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A subida das taxas de juros no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, não deve prejudicar o Brasil e outros países emergentes, disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Na avaliação de Goldfajn, a economia internacional vive um cenário de recuperação, após anos de dúvidas sobre estagnação. O aumento dos preços das commodities, que beneficia emergentes como o Brasil, é um dos exemplos desse processo.

"Acho que os juros vão subir lá fora nos próximos anos. Mas isso acontece em cenário de recuperação. É uma volta do crescimento global que beneficia os emergentes mesmo em um cenário de queda de juros", disse em evento organizado pelo Itaú Unibanco em São Paulo.

Por outro lado, o economista destaca que a incerteza associada aos movimentos do Fed (o BC americano) e o "brexit", entre outros fatores, são um risco.

"Essa conjuntura internacional encontra o Brasil em um momento de mudança. É um dos poucos países do mundo com agenda de reformas intensa", afirmou.

O presidente do BC destacou as reformas em tramitação, com destaque para a da Previdência, como um dos pontos fundamentais para o controle das contas públicas e redução dos juros.

"Quanto mais perseverarmos nas reformas e nos ajustes, mais rápida será a recuperação econômica com geração de emprego e renda para os brasileiros", disse.

Segundo o presidente do BC, essa agenda de reformas permitiu a redução da percepção de risco. "A continuidade dessa direção, com a aprovação da reforma da Previdência, será importante para a sustentabilidade da desinflação e da queda da taxa de juros estrutural da economia", afirmou.

Goldfajn reiterou que tanto as taxas de juros nominais quanto as reais estão declinando no Brasil.

Mas a falha na aprovação e na implementação dessas reformas, uma recuperação da economia brasileira mais lenta do que a antecipada e o cenário internacional de incerteza ainda representam um risco a esse processo, segundo Goldfajn.

Esses fatores e a conjuntura econômica são levados em conta pelo BC para definição da taxa básica de juros. A expectativa é de Selic a 8,5% ao final do 2017, segundo o Boletim Focus.

A inflação deve ficar abaixo do centro da meta ao longo do ano, um pouco maior ao final quando considerado o acumulado em 12 meses, afirmou o presidente do BC. Em 2018, a expectativa da instituição é de inflação no centro da meta, de 4,5%.

Para o futuro, ele afirma que o ritmo de flexibilização monetária dependerá também da evolução da atividade econômica, das projeções de expectativa de inflação, entre outros motivos.

Em junho, o Conselho Monetário Nacional vai se reunir para definir a meta de inflação para 2019. (Folhapress)

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