Luciano Huck. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A perspectiva das pauladas que receberia como presidenciável foi decisiva para Luciano Huck, 46, decidir não disputar o Palácio do Planalto em 2018.

"Imagina só ter que ficar se defendendo por possíveis esqueletos no armário? Não fiz isso, se falei isso em 1989... Não sei!", disse o apresentador da TV Globo em aula aberta na Casa do Saber de São Paulo, nesta quinta-feira (7).

A tendência da imprensa e da sociedade como um todo, numa eleição, é "te desconstruir, [desconstruir] sua identidade, sua alma", segundo Huck. "E eu não tô preparado, quero discutir coisas positivas."

Não que essa cobrança lhe cause estranhamento, ante a enxurrada de "maus exemplos" em Brasília. É como se as pessoas pensassem de cara: "Por que esse cara quer chegar perto da política se só tem filho da puta?".

Huck fica desconfortável quando o mediador, o publicitário Celso Loducca, sócio do espaço implantado num bairro paulistano de elite, questiona "por que você desistiu" de entrar no páreo.

Loducca, de quem o global foi estagiário no passado, reformula a pergunta (agora sim elogiada pelo sabatinado): "Por que você desconsiderou a oportunidade de ser candidato?".

Depois de uma longa pausa, Huck responde que o fez com "uma mistura de luto e alívio."

" O luto porque ficou claro que mais pessoas estariam interessadas em pavimentar novos caminhos para a política -logo, não se trataria de um projeto vaidoso meu, um projeto pessoal", disse.

Alívio justamente por não ser escrutinado pela mídia apenas por ângulos negativos.

Ainda que não vista a camisa de candidato, o apresentador afirmou que não pretende se isentar do debate.

"Se eu tô na TV há tanto tempo, se tenho voz ouvida, se falo com milhões há 18 anos, não posso achar que isso é só pra ficar me adulando, porque estou na TV."

Sua intenção, "neste momento", não é pleitear um cargo político, e sim descobrir "como a gente usa essa força pro bem, como se fosse 'Star Wars'", disse.

NEM DIREITA NEM ESQUERDA

Para Huck, não há nomes "viáveis" que o apeteçam, entre os pré-candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

Depois, à imprensa, disse que vê num "contexto positivo" Geraldo Alckmin (PSDB), "um político sério", e Marina Silva (Rede), "uma liderança importante". Não quis, contudo, declarar apoio a nenhum deles.

Huck se alojou ao centro do espectro político, por gostar da "economia liberal da direita" e da "sensibilidade social da esquerda" -e sobretudo após apanhar "da direita à esquerda" a partir do momento em que declarou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo oito meses atrás, que chegou a hora de sua geração ocupar espaços de poder.

AÉCIO NEVES

Um rapaz da plateia quer saber: não seria ele um habitué da "casa de direita", o que teria ficado escancarado em sua amizade com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o empresário e sócio Alexandre Accioly? O primeiro chegou a ser afastado do Congresso, e o segundo foi intimado a depor em desdobramento da Operação Lava Jato.

Huck negou ter apagado fotos com figuras públicas complicadas na operação da Polícia Federal, como Aécio, Accioly e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Só não refutou a relação com o senador mineiro, com quem convive "há 20 anos". "Quem aqui nunca se decepcionou com um amigo?"

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