O grupo islâmico Hamas entregou o controle da fronteira da Faixa de Gaza com o Egito para a Autoridade Palestina nesta quarta-feira (1º).

Trata-se do primeiro passo concreto na implementação do acordo firmado entre Hamas e Fatah, ferrenhos rivais políticos.

Após uma década sob o poder do Hamas, os agentes de fronteira e soldados do grupo foram vistos deixando os postos de fronteira responsáveis pela entrada de cargas e pessoas na Faixa de Gaza.

Representantes do Fatah, ligados à Autoridade Palestina, rapidamente os substituíram.

"De agora em diante, nós não teremos nenhuma relação com os postos de fronteira e nossos funcionários não estarão presentes nesses locais" disse Mohammed Abu Zaid, diretor de controle de fronteiras do Hamas.

Em 2007, as forças do Hamas derrotaram as do Fatah e assumiram o controle da região. Depois de uma década de bloqueio por Israel e Egito, a nova liderança do Hamas afirma que o grupo não tem mais interesse em governar Gaza.

O bloqueio afetou duramente a economia do enclave, que tem falhas crônicas no fornecimento de energia e uma taxa de desemprego de mais de 40%.

Através de mediação do Egito, os dois rivais anunciaram no ano passado um acordo preliminar de reconciliação, mas muitas questões permaneceram sem solução.

Fatah e Hamas se reunirão no Cairo em 21 de novembro para continuar o diálogo sobre os dois pontos mais sensíveis das negociações: o destino de mais de 40 mil empregados contratados pelo Hamas e o controle do arsenal de foguetes, explosivos e morteiros.

O braço militar do Hamas afirmou que não irá abrir mão do armamento.

A entrega do controle dos postos de fronteira marca um avanço importante. Autoridades esperam que a transferência levará a um afrouxamento do bloqueio.

Israel, que considera o Hamas como um grupo terrorista, e o Egito justificam a medida pela necessidade de impedir o fluxo de armas e militantes para a região.

Um dos maiores testes será a reabertura do posto de fronteira de Rafah, principal saída para viagens internacionais dos cerca de dois milhões de habitantes de Gaza. O Egito manteve a fronteira fechada ali pela maior parte dos últimos dez anos.

No escritório do posto de fronteira, foram pendurados grandes posters do presidente egípcio, Abdel-Fatah el-Sissi, e do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ao lado de um bandeira egípcia de tamanho gigante.

Após a saída de todos os funcionários de Hamas do escritório de Rafah, autoridades palestinas e agentes de inteligência egípcios ficaram de pé enquanto os hinos nacionais eram tocados.

Azzam al-Ahmad, um oficial sênior do Fatah, disse que Rafah será reaberto em duas semanas.

Espera-se que um time europeu de monitoramento seja enviado ao local, restabelecendo um acordo de apoiado internacionalmente e aprovado em 2005. Em vigor por pouco tempo, ele previa que a União Europeia e tropas da Autoridade Palestina controlassem conjuntamente o posto de fronteira.

O acordo também garantia que Israel poderia monitorar Rafah através de câmeras de segurança -ponto ao qual o Hamas se opõe.

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