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Dois esforços brigam por espaço no topo da agenda de Donald Trump na Ásia.

Na viagem mais longa de um presidente americano à região em mais de um quarto de século, as prioridades serão aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte e abrir mais os mercados para os Estados Unidos, em especial a China.
Trump, que estará no Oriente entre os dias 3 e 14 de novembro, vai primeiro ao Japão, parceiro estratégico de Washington na região.

Suas conversas com o primeiro-ministro Shinzo Abe deverão se centrar sobre a escalada da ameaça norte-coreana e o que os japoneses poderão fazer para "promover a paz" ali, de acordo com a Casa Branca.

O americano, que reservou espaço para jogar golfe com o premiê japonês, ainda vai conversar com a família imperial e se reunir com parentes de japoneses sequestrados pela Coreia do Norte.

Sua pressão sobre o regime de Kim Jong-un, na esteira de menosprezar em tuítes os esforços de seu secretário de Estado de dialogar com Pyongyang, vai aumentar na Coreia do Sul, onde Trump vai visitar a base militar de Camp Humphreys, operada em parceria com os sul-coreanos.

Essa visita substitui uma aventada ida de Trump à zona desmilitarizada na fronteira com a Coreia do Norte, já visitada por seu vice, Mike Pence, e pelo chanceler Rex Tillerson -um estrategista da Casa Branca disse que "virou um clichê" ir até o lugar.

Também poderia ser visto como um gesto de provocação ao regime de Kim, já em guerra retórica com os EUA desde que Trump ameaçou "destruir totalmente" o país em sua fala na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Mas a parada crítica da viagem do presidente americano à Ásia será Pequim.

Ali, Trump vai tentar convencer a China a aumentar ainda mais a pressão sobre a Coreia do Norte, que depende dos chineses para manter sua economia de pé, e ainda exigir do presidente Xi Jinping uma mudança de rota econômica.

Trump, que retirou os EUA da Parceria Transpacífico, dirá que a China está distorcendo o comércio global, aludindo a possíveis violações de propriedade intelectual e barreiras comerciais. Além de ameaçar com ações na Organização Mundial do Comércio, o americano vai pedir tratamento "justo e recíproco" para firmas do país na região.

Nesse sentido, a visita à China será um momento de morder e assoprar. Os americanos precisam de Pequim na briga contra a Coreia do Norte, mas se sentem lesados por suas medidas econômicas.

Trump segue depois para Vietnã e Filipinas, onde se reúne com líderes dos dois países. O assunto nas paradas finais de sua viagem à Ásia também será a economia, num esforço para firmar acordos comerciais bilaterais. (Folhapress)

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