O governo Donald Trump afirmou que é “absurdo” o alerta feito pelo Itamaraty ao Congresso Nacional esta semana sobre margem para uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil após os americanos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A manifestação foi encaminhada pelo chanceler Mauro Vieira à Câmara dos Deputados.
Vieira afirmou em um ofício enviado à Câmara que a classificação abre margem para o uso da força militar pelo governo americano em território brasileiro. No documento, o Itamaraty afirma que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento ao crime organizado” e poderá produzir impactos “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”.
Em resposta, um porta-voz do Departamento de Estado americano classificou a manifestação da autoridade brasileira “absurda” e que o governo dos EUA tem trabalhado para combater essas organizações que hoje têm atuação no território americano.
Segundo o jornal O Globo, a autoridade americana, que não foi nominada, afirmou ainda que “alegações vagas” sobre uma suposta intervenção costumam “servir de pretexto para auxiliar e dar respaldo a alguns dos grupos mais violentos do mundo”. E disse que o governo dos EUA está tomando medidas decisivas, em conformidade com suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas.
Segundo ele, PCC e CV atuam nos Estados Unidos e o governo Trump trabalha para proteger a sua população.
O jornal destacou que, apesar da manifestação da ala diplomática, o Ministério da Defesa não enxerga riscos para uma ação militar dos EUA no Brasil. O entendimento é contrário ao do Ministério de Relações Exteriores. A pasta da Defesa vem monitorando o tema enquanto o ministro, José Múcio Monteiro, tem feito um périplo de conversas com suas contrapartes na América do Sul.
Ainda segundo o jornal, internamente a Defesa vê risco de hostilidade nas discussões que envolvem a guerra tarifária entre Brasil e EUA do que no acirramento de ânimo das Forças entre os dois países sobre as facções brasileiras após as medidas dos EUA contra PCC e CV.
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