14 de janeiro de 2026
SAÚDE DE BOLSONARO • atualizado em 07/01/2026 às 08:29

Após queda na cela, médico aponta possível traumatismo craniano em Bolsonaro

Ex-presidente apresenta apatia e lentidão nas respostas; equipe médica aguarda autorização para transferência hospitalar e realização de exames neurológicos
Jair Bolsonaro foi reavaliado por seu médico na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após queda registrada na madrugada da terça-feira (6). (Foto: reprodução).
Jair Bolsonaro foi reavaliado por seu médico na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após queda registrada na madrugada da terça-feira (6). (Foto: reprodução).

Após nova avaliação médica realizada na noite desta terça-feira (6), o médico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que ele pode ter sofrido traumatismo craniano em decorrência de uma queda ocorrida na madrugada dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o cardiologista clínico Brasil Caiado, responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, Bolsonaro apresenta apatia e lentidão nas respostas, sintomas que levantaram a suspeita de comprometimento neurológico após o acidente. O médico informou que aguarda autorização para transferi-lo a um hospital, onde deverão ser realizados exames complementares para confirmação do diagnóstico.

Queda ocorreu durante a madrugada

De acordo com informações da equipe da Polícia Federal, o incidente foi identificado por volta das 8h, embora haja indícios de que a queda tenha ocorrido aproximadamente às 5h. O médico de plantão que avaliou Bolsonaro pela manhã identificou sinais compatíveis com possível traumatismo craniano, além de lesão em um dedo e suspeita de crise convulsiva.

Brasil Caiado chegou à superintendência às 10h30 para uma avaliação mais detalhada. Entre os sintomas observados estão contusão, vermelhidão, tontura e leve queda da pálpebra esquerda.

Exames solicitados

Segundo o médico, Bolsonaro está em jejum desde as 7h como medida preventiva para a realização de exames. A equipe médica solicitou ressonância magnética, tomografia do crânio e eletroencefalograma, a fim de identificar a origem do quadro clínico e definir o tratamento adequado.

“Quando nós temos um sintoma ou um sinal que chamamos de inespecífico, muitas doenças podem ser causadoras do mesmo problema”, afirmou Brasil Caiado em conversa com jornalistas.

O cardiologista demonstrou preocupação com a demora na autorização para os exames. “Estamos um pouco apreensivos, mas limitados. A partir do momento que for liberado, imediatamente nós vamos levá-lo para o hospital”, disse. Segundo ele, a unidade hospitalar já foi notificada e está preparada para receber o ex-presidente assim que houver autorização.

Família acompanha o caso

A família de Bolsonaro acompanhou o dia de avaliações médicas na Superintendência da PF. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, permaneceram no local prestando apoio.

Michelle relatou que o ex-presidente “teve uma crise, caiu e bateu a cabeça em um móvel”. Bolsonaro, de 70 anos, encontra-se em pós-operatório de quatro procedimentos cirúrgicos recentes e faz uso de medicamentos que atuam no sistema nervoso, conforme relatório médico da Polícia Federal.

Condições clínicas e histórico médico

A PF informou ainda que Bolsonaro utiliza tratamento com CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), que consiste no uso de uma máscara nasal durante o sono, além de ter feito uso recente de anticoagulantes e apresentar outras comorbidades.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que o atendimento médico foi solicitado pelo próprio Bolsonaro, após ele relatar a queda durante a madrugada. A corporação informou que constatou “ferimentos leves” e que, inicialmente, não haveria necessidade de encaminhamento hospitalar.

O relatório médico da PF aponta a existência de uma lesão superficial cortante no rosto, próxima às bochechas, e no pé esquerdo, ambas com presença de sangue.

STF nega transferência imediata para hospital

A defesa do ex-presidente solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para a transferência imediata de Bolsonaro ao hospital DF Star, em Brasília. No pedido, os advogados alegaram urgência e risco de agravamento do quadro clínico.

“O requerimento busca preservar a integridade física do paciente e evitar agravamento irreversível”, afirmaram.

O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido e determinou que a Polícia Federal apresentasse os laudos médicos referentes ao atendimento prestado ao ex-presidente. Moraes também afirmou que a defesa deve esclarecer quais exames considera indispensáveis, destacando que parte das avaliações pode ser realizada nas unidades do sistema carcerário.

O relatório médico enviado ao STF segue em análise, e a possibilidade de transferência hospitalar permanece sob avaliação do ministro.


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