Um menino de três anos que brincava com o fogão causou o incêndio que deixou 12 mortos e 14 feridos –quatro deles em condição gravíssima– num prédio residencial do Bronx, em Nova York.

Em minutos, o fogo tomou conta da cozinha de seu apartamento no primeiro andar. A porta deixada aberta pela mãe do garoto, que conseguiu fugir a tempo com ele e seu outro filho de dois anos, permitiu que as chamas se alastrassem pelo prédio de cinco pisos, subissem como numa chaminé pelo vão das escadas e bloqueassem as saídas.

Daniel Nigro, o chefe dos bombeiros em Nova York, disse que o menino tinha "um histórico de brincar de acender as bocas do fogão" e lembrou que a tragédia de "magnitude histórica" poderia ter causado menos mortes caso a porta tivesse sido fechada.

Janelas deixadas abertas pelos moradores que conseguiram fugir pelas escadas de incêndio também ajudaram a espalhar as labaredas, que atingiram todos os andares e fizeram cair uma chuva de vidro estourado e enfeites de Natal sobre toda a calçada.

Esse é o incêndio mais letal na maior metrópole americana desde o ano de 1990, quando um homem ateou fogo a uma boate clandestina no mesmo distrito do Bronx, matando 87 pessoas. Há dez anos, outro incêndio numa casa do bairro deixou dez mortos, nove deles crianças.

Há quatro crianças entre os mortos –três meninas de um, dois e sete anos e mais um garoto, cuja idade não foi informada.

Dois dos mortos foram encontrados numa banheira cheia de água. Bombeiros disseram que as vítimas devem ter pensado que essa era uma maneira de se proteger das chamas e da fumaça espessa.

Documentos da prefeitura revelaram ainda que pelo menos um dos detectores de fumaça no andar onde o fogo começou estava com defeito e que o edifício registrava várias irregularidades.

Resgate difícil

O frio intenso que atinge a cidade, onde termômetros marcavam -10ºC na hora do incêndio, dificultou o resgate. Os 160 bombeiros deslocados para o edifício levaram cerca de três horas para controlar as chamas, pois a água das mangueiras congelava ao entrar em contato com o ar e cobria o asfalto com uma camada de gelo escorregadia.

"Essa é uma das piores perdas de vida em muitos anos", disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que foi até o prédio destruído. "Peço a todos os nova-iorquinos que mantenham em suas preces essas famílias aqui do Bronx."

O edifício de 20 apartamentos nos arredores do zoológico do bairro fica numa zona ocupada inicialmente por imigrantes italianos no século 19 e foi construído há mais de cem anos.

Boa parte dos moradores atuais é negra, caribenha e latino-americana.(Folhapress)

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