Vande-onlineEm entrevista ao programa "de frente com o poder" do apresentador Murillo Santos, o presidente do PSB em Goiás Vanderlan Cardoso afirmou que em Goiás existem problemas nas áreas de segurança, saúde, educação e infraestrutura. Vanderlan afirma que a população hoje quer projeto e não vai se deixar levar pelo pode econômico.

 

 

O senhor imaginava a disputa de 2014 parecida com a de 2010. Foi uma surpresa a saída de Iris Rezende (PMDB) do páreo?

De certo ponto sim, pois ele colocou seu nome e pensávamos que iria mais para frente, permanecer. Mas também em política tudo pode. Temos tempo até as convenções e quem sabe até lá ainda surja o nome do Iris novamente. A gente vê que as coisas mudam.

Isso pode acontecer?

Não sou de ficar analisando cenário de outros projetos, mas pelo que acompanhamos de outros fatos que aconteceram em outras eleições…

O senhor esteve no PMDB, conhece Iris e o partido. Ainda pode haver mudança?

Muda-se a forma. O Iris tirou o seu nome, mas ainda é muito lembrando, ainda existem muitas pessoas que querem Iris candidato. E vai depender muito de agora para frente o que Júnior (Friboi) vai ter de apoio popular. Caso seu nome não deslanche nas pesquisas pode ser que o pessoal vá atrás do Iris para que ele venha a disputar novamente.

O senhor decidiu disputar o governo ainda em 2010. E sempre cita o que fez como prefeito em Senador Canedo. É possível fazer o mesmo como governador?

Dá para fazer um bom trabalho, desde que se tenha gestão, planejamento, compromisso com a coisa pública, elegendo prioridades. É o que no nosso Estado hoje não é feito. Está se visando simplesmente a próxima eleição. Não tem planejamento para médio e longo prazo. Estamos propondo o quê? Fazer planejamento. Em 2005 planejamos o município de Senador Canedo até 2025. No Estado estamos apresentando um plano de metas não visando simplesmente os quatro anos de administração, mas os próximos anos, as próximas gerações.

Qual deve ser a prioridade em Goiás?

São muitas. Se formos falar hoje das dificuldades que o Estado passa, temos problemas na Segurança, Saúde, problemas pontuais na Educação em vários lugares. Escolas ainda estão caindo, algumas reformando há algum tempo. Alunos fora da sala de aula. Problemas com servidor público. Mas o principal que julgo hoje e entendendo da situação é a questão energética. Porque não dá para falar das outras áreas, apresentar projetos sem falarmos assim: ‘vamos resolver o problema energético do Estado de Goiás’. Hoje é o mais crítico. A Segurança está crítica? Está. Mas se não houver energia como é que vai melhorar a Segurança? Falar em polos tecnológicos, ou emprego e renda sem ter energia para levar aos municípios, melhorar a energia, não tem como fazer.

O que o senhor faria para resolver?

Hoje a situação é tão crítica que está se levando para o lado judicial. Porque ninguém quer ficar com a Celg hoje, que já está nos bancos particulares para pagar o ICMS. Está com quase R$ 300 milhões de ICMS atrasado. Voltou aquela ‘bola’ de atraso. O que tem de ser feito? É uma via de quatro mãos. É olhar onde o Estado errou, porque erramos muito mesmo. Quem elegeu os governantes fomos nós, então temos que assumir. O governo federal e o Estado têm que buscar e injetar dinheiro na Celg para fazer as linhas de transmissão e as subestações. Não é ficar chorando Cachoeira Dourada. Nós choramos a venda da usina por quantos anos? A Celg já foi embora, não tem mais que ficar reclamando. Hoje ficamos com uma dívida enorme e a Celg não vale praticamente nada. É recuperar e daqui algum tempo esses 49% que nos sobrou possa valer pelo menos o valor das dívidas que estamos contraindo para investimento na Celg.

Mas é muito dinheiro para investimentos…

Muito dinheiro. Não é só os R$ 800 milhões que precisam hoje para ser investidos nas linhas de transmissões e subestações. É pagar a dívida contraída de bancos particulares a juros altíssimos. Tem que dar um fôlego. A Celg tem que voltar a operar no azul e dar lucro. Dando lucro volta a ter valor de mercado altíssimo, que teria hoje se tivesse sido feito o acordo em 2010 naquelas condições. O valor de mercado da Celg hoje estaria entre R$ 12 e R$ 15 bilhões. E teríamos 98% das ações, ou seja, o Governo do Estado e os goianos teriam de R$ 10 a R$ 12 bilhões no valor da Celg.

Irrita o senhor perguntas ou ‘notícias’ sobre composição com outro candidato?

Não, porque sabemos que faz parte do jogo. Até as convenções vai ser desta maneira. Os adversários plantam para desacreditar nossa pré-candidatura. E vai acabar só no dia que registrarmos nossa candidatura. Cada vez que apresentamos nosso plano de metas e diagnóstico de Goiás as pessoas participam e veem que estamos preparados e somos os únicos apresentando propostas. Os outros estão debatendo simplesmente o poder pelo poder.

Mas não só adversários. Alguns aliados também. Isso o irrita?

