O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta quarta-feira (29), durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que sua fé é parte central de sua identidade, mas ressaltou o compromisso com a laicidade do Estado brasileiro. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Messias fez um discurso marcado por referências pessoais, defesa institucional da Corte e acenos a diferentes setores da sociedade.
“Aqui vos fala um servo de Deus. Eu caminho com Deus há 40 anos”, declarou o indicado, ao abordar sua formação religiosa e trajetória de vida. Em um dos momentos mais enfáticos, completou: “Para mim, ser evangélico é uma bênção, não um adjetivo. A minha identidade é evangélica”.
Apesar da ênfase na fé, Messias reforçou que o papel de um ministro do STF exige respeito absoluto à Constituição. “O juiz constitucional deve respeitar a laicidade e não pode colocar convicções religiosas acima da Constituição”, afirmou, ao defender o equilíbrio entre valores pessoais e a função pública.
A sabatina começou por volta de 9h45. O painel de votação da comissão foi aberto por volta de 12h25, antes do fim da sabatina. Por volta de 13h15, todos os 27 senadores titulares do colegiado já tinham votado. A CCJ segue sem divulgação do placar.
Lideranças evangélicas
A sabatina, que ocorre neste momento também evidenciou a presença e articulação de lideranças evangélicas no processo. Entre os apoiadores, esteve o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus, sinalizando a mobilização de segmentos religiosos em torno da indicação. Nos bastidores, parlamentares destacaram a força desse grupo como um dos fatores de sustentação política do nome de Messias.
Durante a exposição inicial, o advogado-geral relembrou sua trajetória desde a infância em Recife até a chegada à chefia da AGU, destacando passagens pela advocacia pública, atuação no Banco Central e experiência na Casa Civil. Ele também defendeu o papel do STF como guardião da Constituição e apontou a necessidade de aperfeiçoamento da Corte com base em transparência, colegialidade e autocontenção.
Temas sensíveis
Messias ainda abordou temas sensíveis, como o aborto, reiterando posição pessoal contrária, mas reconhecendo as hipóteses legais previstas no país. Ao longo da sabatina, buscou equilibrar convicções individuais com o compromisso institucional exigido para o cargo.
Para avançar no processo, o indicado precisa de maioria simples na CCJ. Se aprovado, o nome segue para o plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos favoráveis em votação secreta. A expectativa entre aliados do governo é de aprovação, consolidando mais uma indicação do presidente Lula ao Supremo.
A matéria segue em atualização
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