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As ações da Embraer sobem nesta terça-feira (2), impulsionadas pela notícia de que a proposta da Boeing de combinar negócios com a Embraer não se restringe à área de aviação comercial e incluiria a divisão de defesa da fabricante brasileira.

A informação foi noticiada nesta terça pela Folha de S.Paulo, que cita fontes próximas da negociação.

Às 10h20, as ações da Embraer subiam 3,65%, para R$ 20,73. O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, avançava 0,84% no horário, para 77.064 pontos.

A intenção da americana de estender as conversas sobre a divisão de defesa da Embraer deve complicar as negociações, pois o governo brasileiro já indicou que vetará a perda de controle nacional da empresa devido à sua importância estratégica na área militar.

No dia do anúncio das conversas, em 21 de dezembro, as ações da Embraer subiram 22,5%, para R$ 20,20, e lideraram as altas do Ibovespa, o índice das ações mais negociadas da Bolsa. Desde então, os papéis acumulam valorização de 21,3%.

A notícia envolvendo a combinação dos negócios com a Boeing foi divulgada inicialmente pelo jornal americano "The Wall Street Journal", que informou que a americana tinha interesse em adquirir o controle da empresa brasileira. A Embraer confirmou a negociação na tarde do mesmo dia, via fato relevante.

"Não há garantia de que qualquer transação resultará dessas discussões. Boeing e Embraer não pretendem fazer comentários adicionais sobre essas discussões", afirmou a fabricante de aviões.

Para analistas, a combinação dos negócios deve tornar as duas companhias mais competitivas perante a joint-venture formada em outubro por suas duas principais rivais, a europeia Airbus e a canadense Bombardier. Em outubro, a Airbus anunciou que compraria uma participação majoritária no programa de jatos CSeries da Bombardier, dando um poderoso impulso para a fabricante canadense de aeronaves e trens em sua custosa disputa comercial com a Boeing.

O acordo seria uma resposta aos recentes sinais de crescimento do segmento de aviões de cem lugares em mercados como a China, onde recentes mudanças regulatórias animaram fabricantes de aviões médios, que são o carro-chefe da Embraer.

No ano passado, para estimular a aviação regional, que requer aeronaves menores, o governo chinês definiu que as companhias aéreas começassem a investir em frotas com aviões de até cem lugares antes de partirem para comprar jatos maiores -mercado disputado pelas gigantes Airbus e Boeing.

"A gente via uma oportunidade tanto para Embraer quanto para a Boeing. É uma combinação muito mais forte entre Boeing e Embraer do que entre Bombardier e Airbus. Só me pergunto como funcionaria a questão regulatória. Porque entra OMC (Organização Mundial do Comércio), vários órgãos para validar essa eventual operação", diz afirma Adeodato Netto, estrategista da Eleven Financial.

O fato de o governo brasileiro deter uma golden share -ação preferencial, que dá ao governo voz ativa em qualquer decisão estratégica da companhia- não deve ser um empecilho, na avaliação do especialista.

"Não deixa de ser um aval muito relevante ao Brasil e ao momento de virada do país. A gente conseguiu resgatar um pouco de credibilidade e de confiança nas instituições no que diz respeito aos contratos. Não fosse isso, uma empresa na qual o governo brasileiro detém golden share sequer seria cogitada para uma operação como essa", ressalta.

O presidente Michel Temer chegou a afirmar que a venda da Embraer estava "fora de cogitação".

"Não adianta tentar avaliar a decisão do governo pelas primeiras palavras. Ainda temos uma relevância desproporcional de alguns agentes, por exemplo, sindicatos.

Se o negócio andar, acredito que este governo costure uma solução que viabilize a transação", afirma Netto. "Tem uma janela para transferência de tecnologia e seria positivo para nossa posição global e para a indústria nacional", ressalta.

Na última quarta (27), a gestora de investimentos americana Brandes anunciou que reduziu sua participação na Embraer para 14%, ou 106,6 milhões de ações.

Antes, a fatia da Brandes na Embraer era de 15%. Os maiores sócios privados depois dela são Mondrian (10,1%), BNDESPar (5,4%) e Blackrock (5%).

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