LEONARDO VILELAA provocação é do deputado Leonardo Vilela (PSDB). Em entrevista, o futuro secretário de Planejamento também afirma que não vê a possibilidade da chapa de Vanderlan Cardoso eleger nem deputado federal nem estadual.

 

O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Vilela (PSDB), está de mudança. Nas próximas semanas, ele deixará o primeiro andar do Palácio Pedro Ludovico e assumirá cadeira no sétimo, onde fica localizada a Secretaria de Planejamento e Gestão (Segplan). O tucano terá a missão de comandar o posto durante o ano de 2014, já que o atual secretário Giuseppe Vecci (PSDB) deixará o governo para ser candidato a deputado federal. Na entrevista a seguir, concedida por Leonardo à equipe da Tribuna em seu gabinete, o secretário fala do trabalho na pasta atual e o desafio que encarará na Segplan. Leonardo Vilela, que é deputado federal licenciado, também explica porque desistiu de concorrer à reeleição. Ele confessa que encerrará a sua carreira eletiva em 2015, quando vence o seu atual mandato. Diz que não tem motivação para continuar a disputar mandatos devido ao alto custo e o baixo nível das campanhas. O seu futuro, segundo ele, é na iniciativa privada.

Tribuna do Planalto - Como o senhor enfrenta esse novo desafio que é assumir a Secretaria de Planejamento?
Leonardo Vilela - Já tenho uma experiência grande em gestão pública e esta será a quarta secretaria de Estado que vou ocupar. Tenho experiência de três mandatos de deputado federal, presidindo comissões importantes e sendo vice-líder do principal e maior partido de oposição, que é o PSDB. Encaro o desafio com muita tranquilidade. É uma honra e fico lisonjeado de ter a confiança do governador e do secretário Giuseppe Vecci. Sei o desafio que isso representa e é uma missão que tenho que desempenhar pela importância da secretaria. Estou muito motivado para o desafio. Vecci fez e faz um excelente trabalho desde o primeiro governo de Marconi Perillo e a pasta tem uma equipe extremamente competente.

Como foi a articulação para assumir a Segplan?
Não era uma pretensão minha, mas ao comunicar o governador que não tinha mais pretensão de ser candidato esse ano, ele me perguntou se aceitaria continuar no governo a partir de primeiro de janeiro. Falei que sim, uma vez que não precisaria me desincompatibilizar, e que meu projeto político seria o do governador. Expliquei que onde mais pudesse ajudar o Estado, estaria à disposição. Ele falou tudo bem, que o trabalho na Semarh estava muito bom e que precisaria de mim em outra área estratégica e não falou mais nada. Posteriormente, numa conversa dele com o secretário Vecci, os dois, chegaram à conclusão de que eu teria o perfil adequado para dar continuidade ao trabalho na Segplan. O governador me convidou, aceitei e já estamos no processo de transição, que é extremamente tranquilo e profissional.

O sr. assume a pasta no quarto ano do governo, que já passa a ideia de estar no piloto automático. O que falta em relação a planejamento?
A secretaria engloba tanto o planejamento quanto a gestão. Na área de gestão, nós temos muito projetos em andamentos e muitas ações já estão desenvolvidas, mas há outras que precisam ser ampliadas, aprimoradas ou mesmo implantadas. Então, há muito trabalho pela frente. Temos que fazer o planejamento do Estado para 2015, temos que montar o PPA (Plano Plurianual) e temos que discutir a LOA (Lei Orçamentária Anual). Independente de quem ganhar as eleições é preciso todo um planejamento, inclusive, com o orçamento aprovado. Portanto, o trabalho tanto na gestão, como no planejamento não acaba nunca. Temos a convicção de que há uma grande chance do governador ser reeleito e ele sendo reeleito nós estamos planejando para que o Estado possa dar continuidade as suas ações de forma normal. E no caso dele não ser reeleito, o Estado vai ter continuidade. É inadmissível qualquer descontinuidade numa pasta que é bastante técnica.

Nesse governo as obras ficaram muito concentradas na Agetop. O sr. acredita que a Segplan tenha ficado em segundo plano?
Não vejo dessa forma. Como disse anteriormente, cabe a Segplan a gestão e planejamento do Estado e ela é a coordenadora de todo esse processo. Ela não tem função precípua de executar obras, como é o caso do Agetop, Saneago e outros órgãos. Por outro lado, a Segplan tem um braço operacional que é a AGDR. Hoje, segundo me passou o secretário Vecci, a Segplan tem R$ 100 milhões em obras, com recursos do Plano de Ação Integrada (PAI). Isso é bastante significativo, já que são obras que vão melhorar a vida dos goianos em municípios de todo Estado.

