A deputada federal Adriana Accorsi (PT) classificou a venda da mineradora Serra Verde, em Minaçu, no Norte de Goiás, como um “crime de lesa-pátria”. Em nota divulgada nesta sexta-feira (24), a parlamentar disse que o governo estadual “entrega por cifras irrisórias o controle das terras raras, que não podem ser tratadas como mercadoria comum”.
A Serra Verde foi adquirida na semana passada pela USA Rare Earth, por 2,8 bilhões de dólares. De acordo com a companhia, os antigos proprietários já eram americanos e houve apenas uma mudança de empresa no controle societário.
Embora o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) defenda que o acordo que firmou com os Estados Unidos em março, quando comandava o Palácio das Esmeraldas, prevê a transferência de tecnologia para Goiás, Accorsi avalia que a transação foi “baseada na exportação de matéria-prima com baixo valor agregado”, o que “limita o desenvolvimento de uma indústria nacional e a geração de empregos aqui (no estado)”.
Segundo a deputada, “o governo celebrou a entrega dessa riqueza para os EUA” e afirmou que “o acordo foi financiado com dinheiro público dos Estados Unidos para garantir o suprimento do governo daquele país”. Por fim, alegou que a venda da Serra Verde “prevê que 100% da produção da Serra Verde seja destinada aos Estados Unidos, sem garantia de fornecimento ao mercado interno.”
Governo fala em politização
O Diário de Goiás solicitou ao governo de Goiás uma entrevista sobre as alegações da parlamentar. A Secretaria de Comunicação, no entanto, enviou uma nota em que afirma que a nota da deputada “tem caráter estritamente político-eleitoral e carece de qualquer fundamento técnico ou fático.”
“Trata-se de uma tentativa evidente de instrumentalização ideológica-partidária do assunto, revelando desconhecimento sobre o setor e superficialidade no tratamento de uma pauta complexa e de alta relevância para o Brasil”, sustentou.
De acordo com o governo, a mina de terras raras da Serra Verde opera regularmente desde 2019, com todas as autorizações concedidas pela União. Em Goiás, explicou a nota, são extraídos elementos como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio. Esta operação comercial começou em janeiro de 2024, após licença da Agência Nacional de Mineração e do Ministério de Minas e Energia.
Sobre a questão societária, o governo argumenta a empresa já contava com participação de fundos internacionais (dois americanos e um britânico), e passa agora a ter também como acionista a USA Rare Earth, igualmente norte-americana. “A movimentação é tida como comum no mercado global de mineração e reforça a inserção do empreendimento em uma cadeia internacional estratégica.”
Conforme o Palácio, os acordos foram firmados para “instituir a industrialização localmente, agregando valor, inovação tecnológica e gerando empregos para o Brasil.”
Por fim, o governo criticou o que considerou uma “tentativa de politizar o tema”, que “atende a interesses eleitorais e desvia o foco do que importa: o desenvolvimento econômico e o fortalecimento de um setor estratégico para Goiás e para o Brasil.”
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