Amigo de uma vítima chora no memorial criado para lembrar mortos e feridos no ataque em Las Vegas
memorial las vegas
A namorada do homem que matou 58 pessoas no domingo (1º) ao atirar na multidão reunida para um show em Las Vegas afirmou, na quarta (4), que ele "nunca disse ou fez nada que pudesse ser entendido como alerta de que algo terrível estava para acontecer".

Em comunicado lido por seu advogado, Marilou Danley descreveu Stephen Paddock como um homem "carinhoso, atencioso e tranquilo".

Ela estava nas Filipinas quando o namorado perpetrou o maior ataque a tiros da história dos EUA, e voltou a Los Angeles na terça (3), onde foi sabatinada no dia seguinte pelo FBI (polícia federal americana). Espera-se que possa ajudar a esclarecer a motivação do massacre.

No texto, divulgado após o interrogatório policial, Danley confirmou ter recebido de Paddock uma passagem de avião para visitar a família dela no Sudeste Asiático, assim como uma transferência inesperada de US$ 100 mil (R$ 315 mil) -destinada, segundo as instruções dele, à compra de uma casa por lá.

"Fiquei agradecida, mas, honestamente, temi que fosse um jeito de terminar o relacionamento comigo. Não me ocorreu de forma alguma que ele estivesse planejando [um ato de] violência contra quem quer que fosse."

O advogado de Danley afirmou que sua cliente irá colaborar com a polícia.

Paddock e Danley, 62, conheceram-se muitos anos atrás, quando ela trabalhava como hostess em um cassino de Reno (Nevada) do qual ele era frequentador assíduo.

Australiana, ela nasceu nas Filipinas, tem uma filha que mora na Califórnia e foi casada com outro americano por 25 anos.

"Tenho certeza de que ela não sabe de nada", disse à CNN uma das irmãs de Danley. "Ele a mandou embora [para as Filipinas] para não interferir em seus planos [...] Ela nem sabia que ia viajar, até Steve dizer: 'Marilou, encontrei uma passagem barata para você'."

Paddock e Danley moravam juntos em Mesquite, a 120 km de Las Vegas, e ele também tinha uma casa em Reno. A gerente de um café que o casal frequentava em Mesquite contou ao "Los Angeles Times" que, em público, o aposentado tratava muito mal a namorada. "Acontecia muito de ele a xingar, maltratar verbalmente", disse.

Nas duas residências e no quarto do hotel Mandalay Bay, do alto do qual ele alvejou uma aglomeração de mais de 20 mil pessoas, foram encontradas ao todo 47 armas.

Jill Snyder, agente do Escritório de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo (ATF), disse que, do total, 33 foram compradas entre outubro de 2016 e 28 de setembro -a maioria fuzis.

À noite, o chefe da polícia de Las Vegas, Joseph Lombardo, reconstituiu o ataque. Segundo ele, Paddock começou a atirar às 22h05 (2h05 de segunda em Brasília) e parou dez minutos depois.

Às 22h17, seguranças chegaram ao 32º andar e foram recebidos a tiros -um deles se feriu. Com a chegada da polícia, 13 minutos depois, começou a revista dos quartos. Quando entraram no de Paddock, às 23h20, ele já havia se suicidado.

Lombardo disse acreditar que o plano inicial do atirador era sair do hotel vivo. Para ele, é improvável que Paddock tenha levado as dez malas onde estavam as 23 armas sem a ajuda de ninguém.

Ele também revelou que o aposentado alugou um apartamento no centro da cidade no final de semana anterior ao massacre. Na ocasião, Las Vegas recebia um festival de música pop e rock.

TRUMP

Pela manhã (no horário local, tarde no Brasil), o presidente Donald Trump se encontrou em Las Vegas com centenas de feridos, policiais e pessoas que ajudaram no resgate às vítimas.

Em um dos principais hospitais da cidade, Trump elogiou o trabalho dos médicos e se negou a falar sobre a possibilidade de endurecer o controle à venda e ao porte de armas no país.

"Estou muito orgulhoso de ser americano hoje. Todos aqui fizeram um trabalho incrível", disse. "Vi pessoas terrivelmente feridas, muito mal mesmo, porque elas tentaram ajudar outras. Convidei os feridos a visitar a Casa Branca."

Trump afirmou ainda que, "na mais profunda situação de horror, sempre achamos esperança naqueles que arriscam suas vidas para salvar outras". Para ele, "a América é uma nação em luto".

Um jornalista tentou perguntar sobre a possibilidade de restringir a comercialização de armamentos, mas Trump não quis comentar. Das 23 armas que Paddock tinha em seu quarto de hotel, 12 eram dotadas do mecanismo "bump stock", que permite disparar tiros de forma mais rápida, emulando um artefato automático.

A senadora democrata Dianne Feinstein enviou na terça (3) um projeto para proibir o dispositivo. Ela apresentou proposição similar em 2013, mas foi derrubada pela maioria republicana no Senado.

Nesta quarta (4), porém, sete legisladores do partido disseram à imprensa dos EUA que avaliariam o projeto, incluindo os senadores Marco Rubio e Lindsey Graham.

ARTISTAS

No circuito de espetáculos de Las Vegas, ímã de turistas, a rotina vai sendo retomada.

A cantora Jennifer Lopez cancelou seus shows de quarta, sábado e domingo, mas a também intérprete Céline Dion realizou a apresentação prevista para a noite de terça, no hotel cassino Caesars Palace. Antes de começar, fez uma homenagem às vítimas do ataque de domingo e a seus familiares.

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