rubens otoni no dg entrevista

Reforçando a declaração da deputada estadual Adriana Accorsi e da presidente do PT Goiás, Kátia Maria, o deputado federal Rubens Otoni afirmou, em entrevista ao Diário de Goiás, que há grande distanciamento entre o PT e o PMDB e que acha muito difícil ter uma aliança para as eleições de 2018.

“Acho que hoje é muito difícil. As conversas são legítimas, é um direito das nossas lideranças conversarem. Agora, daí a ter a aliança existem distâncias que precisam ser bem avaliadas. No caso do PMDB está muito distante. Porque, na realidade, vamos disputar a eleição com o PMDB. O PMDB é governo federal. O PMDB é vota no Temer, que vota na reforma trabalhista, que vota pela reforma da Previdência, que vota pela terceirização, que vota para tirar recursos. Esse é nosso adversário. Agora, o PMDB que votar contra o Temer, que quiser”, disse.

Segundo o deputado federal, o candidato à Presidência pelo PT será Lula e que não há plano B, caso o ex-presidente seja impedido de disputar as eleições. Para dar força ao petista a nível nacional, a sigla trabalhará para montar um palanque em Goiás, ou com alianças e um candidato de outro partido ou com um candidato próprio do PT.

“Se esse palanque do Lula será com um candidato a governador do PT ou de um partido aliado é outra história, por isso que precisamos saber se teremos aliados? Se não tiver, não é problema. Na eleição passada o PT teve candidatura a governador”, disse.

Leia a entrevista na íntegra:

Qual candidato a governador de Goiás pelo PT?

A discussão de Goiás eu tenho colocada de maneira bem clara em todos os debates. Nossa prioridade é virar essa triste página da política nacional. Então, não tenho dúvidas de o que vai influenciar nos rumos, inclusive do Estado de Goiás, são os caminhos do país. Nossa prioridade número 1 é a eleição nacional, mas em Goiás não vamos ficar de braços cruzados e virar as costas. Aqui em Goiás nós estaremos atentos, mas terá o momento certo para isso. Digamos que temos dois desafios a cumprir. Primeiro: o debate da reforma política, que está acontecendo em Brasília. Esse debate tem que se esgotar até 7 de outubro. Então, qualquer tática eleitoral para o Estado é, no mínimo, um exercício de futurição. Porque não temos nem as regras do jogo. A partir de 7 de outubro teremos. Porque se pudermos fazer coligação proporcional como sempre pode é uma coisa. Se não pudermos ter coligação proporcional, o jogo é outro. Se o sistema eleitoral for distritão, o jogo é um. Se o sistema for distrital misto, o jogo é outro.

Qual sistema deverá prevalecer?

Ainda está imprevisível. Esta deverá ser uma semana decisiva porque como é um jogo muito pesado, e não existe definição sobre ele, qualquer decisão é possível, é que não dá para o partido ainda tomar decisão. Já estamos na bica até 7 de outubro. Primeira coisa: a partir de 7 de outubro saberemos as regras do jogo, aí começamos a pensa. Segunda coisa: com toda certeza nós teremos um palanque do Lula em Goiás. Se esse palanque do Lula será com um candidato a governador do PT ou de um partido aliado é outra história, por isso que precisamos saber se teremos aliados? Se não tiver, não é problema. Na eleição passada o PT teve candidatura a governador.

Antônio Gomide tem conversado com Daniel Vilela. Isso pode prosperar?

Essas conversas são legítimas. Não apenas ele. Tem outras lideranças que também conversam. Daniel é meu colega na Câmara. Não temos problema nenhum. Mas eu falo de lideranças que conversam até com outras lideranças, Adriana Accorsi, nossa líder na Assembleia Legislativa, nossos deputados estaduais, nossa presidenta do partido.

Pode haver aliança entre PT e PMDB em Goiás?

Acho que hoje é muito difícil. As conversas são legítimas, é um direito das nossas lideranças conversarem. Agora, daí a ter a aliança existem distâncias que precisam ser bem avaliadas. No caso do PMDB está muito distante. Porque, na realidade, vamos disputar a eleição com o PMDB. O PMDB é governo federal. O PMDB é vota no Temer, que vota na reforma trabalhista, que vota pela reforma da Previdência, que vota pela terceirização, que vota para tirar recursos. Esse é nosso adversário. Agora, o PMDB que votar contra o Temer, que quiser enfrentar o Temer, podemos conversar, mas é exceção.

