16 de setembro de 2026
RETALIAÇÃO INUSITADA • atualizado em 28/07/2026 às 11:08

Após ataques de Milei, Fundação Cacique Cobra Coral suspende ‘assistência climática’ para Argentina em pleno El Niño

Após declarações de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes durante evento do PL, Fundação Cacique Cobra Coral anuncia suspensão da "assistência climática" prestada à Argentina há mais de 40 anos
Fundação Cacique Cobra Coral retalia Argentina após ofensas de Milei a autoridades brasileiras - Fotomontagem: reprodução
Fundação Cacique Cobra Coral retalia Argentina após ofensas de Milei a autoridades brasileiras - Fotomontagem: reprodução

Fundação anuncia suspensão após discurso de Javier Milei

A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou na segunda-feira (27) a suspensão da chamada “assistência climática” que prestava à há mais de quatro décadas, passando pela Guerra das Malvinas e a gestão de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito democraticamente pela Argentina nos anos 80.

A decisão foi divulgada pelo grupo após as declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à da República.

A interrupção ocorre em um momento meteorológico sensível, marcado pelo início do fenômeno El Niño. Segundo comunicados da fundação, a Argentina ficará “por sua conta e risco” na área climática enquanto perdurar o impasse diplomático.

O que é a Fundação Cobra Coral

A Fundação Cobra Coral é uma instituição esotérica brasileira fundada em 1931 por Ângelo Scritori, que alega realizar “assistência climática” por meio de intervenções espirituais para minimizar eventos meteorológicos adversos.

Ela se baseia na incorporação da entidade Cacique Cobra Coral por médiuns da família Scritori e ficou conhecida por parcerias e alegadas atuações para evitar chuvas em grandes eventos no Brasil, como shows e posses presidenciais como as de Jair Bolsonaro e de Lula. A fundação tem parceria com o Ministério de Minas e Energia do Brasil e já atuou em eventos para evitar apagões energéticos.

Fundação cobra pedido formal de desculpas do governo argentino

Na publicação, a fundação classificou o discurso de Milei como um “ataque político ao nosso país” e condicionou a retomada da atuação à apresentação de um pedido formal de desculpas por parte do argentino.

“Enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño”, afirmou a entidade.

Milei fez críticas a Lula e Alexandre de Moraes em evento do PL

Durante participação na convenção nacional do Partido Liberal, Milei chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Ele também ofendeu o Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal. Não há precedente diplomático no Brasil de um dirigente de outra nação proferir esse grau de ofensas a autoridades estando em território brasileiro.

Entidade cita atuação durante crise energética argentina

Segundo a Fundação Cobra Coral, uma das suas atuações em benefício da Argentina ocorreu no início de 1989, quando os argentinos enfrentavam uma crise energética provocada pela seca.

A fundação sustenta ter realizado uma “operação mística” para influenciar o clima e provocar chuvas sobre bacias hidrográficas argentinas, com o objetivo de elevar o nível dos reservatórios utilizados para geração de energia hidrelétrica.

Tensão diplomática entre Brasil e Argentina aumenta

O afastamento ocorre em meio ao agravamento da tensão entre Brasil e Argentina após a visita de Javier Milei ao país no último fim de semana.

Durante o evento do PL, o presidente argentino chamou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”. As declarações provocaram reação do governo brasileiro, que convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e classificou o episódio como uma interferência em assuntos internos do Brasil.

Na Argentina, surgiram questionamentos à viagem feita por Milei em avião presidencial e custeada pelo governo para um evento político não oficial. O país vive uma grave crise econômica.

Caso reacende debate sobre influência da fundação

O “abandono” da assistência da Fundação Cobra Coral é ironizado por alguns, mas levado muito a sério por outros. No ano passado, quando o governo Trump anunciou o primeiro contra produtos brasileiros, de 50%, a instituição esotérica “retaliou” os Estados Unidos com corte igual na “assistência”. Pouco depois, a ocorrência de um tsunami que atingiu regiões como o Havaí, foi interpretada como resultado do afastamento.  


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