O preço do óleo diesel segue em alta e deve continuar pressionando o bolso do consumidor, segundo o presidente do Sindiposto, Márcio Andrade. Em entrevista ao editor do Diário de Goiás, Altair Tavares, o representante do setor afirmou que os aumentos recentes já ultrapassam R$ 2 por litro em um curto intervalo de tempo e ainda não chegaram ao fim.
De acordo com Andrade, os reajustes não são definidos pelos postos de combustíveis. “Os postos não são formadores de preço. O valor vem da refinaria ou do importador, passa pela distribuidora e chega ao posto, que apenas aplica sua margem para cobrir custos e ter lucro”, explicou.
Repasses das distribuidoras
Segundo o presidente do Sindiposto, o aumento recente foi puxado principalmente pelas distribuidoras, mesmo sem reajuste direto da Petrobras no período. “Os postos compram exclusivamente das distribuidoras, e todas elas aumentaram. O que chega ao consumidor é reflexo direto disso”, afirmou.
Ele detalha que os aumentos ocorreram de forma acelerada. “Do dia 1º de março para cá, tivemos reajustes superiores a R$ 2 por litro nas distribuidoras, em um intervalo de 10 a 12 dias”, disse.
Ainda de acordo com Andrade, o movimento não cessou. “Até o momento, isso não parou. Ainda há distribuidoras anunciando novos aumentos, e alguns postos já têm recebido essa sinalização”, completou.
Impostos e impacto no preço
O presidente do Sindiposto avaliou positivamente a retirada de tributos federais sobre os combustíveis, mas destacou que o impacto poderia ser maior caso houvesse redução também em nível estadual. “Se não tivesse a retirada dos impostos federais, o preço estaria ainda mais alto. É importante discutir a desoneração, principalmente em um momento de crise”, afirmou.
Ele reconhece, porém, a dificuldade dos estados em abrir mão da arrecadação do ICMS. “Sabemos que existe um peso grande do ICMS, mas também entendemos a dificuldade dos estados. Se houver consenso para reduzir ao menos parte desse imposto, já ajudaria a diminuir o impacto”, disse.
Cenário de incerteza
Para Andrade, o momento exige cautela e atenção por parte do consumidor e do setor. “O principal é deixar claro que o posto não é responsável por esses aumentos. Eles vêm de etapas anteriores da cadeia e acabam sendo repassados”, afirmou.
Com a continuidade dos reajustes nas distribuidoras, a expectativa é de que os preços sigam elevados nos próximos dias, mantendo o cenário de pressão sobre o custo do transporte e da economia como um todo.
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