O vereador e candidato a deputado estadual Lucas Kitão (Mobiliza) pretende ampliar, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), a discussão sobre políticas públicas relacionadas à cannabis medicinal caso seja eleito para a próxima legislatura. Entre as propostas defendidas pelo parlamentar estão a criação do Centro Municipal de Cannabis Medicinal (CMTCM) e a abertura de um debate sobre o cultivo e o aproveitamento da fibra do cânhamo para a fabricação de tecidos, papéis, cordas e outros produtos.
A atuação de Kitão na pauta começou durante seus três mandatos na Câmara Municipal de Goiânia. Nesse período, o vereador apresentou projetos relacionados à utilização de medicamentos à base de canabidiol no Sistema Único de Saúde (SUS), ao incentivo à pesquisa, à criação de uma carteirinha para pacientes que fazem uso da cannabis medicinal e à instituição do Dia da Cannabis Medicinal, celebrado em 27 de novembro.
Também é de autoria do parlamentar o projeto que autorizou a criação do Centro Municipal de Cannabis Medicinal na rede pública de saúde de Goiânia. A proposta foi sancionada pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil).
Segundo Kitão, a intenção, caso chegue à Alego, é ampliar o alcance das discussões e estimular políticas que possam ser adotadas também em outros municípios goianos. Ele afirma que a pauta deve ser tratada sob a perspectiva medicinal e científica, sem associação com o uso recreativo da planta.
“Goiânia já é protagonista neste tema e tenho orgulho de ter participado ativamente. Fomos a primeira capital a aprovar uma lei para garantir a distribuição destes medicamentos no SUS e estamos debatendo a cannabis medicinal desde 2021, com votos de vereadores de todos os espectros”, afirmou.
Debate sobre a fibra do cânhamo
Além da utilização medicinal, Kitão pretende levar para o Legislativo estadual uma discussão sobre o aproveitamento industrial da fibra do cânhamo. A planta pertence à mesma espécie da cannabis, mas variedades destinadas à produção de fibras e outros usos industriais possuem características e regulamentações específicas.
A proposta apresentada pelo candidato envolve discutir o potencial do cânhamo para a produção de matérias-primas utilizadas em diferentes segmentos, como o têxtil e a fabricação de papel e cordas.
Para Kitão, as características econômicas de Goiás poderiam favorecer a discussão sobre uma eventual cadeia produtiva ligada ao cultivo e ao processamento da planta.
“Estamos em um estado que tem a agricultura na sua essência. Temos expertise no plantio, um clima propício e um posicionamento geográfico estratégico. Eu arrisco a dizer que, se liberar o plantio, a cannabis medicinal tem tudo para se tornar a próxima soja”, declarou.
A proposta, no entanto, amplia o debate para além da utilização de medicamentos e envolve questões relacionadas à regulamentação, pesquisa, cultivo e produção industrial, temas que dependeriam de regras específicas e de articulação entre diferentes órgãos públicos.
Reconhecimento acadêmico
A atuação de Kitão na área também será reconhecida nesta terça-feira (18), quando o vereador receberá o prêmio de Mérito Científico da Universidade Evangélica de Goiás (UniEvangélica), em Anápolis. A homenagem é destinada a pesquisadores e personalidades que contribuem para o desenvolvimento da ciência, inovação e tecnologia em Goiás.
Kitão é pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestre pela UniEvangélica. De acordo com a instituição, o reconhecimento está relacionado à atuação do vereador na discussão de novas tecnologias e na formulação de políticas públicas voltadas ao uso medicinal da cannabis.
Caso seja eleito deputado estadual, o parlamentar afirma que pretende utilizar o mandato e as emendas impositivas para ampliar o debate sobre o tema no Estado. A intenção é discutir a aplicação de políticas relacionadas à cannabis medicinal nos 246 municípios goianos e, paralelamente, avaliar possibilidades de pesquisa e utilização industrial do cânhamo.
Leia mais sobre: Alego / Goiás / Lucas Kitão / Política