Como foi o caso da deputada Flávia Morais (PDT) me irritou porque ela não conversou comigo. Há muito tempo não conversávamos e temos um pré-acordo a ser definido próximo ou nas convenções. Ela me conhece, sabe a maneira de trabalharmos e estamos definidos. Quando ela disse que podemos compor aí me irritou. Irritou por se tratar de uma pessoa que consideramos muito, que é deputada, nos ajudou em 2010 e nos conhece bem. Então não vou dizer que não irritou, porque irritou.

O senhor a procurou para reclamar?

Não conversei com ela. Conversei com o esposo dela (George Morais) e alguns meios de comunicação como o jornal O Hoje e disse que foi uma fala infeliz. Ela poderia ter evitado.

Muitos dizem que somente unida a oposição ganha as eleições. O senhor também pensa assim ou é contra?

Eu sou contra. Que negócio de união de oposição no primeiro turno, isso é conversa, balela. Aliás, quem valoriza o governador é a própria oposição, principalmente o pessoal do PMDB que o coloca maior do que ele é. O maior adversário do governador hoje é ele mesmo, que não cumpriu as promessas, as propostas de 2010 e os escândalos vieram. A oposição fala: ‘se não houver a união da oposição…’. Não acredito nisso. Se acreditasse já tinha abandonado a política há muito tempo.

Buscar a unidade no primeiro turno não é ideal?

Não é ideal. Quanto mais candidatura melhor. Até mesmo para o eleitor poder escolher o melhor projeto, que mais lhe agrada e aquele que seja confiável.

Mas o senhor não procura ninguém para compor?

De forma alguma. Sei que é jogar conversa fora. Compõe como, se estou pretendendo disputar novamente. O PT vem nos apoiar? Ora, tenho pés no chão, não vem. O PMDB vem? Não vem. O PSDB vem? Não vem. Então para que vou ficar conversando ou jogando conversa fora?

E outros partidos?

Alguns têm sinalizado alguma coisa e alguns não. São pouquíssimos. Sei das nossas condições. Sabemos que o embate é difícil. O Governo do Estado e a base jogam pesado. Do outro lado há uma expectativa financeira muito grande. E quem está em nosso projeto, acredita. O que temos a oferecer? Não temos cargos políticos a oferecer para ninguém. A gente sabe que nessa hora o que vale é isso. Tanto que está no ar muitas negociações com vários partidos.

Em 2010 o senhor teve mais de 500 mil votos. É possível crescer nas pesquisas, especialmente agora com a saída de Iris Rezende?

Mesmo com toda propaganda negativa, uma hora vamos ser vice, outra hora vai compor, até mesmo ‘fogo amigo’, estamos em algumas pesquisas e alguns cenários acima de 20%. Isso mostra que apesar de tudo isso aqueles que votaram em nós não se arrependeram. Os que votaram no governador, quase 52%, a maioria se arrependeu.

Totalmente?

Totalmente. Caso contrário ele teria um índice bem maior do que teve na eleição passada ou pelo menos igual.

O senhor afinou o discurso com a turma da Rede Sustentabilidade em Goiás?

Já, isso são águas passadas. Tanto que a Rede indicou um nome para o Senado, Aguimar Jesuino. Na segunda-feira vamos a Brasília definir a agenda de Marina Silva e Eduardo Campos em Goiás.

Para quando?

Tem uma vinda do Eduardo já pré-agendada, se não me engano para 21 de maio. Mas é uma palestra, muito rápida. É para ter uma agenda exclusiva em Goiás. Vamos ver se será uma na capital e duas no interior.

Qual será o gasto na campanha deste ano?

O básico. Não vamos fazer concorrência com ninguém e nenhum destes outros projetos. Não vai ter esbanjamento até mesmo porque não tenho condições para isso. Tenho pés no chão e não coloco ninguém em dificuldades, nem a mim mesmo. Tenho muitas famílias que dependem de mim e trabalham nas minhas empresas. Não posso ser irresponsável de chegar e destruir as empresas. E essas pessoas? E não precisa ficar compondo e buscando grupos econômicos para depois ficar comprometido.

Mas o senhor presume gastar em torno de quanto?

Não tem números. Vai depender muito do número de partidos que vier. No momento certo vamos apresentar, mas garanto que não deve ser 5% do que alguns estão falando em gastar. E para apresentar nossas propostas não é necessário fazer campanhas milionárias. O eleitor está de olho. Ele quer saber de onde vêm os recursos.

O pré-candidato do PMDB Júnior Friboi afirmou aqui no Hoje de Frente com o Poder que não se faz campanha por menos de R$ 100 milhões. Esses 5% são de R$ 100 milhões?

Não. R$ 100 milhões, mas com certeza vai se gastar muito mais. Quando falo 5% é porque a expectativa deles é de muitos recursos, até mesmo pelo que estão gastando. O que ele falou em gastar é problema dele.

O limite de gastos apresentado pelo senhor em 2010 foi de R$ 22,8 milhões. E agora?

Agora é outro cenário. São menos partidos, com certeza vamos gastar bem menos. Estamos fazendo uma pré-campanha e sou mais conhecido no Estado hoje. Estou mais preparado. O que vai ganhar as eleições agora não é o financeiro. São projetos, é falar com sinceridade com as pessoas. É o testemunho, é o exemplo.

Com 10 anos na política o senhor tem algum arrependimento?

Nenhum, não me arrependo de nada. Todas as decisões que tomo faço bem pensado. Talvez algumas coisas faria diferente.

Por exemplo?

Em 2010 talvez se tivesse tido oportunidade teria feito uma pré-campanha como estou fazendo agora.

 

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