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Foto: José Cruz/Agência Brasil
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FÁBIO FABRINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, diz que a decisão sobre reconduzir ou não os vice-presidentes do banco afastados nesta terça (16) deverá ser tomada pelo Conselho de Administração da instituição.

A expectativa é de que na próxima sexta (19) seja aprovado o novo estatuto da Caixa, que confere ao colegiado poderes para nomear e exonerar os executivos.

Com isso, a atribuição deixará de ser do presidente da República.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Occhi disse que o momento é de "extrema tristeza" sobre a situação do banco.

Pergunta - Está aberta uma crise na Caixa?
Gilberto Occhi - Não tem uma crise no banco, tem um momento difícil, que nós vamos superar. O banco vai continuar trabalhando, os empregados vão continuar tendo uma dedicação total, como tiveram até hoje.

P - A defesa dos vices vai ser apresentada internamente, em processos do banco?
G.O. - Existem dois encaminhamentos que estão acontecendo. Um é a manifestação do presidente [Temer sobre o afastamento]. Fui informado pelo ministro [da Fazenda, Henrique Meirelles] de que há uma expectativa de a aprovação do novo estatuto da caixa ser feita na próxima sexta-feira. Neste momento, ao se aprovar o novo estatuto, há uma mudança de competência, que deixa de ser do presidente e passa a ser do presidente do Conselho de Administração do banco [hoje o cargo é ocupado pela chefe do Tesouro, Ana Paula Vescovi]. Passa a ser de competência do conselho a nomeação e o afastamento eventual dos vice-presidentes da Caixa.

P - O senhor entende que algum deles tem condições de voltar?
G.O. - Vai depender muito da capacidade de cada um apresentar suas fundamentações, suas defesas. Acho que são situações bem diferentes entre eles.

P - Então há possibilidade, não é?
G.O. - O Conselho de Administração é que vai avaliar. Eu entendo é que vai caber a cada um deles a capacidade de apresentação de suas fundamentações, porque tudo já está posto. Eventualmente escapou um dado, escapou uma informação.

P - Não fica parecendo uma afronta ao Banco Central [reconduzi-los]?
G.O. - Não é uma afronta. O BC não determinou o afastamento. Ninguém determinou. O Ministério Público, inicialmente, recomendou e agora o Ministério Público alertou o presidente de que ele poderia incorrer em alguma situação. O presidente, com base nisso, ouvindo sua assessoria, ouvindo as pessoas, ouvindo o ministro Meirelles, resolveu adotar essa medida, dando prazo para as pessoas se defenderem O presidente é um constitucionalista, então ele reconhece o direito de as pessoas apresentarem suas defesas primeiramente. Esse é um direito constitucional que todos nós deveríamos ter.

P - Acha que tem alguma injustiça em relação a algum dos vices?
G.O. - Conheço todos eles, uns mais outros menos. Meu sentimento neste momento não é nem de ter uma injustiça ou não. Meu sentimento hoje é de extrema tristeza. Não é decepção, não é mágoa.

P - Por quê?
G.O. - Por acontecer um fato desses num momento tão importante da empresa. É um momento de um resultado do banco que vai ser o maior da história. É um grande momento de comemoração, de reconhecimento, de agradecimento aos funcionários da Caixa. Você se depara com um momento como esse que é extremamente delicado e que traz a mim, particularmente, uma tristeza tão grande de não poder aproveitar todas essas conquistas. É uma situação difícil, complicada, mas que a Caixa vai superar.

P - O escritório Pinheiro Neto recomendou que fosse investigada aquela declaração do [delator] Lúcio Funaro, de que o senhor teria uma meta de propina no banco. O senhor se sente tranquilo em relação a isso?
G.O. - A Caixa, a meu pedido, apurou. A Corregedoria foi ao Ministério Público. O MP não levou em consideração aquela fala dele porque não tem embasamento. E quem o Lúcio Funaro disse que falou para ele sobre essa situação [o empresário Silmar Bertin, do Grupo Bertin] declarou por escrito à Caixa que nunca teve essa conversa com ele, nem comigo, nem nunca pediu nada nem nunca a ele foi pedido nada.

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