Daniel votou a favor de Temer todas as vezes. Como aliar isso?

Pois é. Você já respondeu. É uma aliança difícil por causa disso, exatamente por isso. A lógica é essa. Nós vamos dialogar. Conversar não tem problema. Podemos conversar com todas as lideranças. Temos abertura para conversar com todas as lideranças. Agora, aliança mesmo vamos fazer com quem tiver essa identificação. Como a eleição será polarizada no cenário nacional, estaremos com aqueles que apoiarem o nosso projeto nacional que estará materializado na candidatura de Lula.

O eleitor está mais duro, mais direto. Como reagir?

Acho que tudo tem seu lado. Por um lado as pessoas enxergam que está muito difícil para a política porque agora o pessoal está questionando muito e está difícil de fazer política. Eu vejo por outro lado, vejo que o eleitor, ao ser mais exigente com a atividade política, com aqueles que o representam, faz bem para a política. Cabe a nós, que nos dispusemos a ser agentes públicos e poder buscar a representação, a responsabilidade de mostrar nos atos, na ação, não apenas no discurso, que a gente se diferencia e podemos ganhar o direito dessa representação.

O PT está se mexendo de que forma em Goiás?

Em Goiás nós estamos vivendo um excelente momento dentro desse cenário de retomada do nosso trabalho. Tivemos a renovação este ano das nossas direções municipais, da direção estadual, elegemos em Goiás a professora Kátia Maria dos Santos como nossa presidenta e ela expressa um momento de grande renovação e dinamismo dentro do partido. É uma liderança política que cresceu muito e cresceu no trabalho de base, andando todo o Estado de Goiás, e já assumiu o Diretório Regional com o desafio para todos nós. Colocou que até o final deste ano quer o partido organizado em todos os municípios do estado de Goiás. Então, onde não fizemos renovação, faremos até o mês de dezembro, e esse trabalho está sendo realizado agora. Estamos andando, os deputados estaduais, as lideranças da executiva, do diretório. Nosso objetivo é entrar em 2018 com o PT nos 246 municípios de Goiás. Além disso, um trabalho de discussão de políticas setoriais. Nós teremos no dia 23 de setembro um grande encontro das lideranças setoriais do partido, educação, saúde, meio ambiente, segurança pública, secretaria de mulheres, combate ao racismo, pessoas com deficiência. São 13 setoriais diferentes que vão se reunir, na expectativa de mais de 400 lideranças de todo o estado para discutirmos políticas públicas setorizadas. O partido está se preparando, vamos lançar no dia 29 de setembro, tudo isso coordenado pela Kátia Maria, o projeto de elaboração do nosso plano, nossa proposta para o estado de Goiás. Goiás e o Brasil que a gente quer. Vamos fazer equipes, grupos de trabalho em Goiás para discutir situações políticas, políticas públicas para Goiás.

A população não tem boas lembranças sobre a administração do PT em Goiânia

Essa é a memória imediata. Tenho absoluta certeza de que a memória histórica vai mostrar o legado também que o PT deixou na cidade de Goiânia, pelas oportunidades que tivemos de passar pela Prefeitura, seja com o prefeito Paulo Garcia, Pedro Wilson ou Darci Accorsi. Foram administrações que deixaram legado e a história será retomada, como no caso de Anápolis, um legado que a história vai reconhecer e demonstrar o que Anápolis recebeu da administração do PT. Não tenho dúvidas, tanto aqui quanto lá, temos muita coisa a mostrar.

Entre Caiado, Daniel Vilela e José Eliton, quem está mais forte para candidatura a governador?

Com certeza nós vamos apoiar outro candidato, em outro palanque. Se for o caso de o PT lançar candidato, o PT terá candidato.

É melhor ser oposição ou situação?

Eu sempre trabalho para ser situação e acho melhor ser situação, porque o objetivo de fazer política é buscar fazer com que as ideias que você defende, que você acredita sejam implementadas no sentido sempre de buscar justiça social, uma vida melhor para as pessoas. Esse sempre foi o parâmetro que me incentivou a fazer política. É claro que estar na situação dá sempre a condição de você tentar buscar, implementar, fazer aquilo que você idealiza, que você defende. Por isso, eu trabalho sempre para estar na situação.

