22 de abril de 2024
Conspiração?

Após dez anos, Maurício Sampaio volta a dizer que não tinha motivos para matar Valério Luiz: “Grande armação”

Empresário quebra silêncio e diz que investigação pode ter sido direcionada
Maurício Sampaio concedeu entrevista coletiva ao lado de seu advogado de defesa, Luiz Carlos da Silva Neto (Foto: Domingos Ketelbey)
Maurício Sampaio concedeu entrevista coletiva ao lado de seu advogado de defesa, Luiz Carlos da Silva Neto (Foto: Domingos Ketelbey)

Acusado em ter sido mandante do assassinato do jornalista Valério Luiz, em 2012, o empresário Maurício Sampaio quebrou o silêncio e disse, em entrevista coletiva, nesta segunda-feira (06/06) que não tinha motivos para uma atitude tão extrema e que tudo não passa de uma “grande armação e circo” para incriminá-lo.

Avesso às entrevistas, Sampaio decidiu falar com a imprensa em um hotel no Setor Oeste em Goiânia e disse que na época do assassinato tinha 53 anos de idade já com “vida estabelecida”. “Eu quero dizer que é muito duro pra mim, como pai, como avô, ter minha vida virada de cabeça para baixo por uma coisa que jamais eu faria. Eu não tenho motivo para isso. Nos meus 53 anos, na época, com a vida estabelecida. Porque que eu ia buscar num crime, uma coisa barbárie dessas. Não participei, não sou culpado disso. Sou inocente mesmo”, pontuou.

Sampaio disse que jamais ficou ofendido por ter sido chamado de “rato”, como as investigações do Ministério Público chegaram a apurar. Ao contrário, a defesa do empresário chegou a mostrar um vídeo no qual o então diretor de futebol e hoje presidente do Atlético Clube Goianiense, Adson Batista fica ensandecido com as críticas do jornalista. “Não tenho nada, em momento nenhum meu nome foi citado pelo Valério, esse negócio de rato… Não existe isso”, explicou. “Qual motivo eu teria de matar alguém? Qual o motivo? Teria? Não tenho! “Ah, você tem a cara feia”. Foi a cara que Deus me deu. Sou careca, preto, queixudo, mas nunca tive nada”, disparou. 

Outro episódio citado pela acusação é que Maurício teria proibido a entrada da equipe de Valério Luiz no CT do Atlético Goianiense. De acordo com Sampaio, além de ser uma prática corriqueira no futebol, sequer queria ter assinado o documento. “Assinei um documento num bar a pedido do Adson, o Valdivino havia assinado, eu falei que não tava nem aí para isso. ‘Você vai pipocar?’, me disseram. As pessoas não sabem da verdade mas todos apontam o dedo contra mim”, disparou. 

Sampaio reclama de falta de linhas de investigação

Questionado sobre os motivos pelos quais se tornou “alvo” de uma hipotética “perseguição”, Sampaio levantou algumas dúvidas. Pontuou que quando Valério faleceu, o pai do radialista, também cronista Manoel de Oliveira já apontou o dedo em sua direção e disse que sabia quem havia matado seu filho. A partir dali, segundo o empresário, as investigações começaram a ser direcionadas.

“Primeiramente, eu lembro bem que assim que o Valério faleceu o pai levantou e disse que sabia quem que era apontando o dedo à minha direção. Alguém que tinha dois anos que não conversava com o filho. Alguém que me disse que agora “cê arrumou um problema”. Agora, porque? Eu não sei te explicar o porquê. Nem uma outra linha de investigação foi feita”, destacou. De acordo com o empresário “para buscar um culpado tem que acabar com outra pessoa”, pontuou.

Sampaio também criticou a imagem construída dele a partir da imprensa. “O Maurício é um cara da sociedade? Vocês não me veem em sociedade, não me veem circulando em alto escalão. Sempre tive uma vida simples e ganhei meu dinheiro honradamente”, mencionou. “E já me julgam de forma diferente. Poderoso que manobra julgamento. Poderoso que não sei o que. Aonde? Quem é o poderoso aqui? Vocês pensar que eu sou um pai de família e avô, o outro também era. A vítima também era. Mas me massacrar, dez anos me batendo, agora que vai chegar o júri, vocês não podem ir lá?”, pontuou, cobrando uma cobertura maior dos veículos de imprensa no dia do julgamento. A defesa, no entanto, quer adiar mais uma vez a data do júri popular.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.