Um ataque a bomba suicida usando um carro atingiu neste sábado (28) um hotel em Mogadício, capital da Somália, matando ao menos 23 pessoas e ferindo 30. Outras duas explosões aconteceram na região -em uma delas, um terrorista detonou um colete com explosivos.

Ao menos 30 pessoas, entre elas um ministro de Estado, foram resgatadas por forças de segurança, em confronto com extremistas escondidos no último andar do hotel Nasa-Hablod, perto do palácio presidencial e frequentado pela elite do país. Os terroristas atiram granadas e cortaram a energia do prédio, segundo disse o capitão Mohamed Hussein à agência Associated Press. Três dos cinco extremistas foram mortos, segundo o policial.

Os ataques vêm duas semanas depois que mais de 350 pessoas morreram em um ataque a bomba que usou um caminhão em uma rua movimentada da cidade, no pior atentado do tipo no país.

O grupo extremista Al-Shabaab reivindicou o ataque deste sábado e disse que os terroristas dentro do hotel são seus soldados. Um coronel da polícia somali e um ex-congressista estão entre os mortos, segundo o coronel Hussein.

Mohamed Dek Haji disse que sobreviveu à explosão após passar perto do carro, estacionado perto do hotel, que explodiu. Ele disse ter visto três homens armados com uniformes militares correndo em direção ao hotel depois da explosão.

"Acho que eram soldados do Al-Shabaab tentando invadir o hotel", disse ele, deitado em uma cama do hospital -ele teve pequenos ferimentos por estilhaços no ombro e na cabeça.

Testemunhas de ataques anteriores dizem que os soldados do Al-Shabaab costumam se disfarçar usando uniformes militares. O grupo costuma ter como alvo áreas ricas de Mogadício, mas não comentou depois do ataque de duas semanas atrás.

Para especialistas, o número de mortos foi tão grande que o grupo teme perder apoio de parte da população somali à sua insurgência.

Desde os ataques de duas semanas atrás, o presidente Mohamed Abdullahi Mohamed tem visitado países da região para pedir apoio na luta contra o grupo extremista. Ele enfrenta a dificuldade de unificar grupos políticos dentro do seu país, onde o governo central ainda tenta se impor fora de Mogadício e outras grandes cidades.

Uma força de 22 mil soldados da União Africana na Somália deve sair do país e entregar o comando militar ao Exército somali no final de 2020. Militares norte-americanos e outros têm dito em meses recentes que têm dúvidas de que as forças somalis estejam prontas.

O Exército dos EUA tem aumentado seus esforços contra o Al-Shabaab neste ano na Somália, realizando ao menos 20 ataques com drones.

(FOLHA PRESS)

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