Como está a imagem do PT como instituição?

Eu vejo que às vezes o pessoal teima em ficar analisando apenas o PT. Nós temos que analisar nosso país e a política do nosso país. Quem dera se os problemas e as soluções para nosso país estivessem ao redor apenas do PT ou de outro partido qualquer. Não é o caso. O PT, como qualquer partido, vive momentos de alta e momentos de baixa. Nós já estivemos no poder central do país por três mandatos e hoje estamos na oposição. O que poderia fazer levar a uma avaliação é: então, agora está em baixa. A questão é que o cenário muda muito rápido. A minha avaliação é que hoje estamos vivendo em nosso país uma situação onde temos um governo que acabou. O que está em disputa hoje é como sair desse governo. E essa pergunta, ou resposta, está sendo trabalhada na situação e na oposição. Dentro do governo tem gente discutindo e se perguntando, buscando um caminho: como sair desse governo? Então, tem gente no governo que trabalha com uma solução antes da próxima eleição presidencial, já tirar o presidente agora. Não é a oposição, é o pessoal do governo. Tirar esse presidente e colocar um, digamos, mais palatável, que dê menos desgaste, que prejudique menos a base do governo na próxima eleição. Então, esse é um caminho. Outros querem ficar com esse mesmo governo e não têm problema, vão até o final. Na situação, nós queremos sair desse governo porque foi um triste momento da nossa história. Precisamos fazer uma página virada disso. E eu vejo que essa página virada também só será com a participação efetiva do povo, eleição direta. Então, será o povo nas urnas que vai determinar, independente de qual será o resultado da eleição.

O PT foi o alvo em todo esse período. Ainda há chances para 2018?

Claro. O alvo que o PT foi é natural porque ele era o governo. Ao ser governo, houve toda uma manifestação e articulação política para tirá-lo do poder. Essa elite político-econômica se mostrou mais uma vez muito incompetente. De maneira inconsequente, irresponsável, jogou o Brasil nessa situação que está para atender aos seus interesses de poder que não conseguiu atingir através das urnas. Uma elite político-econômica que perdeu as eleições em 2002, em 2006, em 2010, quando pensou que ganharia a eleição de 2014 perdeu novamente, em 2014 ela perdeu a paciência de disputar a eleição e falou: ‘não dá para esperar 2018, estamos perdendo a eleição agora para Dilma, vamos esperar quatro anos para disputar com Lula? É melhor chutar o pau da barraca’, como o pessoal fala na rua. Então, vocês ganham, mas não levam. Aí uma aliança entre Aécio e Eduardo Cunha fez com que toda essa articulação política houvesse no Congresso Nacional para garantir o número de deputados e senadores suficientes para tirar a Dilma e colocar o Temer no poder, e jogou o Brasil nessa enrascada. O PT, então, foi vítima também desse processo. É claro que ele tem seus erros, suas falhas, mas foi um jogo político e isso, hoje, a população percebe.

Uma das críticas ao PT é a falta de admitir esses erros. Há um mea-culpa real?

Essa não é a preocupação. Quem dera se o problema do Brasil fosse o PT. Se fosse, estava fácil resolver. Um problema muito maior que o PT é isso que estamos vivendo. É essa elite político-econômica que mandou no Brasil desde que o Brasil é Brasil. Só no período entre 2003 até 2014 que eles não tiveram condição de influenciar muito. Mesmo assim, influenciaram e ganharam muito dinheiro, inclusive. Mas perderam a paciência em jogar o jogo da democracia. Qual foi o mote? Combate à corrupção. E quiseram colocar como se o PT fosse o problema do país. Hoje é fácil de ver, não precisa argumentar que o PT é apenas um cisco no meio de todo esse mar de corrupção que tem no país. E o modus operandi não é do Partido dos Trabalhadores, ele vem de antes do PT. E o mal do PT é não ter conseguido arrebentar com essa estrutura e, às vezes, conviver com ela enquanto estava no poder. Então, tudo isso está em jogo e hoje está mais fácil. Por isso que esse governo que deu o golpe, e se o problema estivesse no PT, deveria estar com excelente avaliação, mas é o governo mais rejeitado por mais de 90%. Por isso que eu digo que esse governo não existe mais, é um governo que acabou. O que está em jogo agora é como sair dele, e essa disputa está tanto na situação quanto na oposição.

