A abertura da temporada 2026 da MotoGP, no circuito de Buriram, na Tailândia, deixou um recado claro ao paddock, o jogo pode estar virando. A equipe de Noale, que já vinha mostrando evolução, dominou o fim de semana com autoridade, enquanto a atual campeã de construtores e grande força de 2025 ficou aquém das expectativas.
Quem brilhou foi Marco Bezzecchi. Após uma queda tripla na sprint de sábado, o italiano deu a resposta que só os grandes sabem dar, largou da pole position e liderou de ponta a ponta, sem jamais ser efetivamente ameaçado. Com ritmo consistente e leitura perfeita das condições extremas, 35°C no ar e mais de 50°C no asfalto, Bezzecchi controlou a prova e abriu vantagem confortável nas voltas finais.
Mas se a vitória foi incontestável, o espetáculo ficou por conta da briga pelo pódio.
Acosta confirma talento e leva a KTM ao segundo lugar
Pedro Acosta mostrou mais uma vez por que é considerado um dos nomes mais agressivos e talentosos da nova geração. Arrojado nas ultrapassagens e firme nas disputas roda a roda, o espanhol protagonizou um dos duelos mais intensos da corrida com Jorge Martín e Marc Márquez.
Na metade da prova, Acosta assumiu o controle da situação. Aproveitou a queda de rendimento da Ducati oficial e, com maturidade impressionante para sua idade, administrou o ritmo até ultrapassar Raúl Fernández nas voltas finais, garantindo o segundo lugar para a KTM, resultado que reforça a evolução do protótipo austríaco.
Fernández, por sua vez, confirmou o excelente pacote da Aprilia ao completar o pódio. O GP da Tailândia teve, portanto, a clara assinatura da fábrica italiana, que colocou duas motos entre os três primeiros e ainda viu Jorge Martín terminar na quarta posição.
Decepção da campeã e abandono de Márquez
A grande frustração ficou por conta da equipe que dominou 2025. A expectativa era de continuidade do protagonismo, mas o desempenho em Buriram mostrou vulnerabilidades. Marc Márquez chegou a brigar pelo pódio, mas sofreu uma escapada que comprometeu a roda e resultou em furo de pneu, forçando o abandono. Foi um fim amargo para quem buscava iniciar o campeonato com autoridade.
Sem o ritmo dominante do ano anterior, a atual campeã de construtores sai da Ásia pressionada e com sinais de que 2026 pode ser muito mais equilibrado.
Moreira pontua na estreia
Outro ponto positivo da etapa foi a estreia consistente do brasileiro Diogo Moreira. Largando em 15º, manteve-se na zona de pontuação e cruzou a linha de chegada em 13º, somando seus primeiros três pontos na classe rainha. Em uma categoria tão competitiva, pontuar logo na estreia é um indicativo animador.

O próximo capítulo: Goiânia
Agora, os motores já começam a roncar na imaginação do torcedor brasileiro. A próxima etapa do Mundial será disputada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, nos dias 20, 21 e 22 de março.
Depois de uma etapa inaugural marcada por domínio da Aprilia, reação da KTM e tropeço da atual campeã, o GP do Brasil promete tensão máxima. Goiânia receberá um campeonato aberto, imprevisível e com múltiplos candidatos ao título.
Se a Tailândia foi o primeiro recado da temporada, o Brasil pode ser o palco da confirmação: 2026 não terá dono antecipado.
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