Em mais um desdobramento da disputa que se instalou entre a Câmara e o Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer chamou nesta quarta-feira (18) o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para uma reunião em seu gabinete. O encontro, marcado para o meio da tarde, não constava da agenda oficial de nenhum dos dois.

A reunião acontece às vésperas de a segunda denúncia contra Temer -desta vez por obstrução de Justiça e formação de organização criminosa- ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e horas depois de o presidente almoçar com Paulo Rabello de Castro, que comanda o BNDES.

Há setores do governo que estão insatisfeitos com o executivo do banco e começaram a aventar a possibilidade de troca em aceno a Maia, que queria indicar um aliado ao posto. O presidente da Câmara, por sua vez, diz que apoia Rabello e que não vai arcar com o desgaste de sua demissão.

A aliados, Maia diz que o núcleo político do governo quer a troca de Rabello porque, assim como ele e o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), nunca engoliram bem a nomeação do presidente do BNDES, uma escolha pessoal de Temer.

A ordem no Planalto é arrefecer o mal-estar que existe entre os Poderes, visto que a liderança de Maia é considerada fundamental para que Temer se livre da segunda denúncia contra ele e consiga tocar na Câmara medidas tidas pelo governo como vitais para o ajuste fiscal.

Há alguns dias, auxiliares de Temer têm tentado diminuir a tensão que se instaurou entre Maia e o Planalto desde que o governo manobrou para não votar a medida provisória que, entre outras questões, autorizava o Banco Central a firmar leniência de instituições financeiras. O presidente da Câmara se irritou com o episódio e chegou a dizer que não aceitaria mais nenhuma MP do governo.

TRAMITAÇÃO

Os líderes da base queriam abrir caminho para a tramitação mais rápida da segunda denúncia contra Temer na CCJ e, para isso, orientaram os deputados a não comparecerem em plenário para a votação da MP.

O ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) foi o emissário de Temer para tentar acalmar o cenário. Em reunião com Maia, decidiram que a Câmara vai apresentar um projeto de lei sobre o tema.

Dias depois, novo embate. Maia chamou o advogado de Temer de "irresponsável" e "incompetente" ao rebater o posicionamento da defesa do presidente sobre a divulgação dos vídeos do operador Lúcio Funaro, que implicavam diretamente o peemedebista, no site oficial da Câmara.

Imbassahy foi novamente à casa de Maia tentar que a situação se acalmasse de vez com o Planalto. O presidente da Câmara, porém, disse que queria um pedido de desculpas do advogado de Temer e não ficou satisfeito com a retratação, segundo aliados.

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