Em meio à negociação sobre fechar ou não os supermercados aos domingos, definição que era esperada para entrar em vigor esse mês, a decisão foi adiada para o final de abril para, se aprovada, valer em maio.
O presidente do Sindicato das Empresas de Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Alessandro Jean Pereira de Faria, informou nesta terça-feira (31) ao Diário de Goiás que a minuta das empresas foi enviada ao Sindicato dos Empregados do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Secom-GO), mas que não está autorizado a informar o teor do que a assembleia patronal definiu.
“Fiz minha assembleia e protocolei no Secom. Só vou falar do assunto depois que finalizarem as negociações porque pode atrapalhar alguma coisa”, argumentou Alessandro. Ele não confirmou nem mesmo que houve o adiamento da decisão para o fim do mês, como foi noticiado pelo jornal O Popular nesta terça. A confirmação veio do Secom-GO.
Milhares de trabalhadores de supermercados aguardam por esse entendimento entre os dois sindicatos. Somente o Secom-GO representa 30 mil trabalhadores.
Como mostrou o DG no início do mês, o procurador do sindicato, José Newton Carvalho, disse que a categoria não aceita outra proposta que não envolva o fim do trabalho aos domingos. “Eles [patrões] terão de aceitar, ou pelo amor, ou pela dor”, afirmou na época.
Newton se referia a um trunfo que o sindicato afirma ter para forçar essa suspensão, que é uma decisão sobre jornadas em feriados que já está transitada em julgado (definitiva) pela qual, segundo ele, as empresas não podem abrir nos feriados. Ou seja, ou fecha aos domingos, ou essa jornada dos feriados será cobrada na Justiça do Trabalho.
Por isso o sindicato não é simpático à uma eventual proposta de trabalhar apenas meio período nos domingos, como já foi cogitado. E também porque o sindicato dos empregados alega estar havendo um grave déficit de mão de obra no setor. José Newton fala em déficit de 6 mil vagas em Goiânia e 10 mil no Estado.
Em muitos supermercados, além do estímulo tecnológico, a colocação de caixas de autoatendimento (self-checkout) – com a visível redução de caixas operados por funcionários – tem avançado rapidamente, refletindo uma resposta a essa escassez de mão de obra.
Fim da escala 6×1
Conforme publicou O Popular, o adiamento da decisão sobre o fim do trabalho aos domingos nos supermercados teria sido um pedido do Sincovaga e está relacionado à possibilidade de decisão no Congresso Nacional quanto ao fim da escala 6 por 1 no Brasil.
Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) – em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mas sem data para votação e que deve ser substituída por um projeto em regime de urgência a ser enviado pelo presidente Lula – propõe eliminar a escala 6×1 e estabelecer nacionalmente a escala 5×1, seguindo uma tendência de outros países. A base governista defende a proposta e boa parte da oposição também, inclusive pressionada pelo ano eleitoral.
Nesta terça, uma reunião envolveu o assunto no Secom-GO e validou esperar até o fim do mês. Ao DG, José Newton explicou no fim da manhã que o entendimento da categoria é que realmente uma possibilidade de redução da jornada pode influenciar nessa negociação.
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