16 de abril de 2024
ESTUDO

Arqueólogos descobrem cidades-jardins de 2.500 anos na floresta amazônica

Estudiosos descobriram ainda, ao menos, 15 aglomerados de complexos identificados como assentamentos
Estudo traz ainda os centros rituais políticos, aldeias de médio porte e pequenas aldeias sem praça central. (Foto: Revista Science)
Estudo traz ainda os centros rituais políticos, aldeias de médio porte e pequenas aldeias sem praça central. (Foto: Revista Science)

Arqueólogos descobriram uma rede de cidades de 2.500 anos na floresta amazônica, com ruas largas e estradas longas e retas, praças e aglomerados de plataformas monumentais. As cidades estão no Vale Upano, no Equador Amazônico, na parte oriental dos Andes. As informações foram publicadas na revista Science, na quinta-feira (11).

Segundo o artigo “Two Thousand years of Garden urbanismo in the Upper Amazon” (em tradução livre, “Dois mil anos de urbanismo de jardins no Alto Amazonas”), a descoberta dos arqueólogos é a maior e mais antiga rede urbana de características construídas e escavadas na região. As investigações duraram mais de duas décadas, contando uma equipe da França, Alemanha, Equador e Porto Rico.

O início da pesquisa foi em trabalho de campo, antes de implantar um método de sensoriamento remoto de detecção e alcance de luz (LiDAR). O método utilizava luz de laser para detectar as estruturas presentes abaixo das copas de árvores.

Alto do Rio Xingu

Um estudo na região da floresta do sul da Amazônia, no Mato Grosso, documentou aldeias circulares pré-hispânicas no Alto do Rio Xingu, semelhantes as aldeias modernas, com grandes casas coletivas em círculos. Além disso, foi registrada uma praça central circular e sítios arqueológicos que podem atingir até 50 hectares.

A região é delimitada por valas devido a uma resistência interior elevada onde foi construída uma cerca de madeira. As vias irradiam do espaço central em várias direções para se conectar a locais que podem ter sido importante para o sustento.

O estudo traz ainda os centros rituais políticos, aldeias de médio porte e pequenas aldeias sem praça central.

Aglomerados de complexos

Para a CNN Internacional, o principal autor do estudo, Stéphen Rostain, arqueólogo e diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, afirmou que as primeiras pessoas que viveram nas cidades há 3 mil anos tinham casas pequenas e dispersas, mas as culturas Kilamope e Upano construíram montes, colocando as casas em plataformas de terra.

Os arqueólogos descobriram ainda, ao menos, 15 aglomerados de complexos identificados como assentamentos, alguns protegidos por valas. Acredita-se que os locais foram expostos a ameaças.

Já nas zonas vazias entre os complexos, os arqueólogos encontraram áreas de cultivo de terras, ligadas a uma rede de caminhos pedonais. Segundo Rostain, por esse motivo são chamadas de cidades-jardins.


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Maria Paula

Jornalista formada pela PUC-GO em 2022 e MBA em Marketing pela USP.