Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), revela que 75,2% dos evangélicos no Brasil rejeitam a realização de campanha eleitoral dentro das igrejas. O relatório é recente, fruto de um recorte de uma pesquisa com dados de fevereiro de 2025 e amostra de 1.504 respondentes em todo o território nacional, conforme cópia à qual o Diário de Goiás teve acesso.
“Quase 40% dos evangélicos frequentam igrejas nas quais houve apoio a candidatos nas eleições municipais de 2024”, aponta o levantamento.
A pesquisa mostra que os fiéis rejeitam, mas os líderes evangélicos insistem na prática de ceder microfones e púlpitos a políticos em campanha, e que a prática existe em grande parte das congregações. O relatório aponta que 34,1% dos entrevistados afirmaram que lideranças de suas igrejas apoiaram candidatos nas eleições municipais de 2024. Entre católicos, esse índice foi de 16,9%.
Outra informação apurada que chama a atenção, é que, apesar da rejeição, 38% a 39% dos evangélicos entrevistados estão em igrejas com viés político, ou seja, onde pastores e líderes fazem campanha eleitoral.
Segundo os pesquisadores, em todos os modelos testados, cerca de três quartos dos evangélicos se posicionam contra a realização de campanha eleitoral durante cultos. “Esse resultado sugere que a politização das igrejas opera sob uma tensão interna: ela pode mobilizar redes e produzir efeitos eleitorais, mas o faz em desacordo com as preferências declaradas da maioria dos frequentadores”, apontam no documento final.
A pesquisa entrevistou pessoas que se identificaram evangélicas das denominação:
- Assembleia de Deus
- Batista / Metodista / Presbiteriana
- Universal do Reino de Deus
- Deus é Amor
- Evangelho Quadrangular
- Internacional da Graça
- Renascer em Cristo
- Sara Nossa Terra
- Outras evangélicas específicas
- Evangélica – não sabe especificar
Além destas, em um segundo modelo de pesquisa ouviu:
- Adventistas
- Testemunhas de Jeová
Peso no voto
O levantamento indica ainda que a presença de posicionamento político nos púlpitos pode influenciar o voto, funcionando como pressão.
Os dados coletados apontam que entre evangélicos que frequentam igrejas com mobilização eleitoral, houve uma diferença de 7 pontos percentuais na votação em Jair Bolsonaro no segundo turno em 2022, em comparação com os que frequentam igrejas sem esse tipo de atuação. Nesses espaços, o candidato recebeu 62,4% dos votos, contra 55,4% nas demais igrejas.
Principais conclusões da pesquisa:
- O “voto evangélico” não é homogêneo
- Cerca de 74% a 77% dos evangélicos rejeitam campanha política (explícita) em cultos
- Lideranças influenciam
- Mas a maioria dos fiéis não concorda com essa prática
- Nem todos seguem orientação política
- Há resistência/tensão interna
- Mas 38% a 39% dos evangélicos estão em igrejas com viés politizado
- 1 em cada 3 evangélicos frequenta igrejas com atuação política dos seus pastores e maioria votou em Bolsonaro no segundo turno.
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