13 de julho de 2024
Destaque • atualizado em 23/08/2020 às 11:21

Ao falar pela primeira vez sobre investigação, Padre Robson ressalta tranquilidade: “A obra não será abalada”

MP-GO recorreu de decisão do TJ-GO. (Foto: Reprodução)
MP-GO recorreu de decisão do TJ-GO. (Foto: Reprodução)

A sexta-feira (21/08) foi intensa para o Padre Robson de Oliveira. Após estourar a notícia da Operação Vendilhões, que levou o presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) e reitor da Basílica do Divino Pai Eterno ao centro de uma investigação que apura a movimentação irregular que beira os R$ 120 milhões. Ontem (22/08) ele foi às redes sociais se manifestar pela primeira vez sobre o assunto: “Meu coração está sereno e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível.”, pontuou.

Após “um dia corrido, pesado”, o missionário redentorista entendeu que seria o melhor caminho se afastar de suas funções na entidade e ressaltou disposição em colaborar com as investigações do Ministério Público. “Eu peço à vocês, devotos do Pai Eterno que permaneçam unidos em oração, rezando comigo as novenas, os terços e pedindo para que tudo seja resolvido com maior brevidade possível para deixar sobre a luz divina, a verdade”, pediu antes de encerrar seu discurso.

Neste ínterim, será possível avaliar que todos os donativos recebidos pela entidade são realocados na obra do Santuário. “Esse meu pedido de afastamento vai me permitir e colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda a doação que fazemos ao Pai Eterno, terços rezados, dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregado na evangelização foi toda, repito, toda, empregada na própria associação, na Afipe, a favor da evangelização, tudo está, desde a primeira doação e assim continua na Afipe e é utilizado para que nós levemos nossa obra de evangelização aos fiéis e ao mundo”, salientou.

“Carreguei muitas cruzes”

Sem falar em perseguição direta, Padre Robson destacou que já enfrentou muitos desafios, mas também nunca desistiu. “Desde o início como você bem sabe, já testemunhei várias vezes a você isso, sempre carreguei muitas cruzes, mas confiante na misericórdia de Jesus que tanto sofreu por nós, eu sempre acreditei nessa obra e no poder do Divino Pai Eterno. Por isso eu nunca desisti”, salientou.

Ressaltou no entanto, que vive um período de provação. “E agora, nesse momento de provação eu tenho certeza de que essa obra não será abalada porque Deus é nosso pai e nunca desampara seus filhos”, pontuou. 

Por fim, ressaltou que está confiante que tudo será resolvido. “Meu coração está sereno e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível. Sabemos que a vida é feita não somente de alegrias, mas também de provações. O meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil”, destacou. 

Relembre

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) aponta que um grupo liderado pelo padre Robson de Oliveira Pereira, presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), teria movimentado cerca de R$ 120 milhões de forma suspeita. A movimentação ligada a transações imobiliárias é citada no pedido do MP-GO à juíza Placidina Pires, da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais.

Conforme a investigação, valores arrecadados de fiéis, majoritariamente para a construção da nova Basílica Santuário do Divino Pai Eterno, foram utilizados em benefício próprio e de terceiros. O MP-GO afirma que o imóveis vinculados às associações também eram usados pelo padre e terceiros.

Para o MP-GO, o padre “criou várias associações com a mesma finalidade, endereço e nome, e com inovações e alterações estatutárias que gradativamente lhe deram poder absoluto sobre todo o patrimônio das Afipes”.

Afipe se converteu em empresa

Conforme o promotor Sebastião Marcos Martins, quando o MP-GO recebeu a investigação sobre a extorsão, “se deparou com uma grande teia de movimentação financeira, de valores altíssimos, com propriedades de valor elevado, que mereceriam análise mais aprofundada”.

O MP-GO afirmou que a Afipe se tornou “uma grande empresa”. “Ela tem argumento religioso, mas se converteu numa grande empresa, que explora agropecuária, venda de imóveis”, disse o promotor. “As contas bancárias foram usadas para comprar fazendas, residências em condomínios fechados em Goiânia, em São Paulo”, completou.

Ele citou ainda que “muitas pessoas que orbitam em volta das Afipes começaram a apresentar uma valorização patrimonial muito grande”.

Martins ponderou que ainda é cedo para imputar a prática de qualquer crime ao Padre Robson e aos outros investigados. “Precisamos analisar a documentação. Apreendemos muitos documentos, pen drives e HDs”, informou. “Tentaremos analisar a origem desse dinheiro. Existem alguns repasses que identificamos, que não estão devidamente esclarecidos. Alguns valores, algumas citações de empréstimos que precisamos entender”, explicou.



https://www.instagram.com/p/CENaljwAGoR/

Leia o discurso na íntegra:

Saudações, meu irmão, minha irmã.

Só agora estou tendo a oportunidade de vir aqui falar diretamente com vocês que sempre me acompanham e que oramos uns pelos outros. Sexta foi um dia corrido, pesado. E devido a situação a qual eu fui colocado eu entendi que o melhor caminho seria me afastar temporariamente da reitoria do Santuário Basílica de Trindade e também da presidência da Afipe. 

Eu sempre estive e continuo a disposição do Ministério Público, por isso, esse meu pedido de afastamento vai me permitir e colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda a doação que fazemos ao Pai Eterno, terços rezados, dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregado na evangelização foi toda, repito, toda, empregada na própria associação, na Afipe, a favor da evangelização, tudo está, desde a primeira doação e assim continua na Afipe e é utilizado para que nós levemos nossa obra de evangelização aos fiéis e ao mundo.

Meu coração está sereno e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível. Sabemos que a vida é feita não somente de alegrias, mas também de provações. O meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início como você bem sabe, já testemunhei várias vezes a você isso, sempre carreguei muitas cruzes, mas confiante na misericórdia de Jesus que tanto sofreu por nós, eu sempre acreditei nessa obra e no poder do Divino Pai Eterno. Por isso eu nunca desisti. 

E agora, nesse momento de provação eu tenho certeza de que essa obra não será abalada porque Deus é nosso pai e nunca desampara seus filhos. Eu peço à vocês, devotos do Pai Eterno que permaneçam unidos em oração, rezando comigo as novenas, os terços e pedindo para que tudo seja resolvido com maior brevidade possível para deixar sobre a luz divina, a verdade.

A força da nossa fé está nessa unidade que sempre tivemos. Nessa comunhão de amor que sempre exercitamos, que nós construímos e renovamos a cada dia. Que o Pai Eterno esteja conosco, nos guiando e cuidando de cada um de nós.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.