O sr. decidiu que em 2014 não irá sair como candidato. Por que tomou essa decisão?
O fator mais preponderante é o alto custo da campanha, que a cada eleição se torna mais cara. As minhas últimas campanhas foram muito pobres, com dificuldades e uma imensa carga de trabalho para superar a falta de recurso. Isso e é uma situação que cria constrangimento. Me sinto constrangido em chegar numa empresa ou pessoa física para pedir financiamento de campanha. Outro fator é o baixo nível das campanhas políticas, onde prevalece a calúnia e o ataque pessoal, ao invés de discussão de ideias, projetos e ações. Enfim isso, desmotiva. Uma eleição é duríssima e você entrar sem motivação é o primeiro passo para não ser eleito. Prefiro cuidar da minha vida. Vou cuidar do meu mandato até o dia 31 de janeiro de 2015. Vou ajudar o governador Marconi em 2014 como secretário da Segplan e estou preparando minha saída da política, já cuidando das minhas coisas privadas. Enfim, saio de forma tranquila, fazendo uma transição muito conversada com meus aliados, respeitando os quase 100 mil votos que tive na eleição passada. Estou bem tranquilo. A vida de quem tem mandato eletivo é extremamente exigente. Você não tem final de semana, não tem feriado, não tem hora de descanso. Você tem que ser parlamentar em período integral e isso tira o seu tempo de convivência familiar, com os amigos, das coisas que você quer fazer.

O sr. não planeja um retorno à política no futuro?
Não pretendo. Não só nessas eleições, como nas próximas, não pretendo me candidatar a qualquer cargo eletivo. Já dei minha contribuição.

Para o ano que vem é prevista uma alta concorrência na chapa proporcional. Isso pesou na sua desistência?
Não, de forma alguma. Com todo respeito aos candidatos, a chance de um deputado ser reeleito é muito grande. Isso por uma série de motivos, como os instrumentos que ele tem, como as emendas orçamentárias, pela influência natural que exerce, pela visibilidade. São pouquíssimos os casos de deputados federais que foram candidatos e não conseguiram se reeleger. O fato importante é que tanto o PSDB, como a base aliada, têm excelentes nomes e com certeza a base vai aumentar o número de deputados federais na Câmara. Na última eleição nossa chapa fez 10 deputados federais e nessa eleição, acredito, vamos fazer doze. Isso pelo nível de nossos candidatos e pela falta de nomes de peso nas chapas adversárias. Por exemplo, a chapa do Vanderlan não vejo possibilidade de eleger deputado federal, quiçá estadual. Ela não tem nomes, não tem chapa, não tem coeficiente eleitoral. A chapa do PMDB/PT está menor, aparentemente, que a chapa de 2010. Os nossos candidatos têm um chance imensa de se elegerem.

O deputado Carlos Alberto Lereia também disse que não vai se candidatar, mas tem projeto de voltar à Assembleia. Passou pela sua cabeça tentar um mandato na Casa?
De forma alguma. Pelos mesmos motivos que não vou concorrer a Câmara Federal: campanha cara, desmotivação com a política eleitoral, com a exploração que existe por parte dos candidatos em uma campanha política, pelo tempo de dedicação que exige. Isso não me atrai. Estou determinado a encerrar o mandato, retribuindo aos meus eleitores e o meu Estado a confiança a mim atribuída e cuidar da minha vida pessoal. Tenho algumas coisas encaminhadas na iniciativa privada e vou cuidar disso.

O nome do sr. também foi ventilado para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O sr. tem esse projeto?
Acho que isso é uma coisa muito distante. Primeiro, é preciso haver uma vaga, e hoje não há nenhuma perspectiva de aposentadoria. Depois, temos que ver que isso depende da Assembleia, já que é ela quem indica, embora haja uma participação do governador. Então, essa é uma questão mais distante e está fora de cogitação nesse momento.

