25 de junho de 2024
Política

Agecom vai às compras na imprensa nacional

Agência de Comunicação de Goiás, que admite não ter política de comunicação, vai gastar para tentar influenciar jornalistas e os departamentos comerciais de veículos de comunicação do País

 

REPRODUÇÃO DO JORNAL O POPULAR,

EDIÇÃO DE 31/08/12

Notícia hoje publicada no jornal O Popular é atestado, com chancela do Diário Oficial, de como anda a comunicação do governo Marconi Perillo (PSDB), e explica muito os problemas que o tucano vem tendo com a sua imagem. “Com justificativa de que a imprensa nacional tem veiculado apenas notícias negativas do Estado de Goiás, o governo vai contratar empresa especializada em assessoria de comunicação e relações públicas ao valor previsto de R$ 3 milhões para os primeiros 12 meses”, informa reportagem assinada pela jornalista Fabiana Pulcineli.

Via edital, a Agência Goiana de Comunicação (Agecom) quer contratar assessoria para lidar com a imprensa nacional, que, explica o edital, “deixa de veicular matérias que possam ser positivas para o Estado, agregando valor ao seu patrimônio cultural e econômico”. O termo “agregando valor” é um mimimi teórico para justificar tudo e nada ao mesmo tempo. 

Mais do mesmo mimimi: objetivo é mostrar “potencialidades de Goiás e as ações positivas do governo, sem que isso implique em aplicação de verbas de mídia nos veículos de comunicação nacional”.

E ainda: “O governo de Goiás prescinde de interlocutores com acesso à mídia nacional com vistas a dar maior visibilidade à ações desenvolvidas principalmente na busca do desenvolvimento econômico, com destaque ainda para as potencialidade turísticas e culturais do Estado”. 

Enfim, anota a jornalista: “A direção da agência identificou como problema a falta de articulação junto à grande mídia nacional.” Quer dizer: a Agecom identificou a falta de competência de lidar com a situação.

O edital – “concorrência pública ocorrerá em 16 de outubro, com avaliação de propostas técnicas e de preços” – prevê gastos que vão de R$ 3 milhões a R$ 4,26 milhões, para um contrato de quatro anos, renováveis.

Mas os gastos não vão ficar nisso.

De acordo com o edital, a empresa que for contratada vai trabalhar em conjunto com as agências de publicidade contratadas pela Agecom. Na prática, isso significa que a empresa vai agir nas redações, tentando influenciar os jornalistas, mas também no departamento comercial dos veículos, levando anúncios, por exemplo.

Conversar, dialogar e tentar convencer jornalistas nas redações é um trabalho natural de assessoramento. Agora, juntar a isso verba de publicidade destinada aos donos dos veículos onde esses jornalistas trabalham é um meio, ou fórmula, que em geral tem um fim específico: garantir a boa vontade do veículo. Boa vontade…

Eis a questão. Para muito veículos e governos, é assim: os fins justificam os meios. Os meios do governo de Goiás são as verbas de publicidade com alcance nacional. Os fins, ‘agregar valor’ ao patrimônio cultural e econômico de Goiás.

Porém o mais inusitado da iniciativa da Agecom está no detalhe de que o edital prevê que caberá também à assessoria privada promover sua integração com as demais pastas do Estado e, vejam só ELABORAR POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DO GOVERNO PARA OS PRÓXIMOS QUATRO ANOS.

Se uma empresa está sendo contratada para “elaborar política de comunicação” significa que o governo definitivamente não tem política de comunicação, embora esteja no poder há mais de um ano e meio. O que explica muita coisa, diga-se.


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Vassil Oliveira

Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).