João Doria e Aécio Neves
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Em visita a Belo Horizonte (MG), na noite desta segunda-feira (25), o prefeito João Doria afagou os senadores Antonio Anastasia e Aécio Neves (PSDB-MG). Doria busca apoio da ala mineira do PSDB no intento de fortalecer sua candidatura no ninho tucano.

Perguntado se deseja o apoio de Aécio, que perdeu força na legenda após ser atingido pelas delações de Joesley Batista, da JBS, Doria não respondeu diretamente: "É uma figura que tenho o maior respeito". O prefeito disse ainda que Neves saberá conduzir o processo da escolha da nova presidência do partido em dezembro.

Sobre Anastasia, que foi recebê-lo no Aeroporto da Pampulha e depois seguiu com o prefeito de helicóptero até o bairro Cidade Jardim, na capital mineira, afirmou ser "um dos melhores valores da política brasileira". "Não só do PSDB, mas de toda a política brasileira."

Doria foi a capital mineira receber o prêmio Liberdade, entregue durante o Fórum Liberdade e Democracia, promovido pelo Instituto de Formadores Líderes.

Em anos anteriores os agraciados também foram tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Anastasia. Há um mês, Doria teve o título de cidadão honorário negado pelos deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Ao ser questionado sobre uma mudança de partido, o prefeito se esquivou e disse que a definição será feita entre janeiro e março do ano que vem. Doria fez elogios ao DEM. "É um partido de grande valor. Parte da nossa base em SP, na cidade e no Estado", afirmou. Porém, destacou que não é momento para tratar de eleições e que falará sobre isso no início do próximo ano.

Após receber o prêmio, Doria fez um discurso de quase 50 minutos. Ficou exaltado quando chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "mentiroso" e "covarde", por ter falado durante a campanha eleitoral, no ano passado, que nunca teve a carteira de trabalho assinada.

O tucano acusou o PT de trabalhar apenas para comprar sítio, pedalinho e triplex, em referência às denúncias envolvendo Lula. Afirmou ainda, gritando, que deseja que o petista dispute a eleição, pois acredita que ele deve ser julgado pelo povo.

"Lula não vai desaparecer por decisão da Justiça de impedir que ele seja candidato. Só se ele for preso", afirmou o prefeito.

Com as mangas da camisa branca de linho arregaçadas, Doria fez o discurso caminhando entre a plateia, formada por empresários, políticos do PSDB, DEM e do partido Novo, além de militantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

O prefeito destacou o papel do governador Geraldo Alckmin ao ser avalista das prévias do PSDB para a candidatura da prefeitura paulista e destacou, se dirigindo a Anastasia, que "fogo amigo arde para chuchu".

Doria disse que não há mal estar entre ele e o governador. Há uma semana, Alckmin veio a Belo Horizonte e fez questão de destacar que preferia viajar fora do horário de expediente e usar voos de carreira. "São jeitos diferentes. Ele tem um jeito. Eu tenho outro", afirmou Doria.

O helicóptero que transportou ele e Anastasia entre o aeroporto da Pampulha e o local da homenagem foi pago pelos organizadores do evento, disse Doria, ao ser questionado pela reportagem.

O prefeito falou ainda, em tom de campanha, sobre ações que fez na prefeitura paulistana. Ao mencionar a retirada dos usuários de crack próximos à estação da Luz, se referiu a cracolândia como "um câncer dentro da cidade".

A miríade de temas foi extensa. Doria defendeu a privatização da Petrobras, criticou a Venezuela e o apoio dos governos do PT ao governo de Nicolas Maduro e encerrou a fala gritando: "Chega de populismo! Chega de Lulismo! Chega de mentira! Chega de assalto ao Brasil!". Quando terminou o discurso tocou o "tema da vitória", usada nas vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1.

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