Papa Francisco visita Bangladesh. (Foto: Reprodução/Instagram)
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O papa Francisco, que nesta sexta-feira (1º) se reuniu na capital de Bangladesh com 18 refugiados da minoria muçulmana rohingya, se referiu a eles pelo nome pela primeira vez desde o início de sua viagem à Ásia.

"A presença de Deus hoje também se chama rohingya", declarou publicamente o papa, ao término do encontro com os muçulmanos que fugiram da onde de violência em Mianmar, país vizinho e de maioria budista.

"Deixe-nos continuar a fazer a coisa certa e a ajudá-los. Vamos continuar a trabalhar para garantir que seus direitos sejam reconhecidos", disse o papa. "Não deixemos que nossos corações se fechem, não vamos virar o rosto", acrescentou.

Mais de 620 mil pessoas desta minoria muçulmana entraram em Bangladesh desde o fim de agosto. A ONU e os EUA acusam o Exército birmanês de fazer uma "limpeza étnica" contra os rohingya.

Mais cedo, Francisco celebrou uma missa para 100 mil católicos em um parque de Dacca. As autoridades adotaram medidas de segurança para o evento. Bangladesh registrou vários ataques jihadistas contra minorias religiosas, incluindo os cristãos, nos últimos anos.

Em um país majoritariamente muçulmano, os cristãos expressam preocupação com seu futuro ante o avanço do extremismo islâmico. Desde 2015, pelo menos três cristãos morreram em ataques atribuídos a extremistas muçulmanos.

Para a comunidade de 380 mil católicos bengaleses, a visita papal, a primeira desde a realizada por João Paulo 2º em 1986, é motivo de orgulho.

Francisco, à frente de 1,3 bilhão de católicos no mundo, ordenou 16 novos padres em Bangladesh, um país que tem menos de 400 sacerdotes.

Em seu primeiro dia em Dacca, a capital de Bangladesh, Francisco pediu "medidas eficazes" para ajudar os rohingya.

Os refugiados vivem na miséria, em acampamentos do tamanho de cidades, onde sua sobrevivência depende da distribuição de alimentos.

Em seu discurso, o papa também elogiou o Bangladesh pela recepção dos refugiados, destacando seu sacrifício e "espírito de generosidade e solidariedade" de seu povo.

Visita a Mianmar

Em Mianmar, na terça (28), o papa disse que o país passa por um conflito "que já durou muito e que deixou divisões profundas", mas não usou o termo rohingya.

O pontífice discursou ao lado de Aung San Suu Kyi, líder civil do país, na capital Naypyitaw.

Mianmar, que tem uma população majoritariamente budista, não reconhece os rohingya nem como cidadãos e nem como uma etnia própria e por isso não usa o termo.

Por isso, alguns auxiliares aconselharam o pontífice a não usar a palavra rohingya durante sua visita ao país. Havia o temor de ataques contra a minoria cristã de Mianmar caso o papa mencionasse nominalmente os rohingya, o que ele não fez em seu discurso. (Folhapress)

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