26 de maio de 2024
Destaque 2 • atualizado em 27/11/2020 às 15:39

À PF, Moro diz que Carlos Bolsonaro é ligado ao “Gabinete do Ódio” e que ministros sabiam, diz jornal

Sergio Moro e Carlos Bolsonaro. Imagem: montagem.
Sergio Moro e Carlos Bolsonaro. Imagem: montagem.

O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse à Polícia Federal (PF) que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é ligado ao “gabinete do ódio”, grupo de assessores no Palácio do Planalto que usa as redes sociais para atacar adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Moro também afirmou que ministros do governo sabem disso e sugeriu uma investigação, diz jornal O Globo que teve acesso a depoimento do ex-magistrado.

Ainda de acordo com o jornal, o depoimento aconteceu no último dia 12 de novembro, na ação que investiga atos antidemocráticos. Moro afirmou que, depois que saiu do governo, passou a ser alvo de ataques do “gabinete do ódio”.

Quando perguntado especificamente sobre alguns nomes, Moro disse que o envolvimento de Carlos Bolsonaro é comentado por ministros do Palácio do Planalto. “Indagado se tem conhecimento do envolvimento de Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Tercio Arnaud, José Matheus, Mateus Matos em quaisquer dos fatos ora mencionados, respondeu que os nomes de Carlos Bolsonaro e Tercio Arnaud eram normalmente relacionadas ao denominado ‘Gabinete do Ódio’; indagado sobre como tomou conhecimento da relação de tais pessoas com o denominado ‘Gabinete do Ódio’, respondeu que tomou conhecimento por comentários entre ministros do governo; indagado sobre quais ministros citavam a participação de Carlos e Tercio Arnaud no ‘Gabinete do Ódio’ respondeu que eram ministros palacianos”, diz o depoimento, conforme relatado pelo jornal.

Moro foi questionado sobre quais ministros teriam falado sobre isso com ele, mas disse que seria necessário apurar. O ex-juiz disse ainda que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), é outro alvo do “gabinete do ódio”. Segundo ele, existe uma “animosidade” entre Bolsonaro e Maia. Moro recomendou que a PF investigue a atuação do gabinete do ódio, perguntando inicialmente para o Secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para o Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno, e para o Secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, pois estes ministros, segundo Moro, podem dar mais esclarecimentos..

O filho do presidente Bolsonaro e vereador no rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, já negou, inclusive em depoimento à Polícia Federal, qualquer envolvimento com o “gabinete do ódio”. Hoje, pelas redes sociais, ele criticou Sergio Moro por causa das declarações no depoimento.

“Não há qualificação para mais essa tentativa boçal. Saudades de viver em um mundo onde homens eram homens!”, disse.


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