A transição de comando no diretório goiano do PSB está a pleno vapor. Anunciada como próxima presidente regional da legenda, a vereadora Aava Santiago conduz o processo ao lado de Elias Vaz, que até então estava à frente da sigla. Em entrevista exclusiva ao DG, a parlamentar afirmou que tem recebido “toda a cartografia do partido” não só de seu antecessor, mas demais lideranças.
Segundo Santiago, os primeiros passos na transição foram de “tatear” para entender a nova casa e, agora, ela e seu grupo passam à fase de planejamento, cujo foco são as chapas para deputados federais e deputados estaduais. “Juntos, a partir dessa primeira leitura de mapa estamos construindo o planejamento e calendário dos próximos passos”, disse.
A vereadora viajou a Recife na última segunda-feira (5) para fechar a filiação junto ao presidente nacional do PSB e prefeito da capital pernambucana João Campos. O ato oficial, no entanto, será marcado para a fevereiro, novamente com a presença de Campos. Também podem estar presentes outros expoentes nacionais, como a deputada federal Tabata Amaral e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em um mês, a próxima presidente pessebista espera entregar ao presidente um esboço das chapas proporcionais.
“Queremos já nesse ato apresentar para ele um processo de montagem de chapas tanto para deputado federal quanto para deputado estadual bem avançada. Não conclusa, mas já bem avançada”, pontua.
Aava Santiago e Elias Vaz fizeram reunião já nesta terça-feira (6) com outras lideranças do PSB, como o deputado estadual Karlos Cabral, vice-presidente estadual do partido; o vereador de Aparecida de Goiânia, Tales de Castro; o presidente do PSB em Goiânia, Leandro Dias; trabalhadores e militantes da legenda; além de Einstein Paniago, coordenador estadual da Fundação João Mangabeira.
Confira a entrevista na íntegra:
DG: Quais os primeiros passos dados nesta transição que a senhora passa a assumir a direção do PSB regional?
O primeiro momento tem sido muito interessante. Estou recebendo todas as instruções, a cartografia do partido nas suas veias mais profundas de quem construiu isso com muita bravura e maestria, no caso Elias Vaz, até então presidente estadual; do Leandro (Dias), presidente municipal; do Karlos Cabral. Com muita generosidade e habilidade eles têm me passado como o partido está. Juntos, a partir dessa primeira leitura de mapa estamos construindo o planejamento e calendário dos próximos passos. Primeiro foi o tatear e agora o planejar.
DG: Este processo culmina com a formalidade. Para quando está programada?
Para o início de fevereiro, com presença de João Campos, que vem a Goiás para isso. Queremos já nesse ato apresentar para ele um processo de montagem de chapas tanto para deputado federal quanto para deputado estadual bem avançada. Não conclusa, mas já bem avançada.
DG: O principal desafio da direção é montar chapa. Qual sua preparação para isso?
Tenho uma experiência muito bem sucedida na chapa de vereadores do PSDB. Eu coordenei esse processo. Na política, discrição é qualidade escassa. Muitas pessoas comentavam e chegava sempre aos eus ouvidos que havia uma expectativa muito negativa sobre a chapa do PSDB. Muita gente falou diretamente para mim. Em 2020 fui eleita a única vereadora do partido. O partido vinha com problemas. Partidos de médio porte ficaram esmagados, em 2024 e agora também, pelos chapões dos grandes partidos ou chapinhas negociadas em balcões. Para quem está no caminho do meio, não foi fácil. Podemos citar como exemplo o PSD, que não fez nenhum vereador em Goiânia mesmo tendo candidato a prefeito. Esse modelo estrangulou essa vida de partidos com histórico, legenda, mas que não estão no lugar do chapão e não sucumbiram ao balcão. Esse era meu desafio em 2024. Surpreendendo as expectativas negativas, não só montei uma boa chapa, que garantiu a minha reeleição e uma segunda cadeira. Com essa expertise, eu venho hoje para um lugar muito parecido. O PSB não vai fazer o chapão da morte, como dizem na política, e jamais sucumbirá ao balcão dos formadores de chapa que negociam cadeiras a troco miúdo. Vamos fazer uma chapa programática, montada por agendas de convergência e gabaritada pela experiência de 2024 e garantida pela musculatura do partido, que foi mantida à revelia de todo o processo de esvaziamento de centro-esquerda no Centro-Oeste. O PSB manteve estrutura e em Goiás tem militância, diretório, tem pessoas interessadas em construir o processo. Juntando a expertise que chega e a que estava, tenho muita confiança de que teremos duas chapas muito competitivas.