Pelo volume de votos que tem, o governo vai até o fim?

Se prestígio for o voto no parlamento, o governo pode ter, porque os votos que teve para a aliança Aécio e Eduardo Cunha que possibilitou tirar a Dilma e colocar o Temer no poder, teve 365 votos no ano passado. Essa mesma aliança este ano para manter Temer no poder, naquela primeira investigação, eles tiveram 263 votos. Então, 100 votos a menos. Agora, tem uma nova investigação. Essa nova investigação, talvez, eles já não tenham mais os 263 votos. Minha avaliação é de que há muita chance de a investigação ser aprovada nessa próxima apresentação na Câmara.

A segunda denúncia muda o clima?

Muda o clima porque o desgaste do governo é cada vez maior. Esse poder que o governo tem de votos no Congresso vai diminuindo. A tendência é diminuir o número de votos. Detalhe: existe, inclusive, movimentação dentro do próprio governo no sentido de modificação, porque existe uma eleição onde deputados e senadores estarão com seus mandatos em jogo e alguns deles têm a esperança de que possa modificar um cenário, onde tenha outro presidente, que seja deles mesmo, mas que teria menos desgaste. Não é isso que nós queremos. A oposição está disputando para que essa situação seja resolvida no voto popular, por isso defendemos as Diretas Já. Quando defendemos as Diretas Já é porque, em uma crise como essa, não será a articulação política na Câmara e no Senado que vai resolver a situação. Até porque se nós estamos nessa enrascada é pela irresponsabilidade da Câmara e do Senado, que aceitou o jogo do Aécio e Eduardo Cunha.

Precisa de legitimidade?

Claro, legitimidade popular. Foi a articulação política de Aécio e Eduardo Cunha que levou a essa situação do impeachment, jogou na população a questão de que era para combater a corrupção, hoje todo mundo vê que não é. Os que apontaram o dedo para o PT são os que estão mais enlameados. Eduardo Cunha está na cadeia, Aécio está a caminho. Esses foram os que articularam os 365 votos para derrubar a Dilma.

Raquel Dodge não pode colocar “panos quentes” nessa denúncia?

Se for por esse caminho, aí que o governo e esse grupo estará mais desmoralizado ainda. Porque será a comprovação daquilo que dizíamos na época do golpe. Eles diziam que era preciso fazer o impeachment para combater a corrupção e nós falamos que eles estavam fazendo exatamente o contrário, queriam tirar a Dilma para que a investigação não chegasse neles. E a investigação chegou. Tanto é verdade que Eduardo Cunha já está preso, Geddel Vieira Lima está preso, Henrique Eduardo Alves está preso e muitos que não estão presos estão a caminho. Essa é a situação. Se houver movimentação nesse rumo, aí que a desmoralização do governo será maior ainda. E a pressão da sociedade no Congresso Nacional acaba sendo cada vez maior, porque os deputados e senadores hoje, mesmo aqueles que são da base do governo, estão mais vulneráveis porque vai se aproximando o período próximo à eleição e eles também estão colocando seu mandato em jogo.

Chegando ao plenário o clima será outro?

Não tenho dúvidas que hoje o governo terá muita dificuldade. A tinta que eles tinham para 365 deputados no passado este ano caiu para 263. Agora pode ser que não tenha nem esses.

A razoável melhora da economia não podem dar um suporte para o governo?

Os dados positivos da economia só aparecem nos gráficos do governo e nas notícias do Jornal Nacional. A questão que conta é no bolso do povo, na rua, no bairro, na periferia, isso que conta. Hoje, o que percebemos é essa insatisfação da população brasileira justamente por causa disso. Porque hoje Lula se apresenta como a grande esperança do povo brasileiro, com todos os enfrentamentos e toda essa caçada feita do ponto de vista jurídico e política a ele e todo seu legado? Porque o povo sabe a realidade que foi a vida à época do Lula e agora. Então, a gente encontra as pessoas e às vezes chega a uma rodinha e o povo está debatendo se Lula é culpado ou não, se ele será condenado ou não, o cara diz ‘não quero nem saber, se Lula for candidato eu voto nele porque à época dele minha vida era melhor’. É assim que o povo resolve as coisas. Então não é com gráfico mostrado no Jornal Nacional que o governo vai melhorar a sua avaliação e resolver seu problema com a sociedade. Ele tem mais de 90% de rejeição porque ele enganou a sociedade, deu um golpe, tirou a presidenta legitimamente eleita pelo voto popular, honesta, não conseguiram provar nada contra ela, colocaram um presidente que agora vários crimes foram colocados contra ele, com comprovações, provas, e a vida do povo piorando.

