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A Bolsa brasileira renovou nesta terça (3) seu maior patamar nominal histórico com ajuda da forte valorização das ações da Petrobras e do setor bancário, enquanto o dólar fechou em baixa pelo quarto dia seguido, com dúvidas sobre o programa de reforma tributária do presidente americano, Donald Trump.

O Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas, subiu 3,23%, para 76.762 pontos.

O dólar comercial teve queda de 0,22%, para R$ 3,148. O dólar à vista se desvalorizou 0,49%, para R$ 3,143.

O novo recorde da Bolsa foi amparado pela forte valorização dos papéis da Petrobras, após o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmar que uma eventual privatização da estatal pode "acontecer" no futuro.

As declarações ocorrem em um contexto em que o governo tenta vender a Eletrobras.

"Estamos com um excesso de euforia. O ambiente de privatização prevaleceu, com destaques para Petrobras e Eletrobras", afirmou Aldo Moniz, analista-chefe da Um Investimentos.

As ações preferenciais da Petrobras se valorizaram 3,77%, para R$ 15,98. Os papéis ordinários ganharam 4,65%, para R$ 16,64. No caso da Eletrobras, as ações ordinárias subiram 6,13%, para R$ 21,80. As ações preferenciais avançaram 7,10%, para R$ 25,35.

Os papéis de bancos também registraram ganhos expressivos, após o jornal "O Globo" noticiar que o Banco Central estuda reduzir os compulsórios -depósitos que as instituições financeiras têm de fazer com parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança.

Os papéis do Itaú Unibanco subiram 3,43%. As ações preferenciais do Bradesco avançaram 4,24%, e as ordinárias subiram 4,97%. O Banco do Brasil teve ganho de 4,06%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil subiram 2,24%.

Recuperação

As siderúrgicas também registraram fortes altas nesta terça. Os papéis da CSN se valorizaram 9,92%, enquanto a Usiminas subiu 9,76%.

"As siderúrgicas refletem a recuperação da economia brasileira. Essa alta ocorre também após a forte queda de setembro. Mas é um movimento mais otimista dos investidores", afirma Marcelo Faria, gestor de renda variável da Porto Seguro Investimentos.

Os papéis da mineradora Vale fecharam com alta de 2% nesta terça. As ações ordinárias subiram 2,45%, para R$ 32,68. As preferenciais se valorizaram 1,94%, para R$ 30.

Apesar do patamar histórico, analistas lembram que, se corrigido pela inflação ou pelo dólar, o Ibovespa ainda estaria distante do recorde de maio de 2008 -os 73.516 pontos da época equivaleriam a cerca de 130 mil pontos atualmente.

"Mas a Bolsa acaba refletindo a conjunção de variáveis externas e internas. Há uma grande liquidez mundial e indicadores econômicos ao redor do mundo apontando para uma melhora da atividade. Entre as opções de emergentes dos investidores se destaca o Brasil", afirma Faria.

Dólar

No mercado cambial, o dólar perdeu força ante 22 das 31 principais moedas do mundo.

O enfraquecimento ocorreu em reação a investidores e parlamentares que questionam o programa de reforma tributária do americano Donald Trump.

Mauricio Nakahodo, economista do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) no Brasil, diz que a queda do dólar também é explicada pelo fluxo de entrada de recursos no país. "Diversas empresas têm aproveitado a janela de oportunidade de elevada liquidez lá fora e o risco-país mais baixo aqui para antecipar pagamentos ou serviços de dívida que vencem no curto prazo. É uma forma de alongar o prazo da dívida local e externa, o que favorece a entrada de dólares no Brasil", diz.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) recuou 2,52%, para 188,1 pontos. Foi o sexto dia seguido de queda.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados fecharam com sinais mistos. O DI para janeiro de 2018 recuou de 7,484% para 7,479%. A taxa para janeiro de 2019 teve queda de 7,250% para 7,300%. (Folhapress)

 

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