A base aliada caminhará com o governador Marconi Perillo para o governo ou há possibilidade de outro nome?
Vejo a base aliada mais unida do que nunca. Não há uma dissidência, um foco de tensão, qualquer nota dissonante dentro da base. Temos um grupo maior e mais diverso do que aquele que elegeu o Marconi em 2010. Temos uma chapa muito forte para deputado federal e estadual, que é fator primordial para a nossa chapa majoritária. Temos a liderança do governador Marconi Perillo, que faz um trabalho excepcional, que sobe nos índices a cada pesquisa eleitoral e baixa as rejeições. Não tenho dúvida que 2014 será um grande ano para o governo, com inaugurações de obras. O ano em que as ações estarão maduras e dando resultados. Isso, com certeza, influenciará a população na hora de votar. Vejo com muito otimismo e muita confiança a candidatura de Marconi. Creio que o governador tem todas as chances de ganhar as eleições novamente e de fazer um excelente mandato entre 2015 e 2018. Essa é minha expectativa e vou contribuir para isso não só com minha influência política nas bases que me apoiam, mas também ajudando com o trabalho na Segplan, contribuindo para que o governador faça um grande e último ano de governo.

O próprio governador já disse que não tem certeza se será candidato. Se hoje, ele tomasse a decisão de não ser candidato, a base teria opções?

Teria, mas acho prematuro e até deselegante discutir essa questão. O governador tem focado muito na administração e ele sabe que isso é meio caminho andado para sua reeleição. E o que está dourando o governador e o governo é justamento os resultados que começam a aparecer, fruto da boa administração. Tenho percepção muito clara de que o Marconi vai discutir essa questão lá para maio ou junho na véspera da convenção, mas não tenho dúvidas de que ele será o nosso candidato.

Quando Marconi ganhou a primeira eleição, tinha o mote de ser o novo. Agora, Marconi caminha para tentar um quarto mandato. Como deve ser o discurso?
Administração pública é dinâmica e as prioridades mudam. A cada ano há prioridades diferentes. A grande prioridade em Goiás, em 1999, quando Marconi assumiu, era a industrialização. O Estado foi um dos que mais se industrializou nos últimos 14 anos. Hoje, a prioridade é melhorar a infraestrutura, além, é lógico, da educação, saúde e segurança. Então as coisas vão mudando. Vejo com muita clareza que o governador tem melhorado a vida das pessoas. Goiás, em todos os índices sociais e econômicos, está entre os de melhor desempenho. O desempenho de Goiás tem sido excepcional e as pessoas percebem isso. E isso é o determinante. Não vejo como importante o fato da pessoa estar com dois ou dez mandatos, o determinante é se a população está satisfeita com o desempenho do governante. Esse que é o ponto fundamental. Pela percepção que tenho, pelas pesquisas que vejo, a população está cada dia mais satisfeita com o governo.

É possível que o DEM de Ronaldo Caiado e o Solidariedade de Armando Vergílio voltem para a base?
Acho que sim. O deputado Armando Vergílio foi secretário de Estado, é da base, temos um bom relacionamento. No Estado todo, a maioria dos membros, vereadores e outras lideranças do Solidariedade tem uma ligação com a base do governador Marconi Perillo. Em nível nacional, o partido deve apoiar o PSDB. O presidente nacional, Paulinho da Força, já declarou praticamente apoio a Aécio Neves e isso deve refletir nos Estados também. Da mesma forma é com o DEM. Grande parte do DEM tem ligação muito forte com o PSDB e com o governador Marconi Perillo. Em nível nacional, o DEM é aliado do PSDB e é oposição ao governo do PT. Torço muito para que o deputado Ronaldo Caiado e o DEM possam fazer parte da nossa base nas eleições do ano que vem. O Caiado é um dos políticos mais coerentes que conheço. Não vejo como ele subir no palanque do PMDB/PT, uma vez que é um dos maiores opositores do PT no plano federal. Além disso, o pré-candidato da aliança é Júnior Friboi e todo mundo sabe o empenho que ele teve para criar uma CPI no Congresso Nacional para investigar o cartel dos frigoríficos. Recentemente, em julho, Caiado estava recolhendo assinatura para a CPI do BNDES e um dos principais empréstimos que seria investigado era o que foi feito para a Friboi.

Mas há arestas também com a base. Isso também provoca uma dificuldade de aliança?
Mas isso é muito mais uma coisa pessoal do que ideológica. Nesse aspecto é muito mais fácil você superar desavenças pessoais do que passar por cima de ideologias, como o PT é mestre em fazer. Por isso falo que a união é possível. Qual a diferença ideológica do DEM, do PSDB, dos partidos da base? São pequenas, não são coisas incompatíveis. Agora a diferença ideológica do Caiado com o PT é brutal.

