equivocada, embora tenha defendido que isso não influenciaria decisões dentro de campo. “Eu concordo com a parte que o Eduardo falou, que a filha dele, o meu filho, o seu filho, o filho de qualquer profissional da imprensa ou de qualquer torcedor tem direito de torcer para quem quiser. Mas foi de uma falta de habilidade muito grande dele. Ele não deveria ir com ela com a camisa, muito menos num dia em que estivesse atuando como profissional da arbitragem”, afirmou.

O dirigente reforçou que a Federação entende o episódio como inadequado, mesmo destacando confiança na honestidade do árbitro. “Não quer dizer que isso influencia a decisão dele. A gente tem que acreditar na honestidade, mas tem hora que não basta ser honesto, você tem que demonstrar, fazer todos os meios para mostrar que está fazendo as coisas corretas. Foi uma atitude completamente desnecessária e descabida para esse momento.”

Questionado sobre o comportamento de dirigentes do Vila Nova, intimidado a equipe de arbitragem após a partida, André Pitta confirmou que o caso foi comunicado ao Tribunal de Justiça Desportiva por meio do Sindicato dos Árbitros. “Nós estamos vendo uma pressão desumana com as pessoas, o ser humano que está vestido de árbitro. Muitas vezes essa pressão não é nem pelo lance em si, mas para fragilizar o árbitro e criar um ambiente de erro.”

Segundo ele, o clima criado em torno das decisões tem elevado o nível de tensão na reta final do campeonato. “Os atletas erram pênaltis, os goleiros falham, e o profissional do apito também vai errar. Mas tem tido uma pressão muito fora do necessário”, destacou o dirigente da FGF.

Além do episódio envolvendo o VAR no clássico, outro caso de agressões verbais foi registrado após a classificação do Goiás diante da Anapolina no Estádio Hailé Pinheiro. Dirigentes esmeraldinos reclamaram da marcação de um pênalti a favor da equipe adversária nos minutos finais da partida – lance que levou a decisão para as cobranças de penalidades.

Ao comentar o lance, André Luiz Pitta classificou a jogada como de interpretação difícil: “É um lance bastante difícil. Você vê o jogador do Goiás buscando claramente a bola, mas na perna de trás do jogador da Anapolina ele cai sobre a perna antes mesmo de tocar na bola. Isso acabou trazendo um grau de dificuldade para a marcação.”

Diante do cenário de forte pressão sobre a arbitragem, a Federação Goiana avalia a possibilidade de escalar árbitros de fora do estado para as finais do Campeonato Goiano, que serão disputadas entre Atlético e Goiás – com o primeiro jogo no Estádio Antônio Accioly e a decisão no Estádio Hailé Pinheiro.

“Existe possibilidade de árbitro de fora, até porque a situação pode trazer um risco grande, inclusive de falhas não por questões técnicas, mas em virtude do cenário que está sendo criado no campeonato.” Pitta afirmou ainda que a discussão já vinha acontecendo internamente antes mesmo da definição dos finalistas. “Essa é uma questão que já tínhamos discutido no início da semana passada. Não está totalmente batido o martelo, mas fizemos contatos e deixamos tudo planilhado para, caso a decisão seja tomada, já termos os nomes providenciados.”


Leia mais sobre: / / / Esportes