É difícil defender a Dilma?

De maneira nenhuma. Nosso governo, o legado que nós temos, e falamos do nosso legado no governo Lula e Dilma, com toda a certeza no governo Dilma nós tivemos falhas e no governo Lula tivemos falha. Quando defendemos o governo Lula e Dilma não é porque defendemos um governo perfeito. É porque com todas as falhas, erros e limitações, fomos infinitamente melhores e compromissados com a melhoria de vida do povo brasileiro, e o povo brasileiro reconhece isso. Então, a população, apesar de toda essa parafernália, tentativa de diminuir nosso legado, tentar jogar a responsabilidade das dificuldades em cima do PT ou do nosso governo, a população dá seu voto de confiança. É muito fácil para mim, como deputado federal, falar bem da Dilma e do Lula. Agora, o Instituto Datafolha, que é da Folha de S. Paulo, adversário contumaz do Partido dos Trabalhadores, fazer uma pesquisa onde em oito cenários, mudando todos os candidatos possíveis, colocando candidato que é candidato, que tem partido, que não é candidato, colocando Sérgio Moro, Joaquim Barbosa, Luciano Huck, enfim, todas as formas de cenário, o Lula ganha nos oito cenários, e detalhe: com o dobro de votos do segundo colocado. Então, para o PT é fácil defender o Lula, mas o Datafolha aceitar e ter que divulgar uma pesquisa dessa é porque na sociedade também existe esse sentimento de esperança, de que possamos retornar aquele momento onde o povo mais simples, humilde e trabalhador tinha um acesso mínimo aquilo que a elite sempre teve. Direito à educação, de o trabalhador poder colocar seu filho na escola, o pedreiro poder ver sua filha ser doutora, ter saúde, ter educação.

Esse será o discurso da campanha?

Não, esse foi o discurso do nosso governo e é isso que nos anima a poder trabalhar e retomar ao governo, para fazer aquilo que já fizemos. Em 2002 era isso, tínhamos um discurso, tínhamos que falar dele: “se a gente chegar lá, vamos fazer diferente”. As pessoas pensavam “faz nada, chegar lá será a mesma coisa”. Agora, nós temos condição de falar: “nós queremos voltar ao governo para fazer o que já fizemos”, e o povo falar “se fizer o que já fizeram, já está bom demais”.

Caso Lula seja condenado e não possa se candidatar, qual será o plano B?

O plano A, B, C, D é o Lula. A oposição fica doida para que a gente tenha um plano B, porque na verdade a oposição quer ganhar a eleição de W.O, aquele time que vai para a final, mas não quer disputar com o adversário, torcendo para ter um impedimento e o adversário não entrar em campo. Não, nós temos nosso candidato. O que pode acontecer nessa eleição, e deve acontecer? Vai haver uma pendenga jurídica, uma disputa jurídica. Então, será uma candidatura que será questionada? Sim. Terá uma liminar para não deixar ser candidato? Sim, mas Lula será nosso candidato. Estamos trabalhando para isso. Ele representa esse legado que nós trabalhamos e vamos apresenta-lo para a sociedade. Para a situação resta duas coisas: trabalhar para que Lula não possa ser candidato, fazer uma eleição sem o Lula, ou trabalhar todo esse aparato de ele vai ou não vai como forma de tentar desgastá-lo, que no meu entendimento também não vai funcionar, porque toda essa tentativa de fazer esse questionamento jurídico, ao invés de desgastar Lula, está ajudando a esclarecer para a sociedade que existe uma perseguição, criando um espaço de vitimização, que faz com que ele cresça cada vez mais nas pesquisas.

Qual sua opinião sobre pessoas que apoiam Bolsonaro?

Essa é uma questão que nos diferencia muito. Nós, apesar de todas as divergências, respeitamos a democracia e queremos que o voto popular defina. É isso, você tem seu candidato? Queremos que Lula possa ser o candidato. E vamos resolver isso na urna, vamos ver o que a maioria da população pensa. É isso democracia.