DG: O PSB, com essa sua experiência, pode ser a novidade na eleição?
A novidade que tem no brejo da cruz? Acho que sim. Mais do que voltar ao Congresso Nacional, pois tivemos uma baixa que não é só quantitaiva, mas qualitativa. Perdemos um quadro como o Elias, que foi importantíssimo no quadro de recrudescimento da extrema-direita. Mais do que voltar para o Congresso Nacional com essa responsabilidade de que a última vez que estivemos lá foi com o Elias, a gente quer ampliar isso e mais: vamos ampliar o número de cadeiras progressistas no coração do conservadorismo goiano. Isso é uma entrega que a gente faz não só internamente para o partido, mas para o Brasil que queremos e modelo de país que queremos ajudar a construir. Na Alego temos um quadro qualificadíssimo, que é o Karlos Cabral. Ele reúne características distintas fundamentais: compromisso programático, de agenda e convicções com forte presença local. Tem a percepção e o conceito de que o partido tem que estar na ideia e nas casas. Queremos reconduzir o Karlos e, no mínimo, dobrar nossa bancada na Assembleia.
DG: Como foi o processo de negociação no PSDB, com Marconi Perillo, para liberar seu passe?
Minha relação com o governador Marconi Perillo é de profundo respeito, lealdade e dignidade. Tenho dito sempre, e ainda que não dissesse é facilmente constatado, que Marconi é um dos grandes responsáveis por eu ser quem sou hoje, tanto em alcance quanto fibra moral. Todas as vezes que divergimos, as divergências foram postas. Ele colocou os pontos dele, eu os meus. Tentamos nos convencer e nem sempre. Quando não havia convencimento, prevalecia o respeito. Estou há 20 anos filiada no PSDB. Uma história de resultados concretos. Cheguei uma menina, sem sobrenome, sem parente na política, consegui espaço para construir ideais, agendas programáticas. O simples fato de que houvesse ideias em comum me validou para ser uma agente política nesse partido, especialmente numa tendência das oligarquias do estado de Goiás de que pessoas que vêm supostamente de lugar nenhum, que não têm sobrenome ou padrinhos geralmente são atropeladas no processo político. Eu não fui. Fui muito contemplada. Completei um ciclo. Eu tinha um ciclo com o partido. E um compromisso. No momento de mais profunda baixa, eu estava lá para que o partido tivesse tribuna para conduzir suas ideias e garantir que, na eleição que eu conduzi, o partido aumentasse sua bancada, tivesse espaço para discutir suas teses. Cumpri essa missão. Tenho muita clareza de que minha saída é boa para o partido. Agora disputo uma cadeira em Brasília. E o meu alinhamento não tem que ser só em nível local. Se eu fosse disputar eleições que tivesse que atuar só no âmbito de Goiás, talvez não saísse do PSDB. Como deputada federal minhas discussões são a nível nacional, preciso estar alinhada ao que acredito nacionalmente. Mantenho todo o alinhamento com a direção estadual, especialmente com Marconi Perillo, mas agora disputo uma cadeira na Câmara Federal. Em nível nacional, o PSB é o partido que mais se parece com aquilo que pretendo construir.
DG: O PSB está alinhado com a candidatura de Daniel Vilela, conforme disse Elias Vaz. Com sua direção, qual será o caminho do PSB em se tratando de candidatura a governador?
Todas as minhas conversas foram referentes ao meu compromisso com o governador Marconi. Conversei com João, Marconi e com Elias no sentido de onde quer que eu estivesse manteria meu compromisso com essa candidatura. Mas a prioridade do partido é fazer bancada de deputado federal e garantir um palanque forte e abrangente para o presidente Lula em Goiás. Vim com essa missão. O João me deu essa missão. O Elias validou isso e é sobre isso que falamos. Nunca conversei nem com Elias, Karlos ou o próprio João sobre o caminho que vamos tomar em relação ao governo do estado. O que temos de mais urgente é fazer nossas bancadas fortes e é dentro dessa convergência que estamos trabalhando.
DG: Entendi que a senhora disse que zerou o processo…
O que eu disse com muita clareza é que temos agora uma missão em comum. É sobre essa missão que estamos conjuntamente e muito alinhados debruçados sobre os nomes que vamos apresentar nas nossas chapas para deputado estadual e federal. Depois disso é que vamos pensar em disputa para o governo do estado. Está muito claro e pacificado entre nós.
DG: O que quis dizer é que a posição de Elias não é agora a posição do partido neste momento
A posição da direção do partido vai ser construída com o partido em momento oportuno, que não é agora.
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