As escolas selecionadas para funcionarem como locais de votação no plebiscito acordaram na manhã deste sábado (30) com um movimento incomum: pais, alunos e ativistas catalães dormiram em salas de aulas e auditórios para evitar que suas portas fossem fechadas.

Aulas de yoga, sessões de filmes e piqueniques foram organizados em alguns dos aproximadamente 2.315 locais de votação previstos.

O plebiscito, marcado para ocorrer no domingo (1º), terá a seguinte pergunta: "Você deseja que a Catalunha seja um Estado independente sob a forma de República?".

O governo central espanhol diz que a consulta é irregular. A lei aprovada por legisladores catalães foi julgada ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol.

A polícia catalã, chamada de Mossos d'Esquadra, recebeu ordens de Madri para esvaziar os prédios até a manhã de domingo (1º). Eles também foram instruídos a não usar violência para retirar pais e alunos dos locais.

Quim Roy, pais de duas meninas, pretende acampar na escola primária Congres-Indians, em Barcelona, até o domingo (1º).

Ele afirmou que os pais decidiram em conjunto que mandariam as crianças para casa no fim do dia de sábado (30), mas que esperava que pelo menos uma dúzia de adultos ficasse para manter a escola ocupada até a votação.

"Eu tomei essa decisão porque temos medo. Quem sabe o que vai acontecer se a Guarda Civil entrar aqui", disse Roy.

Na última quarta-feira (27), os Mossos d'Esquadra se recusaram a cumprir ordens do Ministério Público espanhol. Pere Soler, diretor da polícia catalã, escreveu em sua conta oficial em uma rede social: "Que ninguém se equivoque. A principal missão é garantir direitos, e não impedir o seu exercício".

O governo espanhol enviou à Catalunha centenas de membros da Polícia Nacional e da Guarda Civil para garantir a ordem durante o domingo, em que é previsto algum grau de confronto entre independentistas e as forças de segurança.

Medidas policiais

A polícia espanhola ocupou o centro de comunicações do governo catalão na manhã deste sábado (30).

Segundo um porta-voz da Catalunha, ao menos quatro policiais entraram no centro em Barcelona e era esperado que eles permanecessem no local por dois ou três dias.

A medida foi tomada após o Tribunal Constitucional determinar que as forças policiais deveriam atuar para impedir qualquer forma de votação eletrônica.

O órgão é responsável pela área de telecomunicações e tecnologia da informação do governo regional.

O Tribunal também ordenou que o Google deletasse um aplicativo que estaria supostamente sendo usado para disseminar informações sobre a votação do plebiscito.

A polícia espanhola e o Ministério do Interior não confirmaram a ação.

No dia 20 de setembro, a Guarda Civil Espanhola realizou buscas em diversos prédios do governo regional e prendeu o secretário da Economia da Catalunha, Josep Maria Jove, e mais 11 pessoas. (Folhapress)

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