Bolsonaro é um adversário difícil?

Isso prova que estamos vivendo um momento no Brasil, um triste momento político devido à irresponsabilidade e incompetência da elite política-econômica desse país. Uma elite que, ao tentar destruir o adversário, que era o PT, não foi capaz de se estabelecer para disputar as eleições. Essa elite coordenada pelo PSDB, pelo PMDB tinha três candidatos em potencial no último período: Aécio, que foi o candidato que disputou a eleição, Alckmin, Serra, e agora esses nomes não se apresentam. E ter que criar uma situação de golpe no país para depois estar discutindo ou Bolsonaro ou Dória, é uma demonstração de muita incompetência para essa elite.

Os novos depoimentos de Antônio Palocci preocupam o PT?

Não muda em nada. Infelizmente, no momento de exceção que estamos vivendo no país, onde a democracia foi rompida, que hoje está fácil das pessoas entenderem. Rompemos o véu da democracia. Democracia é quando você tem um contrato onde as partes respeitam o contrato. Então, o contrato é a eleição. Quem ganha a eleição, governa. Quem perde a eleição, fiscaliza e prepara para outra. A elite perdeu a paciência, percebeu que não podia esperar quatro anos para outra eleição, rompeu o contrato e arrebentou com a democracia. Ao arrebentar com a democracia, tudo que vier é lucro, porque você nunca sabe o que vem, não tem regra mais, não tem contrato. Assim, não tem contrato nem dentro do poder legislativo, nem executivo e muito menos no judiciário. Isso é detalhe. Sobre o detalhe da delação, pode ter outra, etc., isso é um jogo em aberto que temos que preparar. Eu já disse: hoje, esse governo acabou, o que está em disputa é a saída. Qual é a porta de saída disso? Não tem outra porta de saída. É o referendo popular, é retomarmos o contrato da democracia. Isso que vai definir. Uma eleição, o povo define na urna, independente de quem ganhe, mas legitimado pelo voto popular e com as partes respeitando o resultado, colocar a democracia nos trilhos e vida que segue. Aí o Brasil vai recuperar seu caminho, seu prestígio nacional e internacional.

O senhor ficou decepcionado com os depoimentos de Palocci?

Não. Eu respeito o que, sob tortura, qualquer um possa fazer. Eu gostaria que não fosse essa atitude, mas a delação do jeito que é colocada – ai não estou analisando Palocci, mas todas as questões – como a mesma tortura que vemos da Idade Média e achamos que seria um absurdo. Nos parâmetros da sociedade de hoje é a mesma forma de pressionar as pessoas para poder falar não aquilo que necessariamente é a verdade, mas o que os inquisidores querem ouvir.

Palocci mentiu na delação?

Não sei. Tem coisa que ele pode ter falado que é verdade e coisas que não. Com toda a certeza, foram afirmações na tortura psicológica. Na ânsia de poder escapar daquilo que a pessoa está sendo penalizada, ela só serve se falar aquilo que as pessoas querem que ela fale, ela tem que falar aquilo que será aceito, porque se não falar aquilo não aceita como delação. A delação não será aceita. Agora, se falar sobre isso a delação será aceita.

Há expectativa de que Raquel Dodge tenha uma atuação mais cautelosa e menos ostensiva?

Eu sempre trabalho na expectativa de que não apenas no poder judiciário, legislativo, executivo, nós possamos retomar o caminho da tranquilidade, do equilíbrio, da democracia. Como eu disse, eu vejo que rompemos um contrato, rompemos a democracia. Temos que recompor isso. E os excessos, os erros, as falhas, pode ter certeza que não aconteceram apenas no legislativa ou executivo, mas aconteceram um pouco em cada lugar, no Judiciário, do Ministério Público, na Polícia Federal também. Em todos esses lugares nós precisamos recompor e equilibrar. Essa é minha expectativa. Acho, sinceramente, que só vamos recompor esse cenário como um todo na medida em que haja a expressão popular, que é nas urnas. Será a eleição que definirá isso. Mas no dia-a-dia é muito importante que cada poder vá se equilibrando e aprendendo com os próprios momentos e próprias ações, que seja capaz de avaliar e reavaliar, e poder corrigir rumos.

Veja a entrevista:

Leia mais:

 

 

 

Contato com a redação:
(62) 9 9820-8895

BUSCA