O general Slobodan Praljak, que foi um dos comandantes das forças bósnio-croatas durante a Guerra da Bósnia, morreu nesta quarta-feira (29) após ingerir veneno segundos depois que juízes do Tribunal Penal Internacional recusaram seu recurso contra uma pena de 20 anos de prisão por crimes de guerra cometidos contra muçulmanos.

Praljak, 72, morreu em um hospital em Haia, na Holanda, para onde foi levado após ingerir o líquido, disse o tribunal da ONU que investiga os crimes cometidos durante a guerra na antiga Iugoslávia. A sede da corte fica na cidade.

O militar pegou um pequeno frasco de vidro e bebeu assim que os juízes negaram seu recurso e confirmaram pena de 20 anos. "Eu acabei de beber veneno. Eu não sou um criminoso de guerra, me oponho a essa condenação", disse ele na sequência.

Imediatamente o juiz que comandava a sessão, Carmel Agius, suspendeu a audiência e chamou socorro. Paramédicos entraram na sala e levaram Praljak de ambulância para um hospital, mas ele não resistiu.

Com isso a sala foi interditada e o caso está sendo investigado. Não está claro como o militar entrou com o veneno no tribunal.

Praljak foi inicialmente condenado em 2013, junto com outras cinco pessoas, por não ter impedido que soldados do Exército bósnio-croata sob seu comando matassem civis muçulmanos na cidade de Mostar de 1993 a 1994. Nesta quarta, o tribunal manteve apenas parte dessas condenações, o que não alterou a pena de 20 anos.

Antes de participar da guerra, Praljak se formou em filosofia e em cinema, segundo sua biografia. Ele trabalhava como cineasta quando se alistou voluntariamente no Exército croata logo no início do conflito, em 1991, e liderou uma unidade militar formada principalmente por intelectuais.

Apesar de não ter experiência militar anterior, rapidamente se tornou general e entrou no Exército bósnio-croata, que tentava implementar um Estado de maioria croata dentro da Bósnia. Assim, lutou tanto contra as forças sérvias quanto contra os bósnios.

Os eventos desta quarta aconteceram nos minutos finais do último veredicto do tribunal. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, estabelecido pela ONU em 1993, irá fechar as portas no próximo mês quando seu mandato expirar. (Folhapress)

 

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