12 de junho de 2024
Cidades

Ademir e Macedo tem direitos políticos suspensos por improbidade administrativa

A falta de previsão orçamentária na desapropriação de mais de mil imóveis para instalação de um pólo industrial levou à condenação do deputado e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Ademir Menezes e de José Macedo. Os dois teriam cometido ato de improbidade administrativa segundo a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, por unanimidade de votos.

A decisão permite recurso a instância superior. Este foi o julgamento em recurso contra decisão em instãncia anterior, sobre o assunto.

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2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por unanimidade de votos, manteve sentença de improbidade administrativa contra os ex-prefeitos de Aparecida de Goiânia, Ademir de Oliveira Menezes e José Macedo de Araújo. A ação diz respeito a desapropriação de mais de mil imóveis para a instalação do Pólo Industrial, ato realizado sem estudo dos recursos orçamentários disponíveis para indenizar os proprietários da região.

De acordo com o relator do processo, desembargador Amaral Wilson de Oliveira, os empregos gerados pelo Pólo Industrial e o aumento da arrecadação tributária, não afastam a ilegalidade decorrente das desapropriações efetivadas sem a previsão de recursos orçamentários do município. A conduta lesiona o erário, além de afrontar o princípio da legalidade. Os ex-prefeitos terão os direitos políticos suspensos por seis anos, além da proibição de contratar com o poder público, por outros cinco.

Para ambos ex-administradores, o fato de que nem todos os proprietários dos imóveis desapropriados receberam a respectiva indenização, não configura ato de improbidade administrativa sancionada pela lei 8.429/92. Além disso, Ademir Menezes também alegou prescrição do ato.

Segundo o relator, a preliminar deve ser afastada, pois de acordo com a emenda constitucional nº16/97, a reeleição de um candidato configura em continuidade da gestão. Com isso, o prazo passa a contar a partir do término do segundo mandato, que é quando há o rompimento do vínculo.

Amaral Wilson observou, ainda, que consta da Lei de Improbidade Administrativa a existência de três categorias de ato ímprobo. A primeira, diz respeito a enriquecimento ilícito; a segunda se refere aos prejuízos ao erário, e, por último, as que atentam contra os princípios da Administração Pública.

De acordo com o magistrado, ao editarem os decretos de desapropriação, com o conhecimento da insuficiência de recursos públicos municipais para suportar futuras indenizações, agiram de forma negligente, não podendo supor mera desatenção à legislação. Segundo o artigo 10, da Lei 8.429/92, existe lesão ao erário quando o administrador ordena ou permite a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento.


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Altair Tavares

Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: [email protected] .