O caso da morte da jornalista Kim Wall, que parece ter saído das páginas de um thriller escandinavo, acaba de ganhar mais um capítulo.

O inventor dinamarquês Peter Madsen, 46, admitiu nesta segunda-feira (30) ter desmembrado o corpo de Wall dentro de seu submarino, em agosto.

Ele também confessou que jogou as partes cortadas do corpo de Wall no mar.

Madsen mantém sua afirmação de que não matou a jornalista, e, segundo um comunicado da polícia dinamarquesa, ele agora alega que ela morreu envenenada por monóxido de carbono dentro da embarcação.

Ele teria sobrevivido porque estava no deck no momento da morte de Wall.

Trata-se da terceira versão para os fatos ocorridos no dia 10 de agosto deste ano dada por Madsen à polícia.

Desaparecida

Madsen e Wall se encontraram por volta de 19h daquele dia, uma quinta-feira, em Refshaleøen, um porto de Copenhague.

A jornalista independente de 30 anos, que colaborava com várias publicações internacionais, estava escrevendo um perfil do inventor dinamarquês e por isso foi convidada por Madsen a dar um passeio a bordo do UC3 Nautilus.

O desaparecimento de Wall foi registrado às 02h30 de sexta-feira pelo namorado, que não conseguiu entrar em contato com ela horas após seu embarque.

O submarino afundou no dia seguinte, às 11h, quando Madsen foi resgatado. Antes disso, ele fora avistado submerso próximo à fronteira com a Suécia.

Naquela ocasião, Madsen afirmou às autoridades que estava sozinho no momento do naufrágio e que havia deixado a jornalista em terra firme após cerca de três horas e meia de passeio.

A polícia iniciou operações de busca.

Onze dias após seu desaparecimento, um torso de mulher foi encontrado —sem cabeça, braços ou pernas, ele estava amarrado a um pesado objeto de metal e tinha marcas de pressão, que, segundo a polícia, indicam uma tentativa de retirar o ar dos pulmões para evitar que ele flutuasse.

Exames de DNA confirmaram que se tratava da jornalista.

Novas explicações 

Horas antes do torso ser encontrado, Madsen mudou sua versão inicial e disse que a jornalista morreu em um acidente a bordo e que ele havia "enterrado seu corpo no mar".

No início de setembro, ele ofereceu uma nova versão às autoridades.

Negando que tivesse matado Kim Wall e esquartejado seu corpo, Madsen disse não saber por que seu tórax foi encontrado sem a cabeça e os membros.

Foi um acidente, disse ele, que começou quando ele se desequilibrou ao tentar abrir a portinhola da embarcação para que ela passasse.

Quando Wall subia pela torre do submarino, ela foi atingida fatalmente na cabeça pela escotilha de 75 quilos, contou Madsen a um Tribunal em Copenhague.

"Ficou uma poça de sangue no lugar onde ela caiu", disse Madsen. Então ele entrou em pânico e jogou o corpo para fora do navio, segundo afirmou.

Perícia

No dia 7 de outubro, a cabeça e as pernas da jornalista foram encontradas pela polícia.

O inspetor Jens Moller Jensen, um dos encarregados pela investigação, afirmou que um primeiro saco foi encontrado com as roupas de Wall. Ele também continha uma faca e tubos de chumbo —"para fazer peso", explicou.

As duas pernas foram encontradas pouco depois, bem como "uma cabeça que também estava num saco, com várias peças de metal".

A necrópsia do torso não estabeleceu as causas da morte. Por outro lado, revelou que os membros foram "deliberadamente seccionados" e que havia mutilações múltiplas infligidas em sua genitália.

Mulheres decaptadas

Filmes "fetichistas" em que mulheres "reais" eram torturadas, decapitadas e queimadas foram encontrados em um disco rígido em seu estúdio pela polícia dinamarquesa.

"Este disco rígido não me pertence", reagiu Peter Madsen, sugerindo que muitas pessoas tinham acesso ao estúdio.

Ele assegurou que não teve relações sexuais com Kim Wall e que seus contatos foram puramente profissionais. Com 46 anos de idade e casado, ele se diz inocente apesar de todas as evidências.

Madsen, que está detido desde 11 de agosto, foi acusado de homicídio por negligência antes de ter a acusação reclassificada no dia 5 de setembro para assassinato e vilipêndio de cadáver.

A acusação alega que Madsen matou Kim Wall para satisfazer uma fantasia sexual, depois desmembrou e mutilou seu corpo.

A polícia acredita que o naufrágio da embarcação tenha sido intencional.

O Nautilus foi inaugurado em 2008. Com 18 metros de extensão, era naquele momento o maior submarino privado do mundo. (Folhapress)

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