O sr. acredita que essa disputa interna no PMDB, de indicar o Iris ou Friboi, ajuda de alguma forma a base aliada governista?
A gente vê que há uma diferença muito grande. Enquanto a base aliada está muito unida, pacificada, trabalhando em torno de um único nome, a oposição bate cabeça. O PMDB brigando internamente entre Iris e Júnior e o PT querendo lançar candidato. O Vanderlan está sozinho, já que não tem tempo de TV, não tem massa crítica de político e não tem chapa para deputado federal e estadual. Acho que não tem nem candidato a vice e a senador. Então é uma dificuldade muito grande. Creio que mais uma vez essa eleição será polarizada entre PSDB e PMDB/PT ou de repente esses dois últimos lançando candidato.

Se a oposição se unisse poderia causar temor na base?
A gente respeita o adversário e não há eleição fácil. Essa não vai ser diferente, independente da oposição estar unida ou não. Vai ser uma eleição difícil e disputada, mas em qualquer dos dois casos temos condições de ganhar a eleição. Não tenho nenhuma preferência se a oposição virá unida, ou com dois ou três candidatos. O importante é que nós estamos preparados, temos projetos de governo, temos o que mostrar para a população. É isso é que vai ser determinante.

Qual o balanço que o sr. faz do tempo que ficou a frente da Semarh?
É um balanço muito positivo. Melhoramos muito na parte da gestão, demos um salto na área de informatização, de tecnologia da informação. Isso é importante para ganhar eficiência, celeridade e transparência. Avançamos na questão da desburocratização dos processos de licenciamento; profissionalizamos a fiscalização, demos um caráter muito oficial a ela do ponto de vista da legalidade, inclusive. Aprovamos o código florestal, um exemplo para o Brasil e que vai permitir Goiás avançar do ponto de vista econômico com respeito ao meio ambiente; criamos a lei de mudanças climáticas, que está pronta para ser encaminhada para a Assembleia; criamos o pagamento para serviços ambientais; aprovamos o Cota Zero, que não permite o transporte de pescado e já tem dado resultado; aprovamos e implantamos o ICMS ecológico, que é um grande diferencial no que diz respeito à criação, manutenção e ampliação das unidades de conservação e uma série de outras questões que fazem com que a Semarh tenha um arcabouço jurídico para que faça uma política ambiental bastante incisiva. Criamos a Câmara recursal dentro da Semarh, que foi extinta desde que existia a Agência Ambiental. Nós aumentamos a arrecadação de um patamar de R$ 10 milhões em 2010 e vamos chegar esse ano a uma arrecadação de R$ 40 milhões, sem que tenhamos aumentado nenhuma taxa, apenas acabando com a sonegação e buscando ampliar a base de contribuintes.

Qual a vantagem para o Estado com a criação do ICMS ecológico e do pagamento para serviços ambientais?
O ICMS ecológico não aumenta ou diminui imposto. Ele redistribui. De tudo que é arrecadado com ICMS, 25% vão para os municípios. Do total desse recurso, nós retiramos um percentual para distribuir para aqueles municípios que têm unidades de preservação ambiental. Isso, para pequenos municípios que são maioria e que tem unidade de preservação, significa um valor extremamente importante no final ano e que pode representar uma série de ações em benefício do meio ambiente. Muitos municípios com extensas áreas de preservação ambiental reclamavam que estavam impedidos de se desenvolverem. A manutenção da unidade de preservação beneficia o Estado inteiro e nada mais justo que você tirar um pedaço do bolo e compensar esses municípios. Esse é um instrumento econômico de política ambiental. Isso não é novidade. Outros municípios e Estados já implantaram, mas só agora houve vontade política para se criar o instrumento. A mesma coisa acontece com o pagamento por serviços ambientais. O produtor que está lá no Ribeirão João Leite, ele não pode fazer criação de nada ou montar uma pequena indústria. Ele tem uma série de restrições para a atividade econômica, porque a nascente que está ali na propriedade dele vai abastecer o João leite que vai beneficiar toda população da região metropolitana de Goiânia. Como ele reclama do prejuízo, nós criamos esse serviço. O Estado vai dar uma contrapartida para que ele cuide da nascente e não deixe com que ela seja degradada. Esse dois instrumentos de política ambiental são os mais importante. E qual a vantagem disso? Além de ter água em qualidade e quantidade, isso vai baratear demais o custo do seu tratamento. O tratamento da água poluída chega a custar até dez vezes mais que tratar uma água limpa. Isso é um grande investimento para a Saneago.

 


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