dinheiro 12 e1499351170769RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre do ano, e a composição do resultado, segundo analistas, indica que a atividade começa a se recuperar.

O IBGE informou nesta sexta-feira (1º) que o PIB cresceu 0,2% no segundo trimestre (abril a junho), frente aos três meses anteriores. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a economia avançou 0,3%.

O resultado ocorre após o PIB ter crescido 1% no primeiro trimestre, puxado pelo setor agropecuário, o que foi comemorado pelo governo de Michel Temer como o fim da recessão.

O número ficou acima do que esperavam analistas consultados pela agência Bloomberg. A aposta central era de que o PIB subiria 0,1% na comparação com o trimestre anterior.

No acumulado em quatro trimestres, a queda é de 1,4%.

No segundo trimestre, o setor agropecuário ficou estável, como era previsto, passado o efeito benéfico da colheita da safra recorde de grãos.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, afirma que a economia está no início de um processo de retomada, o que é esperado após três anos de recessão.

A inflação mais baixa e os juros decrescentes são o principal fator de estímulo, avalia a analista.

"Como o efeito da política monetária é crescente, o que começamos a ver agora é apenas o início da recuperação que veremos até o fim do ano", afirmou.

CONSUMO

Como resultado desse contexto, a renda das famílias está em recuperação, o que impulsionou o consumo após mais de dois anos de contração.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu 1,4% no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, primeiro resultado positivo desde o fim de 2014.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado também ficou positivo em 0,7%.

Esse número é relevante porque o consumo responde por 65% do PIB. É a conta mais importante de demanda da economia.

Zeina afirma que os indicadores de endividamento das famílias melhoraram, o que abriu caminho para a retomada do crédito. Leitura semelhante ao do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Os saques das contas inativas do FGTS e o encerramento do ciclo de demissões, antes do que previam os economistas, contribuem para este cenário.

Dessa maneira, os serviços também voltaram ao positivo no segundo trimestre, com alta de 0,6% ante os primeiros três meses do ano. É o primeiro resultado positivo desde o quarto trimestre de 2014 e ocorre após o setor ficar no zero nos primeiros três meses do ano. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a queda é de 0,3%.

Para Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro do Ibre/FGV, a composição do PIB sugere que o segundo semestre será de resultados positivos.

"Números negativos para o PIB não estão mais no nosso radar", disse a economista.

Matos, porém, é mais receosa quanto à força da retomada. Embora mantenha previsão de crescimento de 0,3% neste ano e de 2% a 2,2% no ano que vem, ela afirma que há muitas incertezas que podem afetar o ritmo de recuperação da economia.

O principal risco vem do desempenho negativo das contas públicas e da turbulência política.

O deficit orçamentário piorou desde a divulgação do último PIB. E o governo, envolto em denúncias de corrupção contra o presidente Temer e seus principais assessores, perdeu força política na negociação com o Congresso Nacional por medidas que geram receitas.

"O mercado nos deu mais tempo para nos ajustarmos, e os juros mais baixos nos deixaram um pouco anestesiados. Mas um próximo baque ainda pode vir", disse. "Nada que aborte a recuperação, mas que pode torná-la mais lenta".

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