A Prefeitura de Aparecida de Goiânia voltou a obter a nota Capag (Capacidade de Pagamento) junto à Secretaria do Tesouro Nacional, recuperando um importante indicador de saúde fiscal que havia sido perdido nos últimos anos. A classificação B, divulgada com base nos resultados do primeiro ano da gestão do prefeito Leandro Vilela, recoloca o município em condições de contratar financiamentos nacionais e internacionais com garantia da União.
A conquista é tratada pela administração municipal como um marco na recuperação das contas públicas após o recebimento de uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 500 milhões herdada da gestão anterior.
Segundo o prefeito Leandro Vilela, a retomada da classificação demonstra que as medidas de contenção de gastos, reorganização financeira e ajuste administrativo adotadas desde o início do mandato começaram a produzir resultados concretos.
“Recebemos uma prefeitura com sérios problemas financeiros, contratos que precisavam ser revistos e compromissos atrasados. Trabalhamos com responsabilidade para reorganizar as contas e recuperar a credibilidade financeira do município”, afirmou.
O que representa a nota Capag
A Capag funciona como uma espécie de “score financeiro” dos estados e municípios. A classificação é utilizada pelo Tesouro Nacional para avaliar a capacidade dos entes públicos de honrar compromissos financeiros e assumir novas operações de crédito.
As notas variam entre A, B, C e D. Apenas os entes classificados com A ou B podem obter financiamentos com garantia da União, condição considerada fundamental para viabilizar grandes investimentos em infraestrutura.
Com a recuperação da nota, Aparecida volta a ter acesso a linhas de crédito estratégicas para obras estruturantes.
Dívida herdada e reorganização das contas
De acordo com a gestão municipal, uma das principais dificuldades encontradas no início do mandato foi o volume de débitos deixados pela administração anterior.
Em 17 meses, a prefeitura afirma ter quitado mais de R$ 300 milhões em dívidas acumuladas, incluindo o pagamento da folha salarial de dezembro de 2024 dos servidores municipais, que teria sido deixada em aberto.
A administração também relata que encontrou contratos considerados pouco eficientes e despesas que comprometiam a capacidade financeira do município.
Corte de gastos e enxugamento da máquina
Entre as medidas adotadas para recuperar o equilíbrio fiscal, a gestão destaca a redução de cargos comissionados e a revisão de contratos de prestação de serviços.
Um dos exemplos citados foi o encerramento de contratos relacionados a totens de segurança espalhados pela cidade, que custavam cerca de R$ 1,5 milhão por mês e, segundo a prefeitura, não apresentavam resultados efetivos para a população.
O governo municipal afirma ainda que manteve a estrutura administrativa operando com cerca de 50% dos cargos anteriormente existentes, priorizando critérios de produtividade e eficiência.
Município entra na “zona verde”
Outro indicador que contribuiu para a recuperação da nota foi o controle das despesas com pessoal.
Segundo os dados apresentados pela administração, o comprometimento da receita com a folha de pagamento ficou em 43,97%, índice enquadrado na chamada “zona verde” dos parâmetros avaliados pelo Tesouro Nacional.
Para o secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula, o resultado representa mais do que um reconhecimento técnico.
“É uma certificação de responsabilidade fiscal que permitirá ao município buscar recursos para investimentos importantes em infraestrutura e serviços públicos”, afirmou.
Financiamentos devem impulsionar novas obras
Com a nota Capag restabelecida, a Prefeitura de Aparecida pretende avançar na contratação de financiamentos para execução de projetos estruturantes.
Entre as iniciativas previstas está a operação de crédito junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição ligada ao grupo dos Brics. Os recursos deverão ser utilizados em obras como trincheiras, parques, unidades escolares e melhorias urbanas em diversas regiões da cidade.
A expectativa da administração é continuar o processo de ajuste das contas públicas para buscar, nos próximos anos, a elevação da classificação para a nota A, o nível mais alto concedido pelo Tesouro Nacional.
Histórico da classificação
Aparecida de Goiânia manteve nota Capag A entre 2011 e 2021, durante as gestões dos ex-prefeitos Maguito Vilela e Gustavo Mendanha.
Em 2023, com base nos dados de 2022, a cidade recebeu nota B. Nos anos seguintes, perdeu a classificação e ficou sem avaliação positiva do Tesouro Nacional.
Agora, em 2026, com base nos resultados fiscais de 2025, o município voltou a obter nota B, retomando a capacidade de acessar financiamentos com garantia da União e fortalecendo sua posição para novos investimentos públicos.
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