A Bolsa brasileira encostou nos 77 mil pontos nesta quarta (4), mas não conseguiu sustentar o nível recorde e fechou em baixa, em dia de correção. O dólar se enfraqueceu perante as principais moedas do mundo e recuou para R$ 3,13 nesta sessão.

O Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, caiu 0,22%, para 76.591 pontos.

O dólar comercial caiu pelo quinto dia e fechou com desvalorização de 0,50%, para R$ 3,132. O dólar à vista recuou 0,60%, para R$ 3,125.

O dia foi de correção no mercado acionário doméstico, que bateu recorde nominal na sessão passada -com correção pela inflação, a pontuação máxima do Ibovespa de maio de 2008 equivaleria a cerca de 130 mil pontos hoje.

A Bolsa chegou a subir 0,31% e superou os 77 mil pontos, mas perdeu força ao longo do pregão. Os investidores aguardam a votação da segunda denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Michel Temer sob acusação de obstrução judicial e organização criminosa.

"Até a votação, que deve ocorrer no final do mês, a agenda de reformas fica travada. Não se espera que a reforma da Previdência avance muito, mas mantemos o viés de alta para a Bolsa por causa do crescimento forte no exterior e pelos números animadores da economia brasileira no terceiro trimestre", avalia Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Segundo ele, esse otimismo do mercado com o Brasil deve durar pelo menos até 2019. "A partir daí já começa a haver algum ceticismo, mas o risco de alguém ser eleito no Brasil com bandeiras contrárias às reformas continua baixo", diz.

Neste domingo, pesquisa Datafolha mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança da corrida presidencial com vantagem expressiva sobre os principais adversários.

Ações

Dos 59 papéis do Ibovespa, 30 subiram e 29 caíram.

A maior baixa do índice foi registrada pelas ações da Cemig, com queda de 2,49%. Em seguida vieram as ações da Petrobras, que caíram cerca de 2% em dia de desvalorização dos preços do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais da estatal recuaram 2%, para R$ 15,66. Os papéis ordinários caíram 1,98%, para R$ 16,31.

Na outra ponta, as ações da Natura lideraram os ganhos, com avanço de 4,19%. A segunda maior alta ficou com os papéis da Usiminas, que subiram 4,16%.

A mineradora Vale viu suas ações caírem em uma intensidade menor, após a agência de classificação de risco Fitch elevar a nota de crédito da empresa para "BBB+" e melhorar a perspectiva de negativa para estável.

Os papéis ordinários da Vale caíram 0,21%, para R$ 32,61. As ações preferenciais subiram 0,03%, para R$ 30,01.

Os papéis do Itaú Unibanco caíram 0,89%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 0,65%, e as ordinárias tiveram baixa de 1,41%. O Banco do Brasil teve queda de 0,47%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil perderam 1,38%.

Nesta sessão, a notícia de que o governo do Rio Grande do Sul quer vender cerca de 49% do capital votante do Banrisul fez as ações do banco despencarem 10,87%, para R$ 15,50.

Dólar

A desvalorização do dólar no cenário mundial ocorre após a moeda americana ganhar força na semana passada em meio à sinalização do banco central dos Estados Unidos de que vai aumentar os juros pela terceira vez no ano no país.

"Na nossa avaliação é uma pausa na tendência de fortalecimento do dólar. A gente acha que o Fed vai subir os juros mesmo. Se essa visão se consolidar, tem tudo para o dólar continuar a subir", diz Crespo, da Guide.

Nos Estados Unidos começa a ganhar força a discussão em torno de quem vai substituir Janet Yellen à frente do Fed. Jerome Powell, diretor do banco central americano, seria o nome favorito do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin. Outro nome que corre é o do ex-diretor Kevin Warsh.

O mercado avalia que um candidato menos conservador pode não elevar tanto os juros nos Estados Unidos, o que manteria a atratividade de ativos emergentes.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) recuou pelo sétimo dia. A queda foi de 1,14%, para 186,2 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados fecharam com sinais mistos. O DI para janeiro de 2018 recuou de 7,478% para 7,468%. A taxa para janeiro de 2019 teve alta de 7,290% para 7,320%. (Folhapress)

 

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