A Polícia Civil de Goiás identificou um adolescente de 15 anos como principal suspeito de inserir mandados de prisão falsos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As informações foram detalhadas durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (5), data em que também foi deflagrada a Operação Lex Data.
Segundo os investigadores, o jovem teria conseguido acesso aos sistemas judiciais após a captura indevida de credenciais de servidores públicos, utilizadas para inserir, alterar e excluir dados oficiais no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e no Projudi. A apuração indica que não houve invasão aos sistemas do CNJ, mas sim o uso fraudulento de logins e senhas comprometidos, possivelmente obtidos por meio de links maliciosos ou vírus.
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente apresentava um padrão de vida incompatível com a idade, com movimentações financeiras elevadas e sem qualquer vínculo formal com atividades lícitas. As investigações também apontaram que ele estava fora da escola havia pelo menos dois anos, sem matrícula ativa em instituição de ensino.
Durante a apuração, foi constatado que uma única credencial de servidora do Judiciário foi utilizada para realizar mais de 100 movimentações no sistema, incluindo inserções, alterações e exclusões de mandados de prisão. Entre os registros fraudulentos, estavam os mandados falsos em nome do presidente da República e do ministro do STF, inseridos a partir do Estado de Goiás, conforme comprovação técnica e cibernética apresentada na coletiva.
Além de atingir autoridades, o esquema também teria buscado beneficiar criminosos de alta periculosidade, incluindo integrantes de facções como o PCC e o Comando Vermelho, ao dar baixa indevida em mandados de prisão. Representantes das forças de segurança, no entanto, afirmaram que nenhum criminoso chegou a ser efetivamente beneficiado, já que todas as alterações foram rapidamente identificadas e corrigidas pelos órgãos de controle.
As fraudes foram inicialmente detectadas pela Gerência de Segurança da Informação do próprio CNJ, que comunicou o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) após identificar a subtração de credenciais de servidoras e o uso indevido dos acessos. A partir disso, a Divisão de Inteligência do TJGO produziu um relatório que deu início à investigação criminal, posteriormente compartilhada com a Delegacia de Crimes Cibernéticos.
A operação foi realizada de forma integrada, com apoio das polícias civis de Minas Gerais, Santa Catarina e do Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Iporá e no Distrito Federal. Não houve prisões nesta fase da operação.
Os materiais apreendidos considerados volumosos pelas equipes ainda estão em fase de análise e devem subsidiar novos desdobramentos da investigação. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que o adolescente atuava em um grupo que comercializava credenciais e acessos na dark web e em aplicativos de mensagens, o que amplia o alcance do esquema investigado.
Em nota, o CNJ informou que identificou alterações indevidas no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões em janeiro deste ano, esclarecendo que não houve invasão ou comprometimento estrutural dos sistemas, mas uso de credenciais comprometidas. Já o TJGO destacou que atuou diretamente na apuração e mantém cooperação permanente com as forças de segurança para responsabilização dos envolvidos.
A investigação segue em andamento e, segundo as autoridades, novos envolvidos podem ser identificados a partir da análise do material apreendido.
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