15 de abril de 2024
Desdobramentos • atualizado em 28/02/2024 às 18:29

Alexandrino não foi informado de pré-candidatura de Kitão e confirma lançamento de Vanderlan

De acordo com o presidente do PSD, diante da ausência de comunicação com a legenda, a escolha do partido para a prefeitura de Goiânia se mantém em Vanderlan
Foto: Reprodução
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O lançamento da pré-candidatura do vereador Lucas Kitão à prefeitura de Goiânia, na última terça-feira (27), confrontando articulações do senador Vanderlan Cardoso na concorrência ao cargo pelo PSD, repercutiu junto ao partido. Em entrevista ao editor do Diário de Goiás, Altair Tavares, o presidente do PSD de Goiânia, deputado federal Ismael Alexandrino, falou sobre a ação do vereador e destacou os desdobramentos na legenda.

Alexandrino reclamou que não foi procurado por Kitão para tratar sobre a intenção à pré-candidatura. O presidente do PSD também ressaltou que a escolha do partido, até então, é Vanderlan, e que o lançamento da pré-candidatura dele já tem data marcada.

Por fim, pontuou que não definiu o que será feito em caso de duas candidaturas na época da eleição e ironizou a crítica do vereador sobre 60% do partido ser da base caiadista. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Altair Tavares: Como o senhor avalia a iniciativa da pré-candidatura do Lucas Kitão?
Ismael Alexandrino: Bom, ele não procurou ninguém do partido, da direção do partido, para conversar sobre essa pré-candidatura. A gente reconhece o valor dele como vereador, parlamentar atuante. Mas em relação a essa pré-candidatura, como nem o presidente estadual nem eu fomos acionados, nós não temos muita coisa a dizer, não. Aguardamos que ele nos procure para que seja conversado sobre essa vontade, esse desejo dele de ser pré-candidato. 

AT: O diretório estadual e o municipal já tem alguma dinâmica para pré-candidaturas?
IA: A pré-candidatura que estamos trabalhando, há um bom tempo, inclusive, e ele está ciente disso, é a pré-candidatura do senador Vanderlan. Que ele deve anunciar em março, conforme ele mesmo relatou que anunciaria em março. Mas, internamente, tratamos ela como consolidada, bastante sólida. E no sentido de ter uma outra pré-candidatura, como a direção não foi acionada ainda, temos tratado como apenas a do senador, por enquanto. 

AT: A manifestação, do ponto de vista formal, não significou nada a princípio?
IA: Do ponto de vista formal, existe o trâmite correto de ser feito, e isso passa necessariamente pela direção. Como ninguém da direção foi acionado, ao contrário, estávamos tratando ele como uma pessoa importante na chapa de vereadores. E até a última conversa que tínhamos feito era nesse sentido. Ele demonstrando preocupações em relação à reeleição dele, e a gente dando o apoio necessário, organizando a chapa. Mas em relação à candidatura à prefeitura, ele não comentou absolutamente nada, nem com o senador, até onde eu sei, nem comigo. Do ponto de vista formal, a gente não desencadeia nenhum movimento, até porque não fomos acionados, não teve nenhum diálogo. 

AT: Na reunião ontem, tanto ele quanto outros que estiveram lá, reclamaram da falta de iniciativa da direção municipal em chamar as pessoas do partido para discutir a situação, para encaminhar o andamento das pré-candidaturas, inclusive críticas à formação da chapa para vereadores. Como é que o senhor avalia essa crítica? 
IA: Primeiro, toda crítica tratamos com bastante critério no sentido de melhorar. Agora, a ansiedade, ela existe, sobretudo porque, o vereador busca a reeleição dele, alguns aliados importantes dele não são mais aliados. Mas mesmo assim, estávamos falando duas vezes por semana. Teve semana de falar com os outros todo dia. Então, não entendo no que residiria essa crítica da falta de diálogo, se eu mesmo o acionava, ligava, trocava ideia. Talvez, a ansiedade tenha sido maior do que o reconhecimento dessa busca de tratativas e de organizar as chapas. Mas a gente compreende, até porque, obviamente, cada qual busca aquilo que lhe é de interesse, e o interesse dele, até então, tem sido de se reeleger. 

AT: Você está falando de se reeleger para vereador?
IA: Isso! É o que ele tinha demonstrado e era para o que ele sinalizava.

AT: Com qual agenda o PSD está trabalhando para o lançamento de Vanderlan?
IA: Na primeira quinzena de março. Nós temos trabalhado isso na primeira ou na segunda semana, obviamente, será amplamente divulgado. Até lá, nós temos trabalhado na composição de chapas, filiações, executivas e candidaturas em diversas cidades e não só na cidade de Goiânia. 

AT: Nessa agenda, a manifestação de uma outra pré-candidatura não vai mudar em nada essa agenda?
IA: O lançamento da pré-candidatura do senador Vanderlan, estamos programando ela para março, provavelmente na primeira quinzena, e a gente não deve alterar isso, até porque trata-se de uma pré-candidatura legítima do partido. Assim como o pré-candidato Lucas Kitão fez a agenda dele com total liberdade, sem nenhuma interferência – até porque sequer sabíamos, e mesmo se soubéssemos, não faria nenhuma interferência – o PSD é um partido democrático, é um partido do diálogo, e a gente deixa as pessoas muito livres nas suas ações. Cada qual avalia de acordo com o que acha que lhe convém. Como é de conhecimento amplo, a maioria das pessoas que estão ligadas ao partido sabem que deveremos fazer esse lançamento da pré-candidatura do senador Vanderlan em março. Então, o que a gente já havia planejado, nós vamos executar. Como eu te disse, do ponto de vista formal, não fomos acionados. Se não fomos acionados, permanece o planejamento inicial. 

AT: Na prática, as pré-candidaturas são interesses pessoais e são as convenções que, efetivamente, tratam as escolhas?
IA: Com certeza, tanto que falamos de pré-candidatura e não candidatura. As convenções são feitas em junho e, havendo consenso até lá, evoca-se o nome do consenso. Se não houver consenso, o que eu acho difícil, naturalmente se faz de outra maneira para que se escolha um nome. Mas, o PSD está muito bem definido no sentido de que teremos sim uma candidatura própria, e, a priori, o  nome que temos trabalhado é o nome do senador Vanderlan. Inclusive, é o nome que consta nas pesquisas, sejam elas espontâneas, sejam elas estimuladas. 

AT: Ontem, o vereador fez uma crítica de que 60% do PSD está na base caiadista, dando a entender o interesse deles em estar na base do governador. Como o senhor avalia? 
IA: A direção do PSD nunca fez nenhuma declaração e nenhum gesto de que não está na base do governador. Se existe algum gesto, esse gesto não é do PSD.


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Luana Cardoso

Luana

Estagiária de Jornalismo do convênio entre a UFG e o Diário de Goiás.